Saúde • 08:41h • 14 de maio de 2026
Por que quando os hormônios mudam, o emagrecimento torna-se mais desafiador? Entenda
Para mulheres com dificuldade em perder peso, a base do tratamento continua sendo a mudança no estilo de vida
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Mudanças hormonais, alterações no metabolismo e impactos emocionais ajudam a explicar o aumento de peso após a menopausa. Estudo recente aponta que terapia hormonal associada à tirzepatida pode ampliar a perda de peso em mulheres na pós-menopausa.
Para muitas mulheres, emagrecer após a menopausa deixa de depender apenas de alimentação equilibrada e atividade física. Nessa fase da vida, o organismo passa por mudanças hormonais importantes que afetam o metabolismo, favorecem o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal, e alteram mecanismos ligados ao apetite e ao gasto energético. Além disso, cresce o risco de doenças metabólicas, como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.
Um estudo recente da Mayo Clinic, publicado na revista científica The Lancet, na editoria de Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, trouxe novos dados para esse debate. A pesquisa mostrou que mulheres na pós-menopausa que utilizaram terapia hormonal associada à tirzepatida — medicamento indicado para diabetes tipo 2 e obesidade — tiveram perda de peso até 35% maior em comparação às pacientes que usaram apenas o medicamento.
Os resultados reacenderam as discussões sobre os desafios do emagrecimento durante a menopausa e o possível papel da terapia hormonal nesse processo. Segundo a doutora em Fisiologia da Reprodução Isabelle Rodrigues dos Santos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, a queda do estrogênio é um dos principais fatores que dificultam a perda de peso.
De acordo com a pesquisadora, a redução hormonal provoca alterações na composição corporal, como aumento da gordura corporal, perda de massa muscular e mudanças no funcionamento do metabolismo. Ela explica que o processo não está relacionado apenas aos hábitos de vida, mas também a alterações fisiológicas importantes que dificultam o controle do peso.
Além disso, sintomas comuns da menopausa, como ondas de calor, suor noturno, alterações do sono, ansiedade e desconforto físico, também influenciam diretamente o metabolismo e a disposição para manter hábitos saudáveis. A piora na qualidade do sono, por exemplo, pode aumentar o estresse, reduzir a motivação e dificultar tanto a prática regular de atividade física quanto a manutenção de uma alimentação equilibrada.
Terapia hormonal pode melhorar qualidade de vida
Nesse contexto, a terapia hormonal aparece como uma estratégia capaz de melhorar os sintomas da menopausa e favorecer o bem-estar geral. Segundo Isabelle, embora o tratamento não tenha como objetivo direto promover emagrecimento, ele pode ajudar a restabelecer parte do equilíbrio metabólico ao repor os níveis de estrogênio.
A melhora dos sintomas pode contribuir para uma rotina mais saudável, com mais disposição para exercícios físicos, alimentação adequada e melhor qualidade do sono. Esses fatores, de forma indireta, podem auxiliar no controle do peso corporal.
O ginecologista Rui Alberto Ferriani, também professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, destaca que a terapia hormonal é indicada principalmente para mulheres com sintomas vasomotores, como ondas de calor, ou com quadros de atrofia genital. Segundo ele, o tratamento não é recomendado para pacientes com contraindicações importantes, como histórico de câncer de mama ou maior risco de trombose.
Tirzepatida e os novos estudos
Ferriani explica que a indicação da tirzepatida está relacionada principalmente a quadros de obesidade ou sobrepeso associados a alterações metabólicas, e não especificamente à menopausa. O especialista afirma que o estudo recente apenas identificou uma possível associação entre terapia hormonal e maior resposta ao medicamento para perda de peso.
Segundo Isabelle, as duas abordagens atuam por mecanismos diferentes, mas potencialmente complementares. O estrogênio participa do controle do apetite e do metabolismo energético, o que poderia potencializar os efeitos da tirzepatida. Ainda assim, ela ressalta que o estudo é observacional e não permite afirmar relação direta de causa e efeito.
Mudança de hábitos continua sendo fundamental
Apesar do avanço dos medicamentos voltados ao emagrecimento, especialistas reforçam que a principal estratégia para perda de peso continua sendo a mudança no estilo de vida. Alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento médico seguem como pilares do tratamento.
Ferriani lembra que medicamentos podem atuar como complemento, mas que, sem mudanças duradouras nos hábitos, existe grande chance de recuperação do peso após a suspensão do tratamento. Segundo ele, o uso de remédios deve acontecer apenas quando houver indicação médica e comprometimento metabólico associado.
Diferença entre perimenopausa e menopausa
A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa e pode durar até dez anos, geralmente a partir dos 45 anos. Nessa fase, os ciclos menstruais tornam-se irregulares e os sintomas hormonais começam a aparecer com mais intensidade.
Já a menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação, marcando oficialmente o fim da fase reprodutiva da mulher. É nesse período que ocorre uma queda mais acentuada dos hormônios femininos.
Segundo Isabelle, o acompanhamento médico é fundamental para identificar corretamente essa transição e orientar os tratamentos mais adequados para cada caso.
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