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Saúde • 09:21h • 27 de janeiro de 2026

Por que a vacina que combate bronquiolite é importante para gestantes e bebês?

Imunizante será oferecido no SUS pela primeira vez, devido a uma parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana Pfizer

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP

A imunização contra o VSR nas gestantes é uma forma de proteção passiva para o bebê
A imunização contra o VSR nas gestantes é uma forma de proteção passiva para o bebê

O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de infecções respiratórias em crianças pequenas e em idosos, podendo provocar quadros graves como a bronquiolite e até mortes, especialmente em bebês.

Em dezembro de 2025, a vacina contra o VSR indicada para gestantes, como forma de proteger recém-nascidos da bronquiolite e da pneumonia, começou a ser distribuída pela primeira vez no Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa é fruto de uma parceria do Instituto Butantan com a farmacêutica norte-americana Pfizer, que vai culminar na transferência tecnológica da vacina para a organização brasileira e no fornecimento em conjunto do imunizante para a rede pública.

O acordo de colaboração foi feito por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) assinada em setembro pelas empresas com o Ministério da Saúde. As PDPs são realizadas entre instituições públicas e privadas, com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos, produtos e novas tecnologias no SUS.

Para esclarecer as dúvidas sobre o vírus, os sintomas e a importância da vacinação, o Portal do Butantan conversou com a pediatra e gerente médica do Instituto, Carolina Barbieri.

1-O que é o vírus sincicial respiratório (VSR) e por que ele é tão grave em crianças pequenas?

O vírus sincicial respiratório (VSR) é um vírus respiratório transmitido por gotículas, que ataca as vias respiratórias e os pulmões, sendo transmitido por tosse, espirros e objetos contaminados.

A forma de transmissão é semelhante à da influenza, rinovírus e metapneumovírus humano, mas o VSR tem uma particularidade: causa infecção nos bronquíolos, que são as partes mais baixas do trato respiratório, por onde se transporta o ar pelos pulmões.

Essa infecção leva a um quadro chamado bronquiolite, que dificulta a respiração.

Até outubro de 2025, o VSR foi responsável por 40,6% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que exigiram internação em crianças menores de dois anos, segundo dados do Boletim InfoGripe.

“Nos bebês, os bronquíolos são muito pequenos. Qualquer inflamação ou acúmulo de secreção já causa falta de ar e chiado no peito. Eles têm dificuldade de eliminar as secreções, o que aumenta o risco de complicações e hospitalização”, explica a pediatra.

Em crianças maiores e em adultos, o VSR costuma causar sintomas mais parecidos com uma gripe comum.

Em bebês e idosos, o risco de formas graves é maior, devido à imaturidade do sistema imunológico e menor diâmetro dos bronquíolos.

2-O VSR é a mesma coisa que bronquiolite?

Não. A bronquiolite é a doença causada pela inflamação dos bronquíolos, e o VSR é o principal vírus causador dessa inflamação.

Outros patógenos também podem provocar bronquiolite, mas o VSR é o responsável pela maioria dos casos em bebês e crianças pequenas.

3-O VSR é mais comum em alguma época do ano?

Sim. O VSR costuma circular com mais intensidade nos meses de outono e inverno, acompanhando o aumento dos vírus respiratórios.

“Durante esse período, ficamos mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a transmissão. A vigilância mostra uma alta incidência de casos graves nessa época, especialmente em crianças menores de dois anos e em idosos”, explica Carolina Barbieri.

4-Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?

Os sintomas do VSR incluem tosse, febre, chiado no peito, dificuldade para respirar e secreção nasal.

O diagnóstico geralmente é clínico, baseado nos sinais de bronquiolite, mas pode ser confirmado por testes laboratoriais específicos.

“Diferente da influenza, que tem os antivirais, o VSR não tem um tratamento específico. O manejo é de suporte, ou seja, oxigênio, hidratação, fisioterapia e monitoramento. Por isso, a vacina e os anticorpos monoclonais são avanços muito importantes na prevenção e na redução da gravidade da doença”, reforça a pediatra.

5-Por que a vacina contra o VSR é indicada para gestantes e não diretamente para os bebês?

A imunização contra o VSR nas gestantes é uma forma de proteção passiva para o bebê.

“Quando a mãe é vacinada, ela produz anticorpos que passam para o bebê pela placenta e pelo leite. Assim, o recém-nascido já nasce com proteção nos primeiros meses de vida, quando o risco de formas graves é maior”, explica Carolina Barbieri.

Vacinar diretamente o bebê logo após o nascimento não seria tão eficaz.

“O sistema imunológico ainda está imaturo e a proteção levaria tempo para se formar. Por isso, vacinar a gestante é a forma mais segura e precoce de proteger o bebê”, ressalta.

6-Qual é o período ideal para a gestante tomar a vacina?

A recomendação é que a vacina seja aplicada a partir da 28ª semana de gestação.

“Esse intervalo foi o mais estudado e mostrou melhores resultados, com títulos de anticorpos mais altos e maior proteção para o bebê.

A gestante precisa tomar a vacina com pelo menos 14 dias de antecedência do parto, para que dê tempo de o corpo produzir e transferir os anticorpos ao bebê”, orienta Carolina Barbieri.

7-O VSR também pode afetar pessoas mais velhas?

Sim. O VSR pode causar quadros respiratórios em qualquer idade, porém, além de crianças pequenas, as formas graves são mais frequentes em idosos, principalmente em quem tem doenças crônicas ou imunidade enfraquecida.

“Nos idosos, o vírus agrava condições já existentes e o processo inflamatório é mais intenso. É uma faixa etária com alta morbidade, semelhante ao que vemos na pediatria com os bebês pequenos”, diz a médica.

8-Existem outras formas de prevenir o VSR?

Além da vacinação, as medidas clássicas de prevenção continuam sendo fundamentais: lavar as mãos com frequência; usar máscara em ambientes fechados ou com pessoas doentes; evitar contato próximo com pessoas resfriadas; e manter os ambientes bem ventilados.

“Como não há tratamento antiviral específico, a prevenção é essencial. A vacina para gestantes e os anticorpos monoclonais para bebês em alto risco representam um avanço enorme em saúde pública”, destaca Carolina Barbieri.

9-A introdução da vacina no SUS pode diminuir os casos de VSR no país?

Sim. A introdução da vacina deve reduzir significativamente a circulação do vírus, os casos graves, as hospitalizações e o impacto da doença na vida das famílias.

“O VSR é hoje uma das principais causas de internação de bebês e crianças pequenas. A chegada da vacina é um marco para pediatras, geriatras e para a saúde pública brasileira”, conclui.

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