Responsabilidade Social • 15:48h • 23 de abril de 2026
Por que muitas mulheres descobrem o autismo só na vida adulta
Especialista aponta que sinais mais sutis e adaptação social dificultam identificação precoce e impactam saúde mental
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Arquivo/Âncora1
O diagnóstico de autismo em mulheres ainda costuma ocorrer tardiamente, muitas vezes apenas na vida adulta, devido a fatores sociais e comportamentais que dificultam a identificação precoce. No Brasil, estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas estejam dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo dados do IBGE, mas o subdiagnóstico feminino segue como um dos principais desafios na área.
De acordo com a professora de Psicologia da Uniasselvi, Gabriela Inthurn, a forma como os sinais se manifestam nas mulheres contribui diretamente para esse cenário. Ela explica que muitos comportamentos são mais sutis ou acabam sendo mascarados por estratégias de adaptação social, o que dificulta o reconhecimento do transtorno por familiares e profissionais.
Masking dificulta identificação do transtorno
Um dos principais fatores apontados é o chamado “masking”, termo utilizado para descrever o esforço de pessoas autistas, especialmente mulheres, em esconder ou minimizar características do transtorno para se adequar socialmente. Esse processo pode incluir imitação de comportamentos, controle de expressões e até ensaio mental de interações sociais.
Segundo Gabriela Inthurn, esse mecanismo acaba tornando os sinais menos evidentes. Muitas mulheres desenvolvem estratégias desde a infância para evitar julgamentos ou exclusão, o que pode levar a diagnósticos tardios ou equivocados.
Além disso, o próprio histórico do diagnóstico do autismo contribui para o problema. Durante décadas, os critérios foram baseados majoritariamente em comportamentos observados em meninos, o que limita a identificação de manifestações diferentes no público feminino.
Sinais passam despercebidos e afetam saúde mental
Outro ponto relevante está nos interesses restritos, que podem se apresentar de forma diferente entre gêneros. Enquanto em meninos é comum a associação com temas mais específicos, em meninas esses interesses podem estar ligados a áreas consideradas mais comuns, como leitura ou artes, o que dificulta a percepção como sinal clínico.
A ausência de diagnóstico ao longo da vida pode gerar impactos importantes, como ansiedade, depressão, dificuldades nos relacionamentos e prejuízos na vida profissional. A especialista destaca que a intervenção precoce é fundamental, mas muitas mulheres só recebem acompanhamento após anos de dificuldades sem explicação.
Diagnóstico exige avaliação profissional
O caminho para o diagnóstico em mulheres adultas muitas vezes começa com a identificação de comportamentos em comum, inclusive por meio de relatos em redes sociais. No entanto, especialistas reforçam que o diagnóstico deve ser feito exclusivamente por profissionais qualificados, como psicólogos ou médicos.
A avaliação clínica permite diferenciar o autismo de outras condições com sintomas semelhantes, como transtornos de ansiedade ou TDAH, além de orientar um plano de acompanhamento adequado.
Com o avanço das discussões sobre o tema, a tendência é ampliar a conscientização e melhorar o reconhecimento do autismo em mulheres, contribuindo para diagnósticos mais precoces e melhor qualidade de vida.
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