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Variedades • 14:11h • 21 de abril de 2025

Por que a brincadeira de ‘mamãe’ com bebês reborn incomoda tanto a sociedade?

Bebês reborn: o fenômeno que reflete a nostalgia e os preconceitos da sociedade moderna

Da Redação | Foto: Arquivo/Âncora1

Entre bonecas e videogames: como os estereótipos de gênero moldam nossas brincadeiras adultas
Entre bonecas e videogames: como os estereótipos de gênero moldam nossas brincadeiras adultas

O mercado de bebês reborn tem crescido de forma exponencial nos últimos anos, criando um debate intenso sobre o que parece ser, à primeira vista, apenas uma simples tendência de consumo. Esses bebês ultra-realistas, feitos de silicone ou vinil e minuciosamente detalhados para imitar recém-nascidos, são comprados principalmente por mulheres que buscam reviver a nostalgia da maternidade e de sua infância. Entretanto, esse fenômeno vem acompanhado de polêmicas sobre a “patologia” do comportamento feminino e os estereótipos de gênero que cercam as brincadeiras da infância.

Os bebês reborn, que podem variar de R$ 3.000 a R$ 10.000, são encontrados em lojas especializadas e, cada vez mais, por influenciadoras digitais, que compartilham seu vínculo emocional com essas criações em vídeos, postagens e blogs. Entre as mães de bebês reborn, o processo de cuidar dessas bonecas, com gestos que imitam a troca de fraldas, amamentação e até mesmo levar o bebê para passear, faz parte de uma experiência lúdica que proporciona um sentimento de pertencimento e controle, tão forte quanto o que se observa na maternidade real.

No entanto, para uma parte da sociedade, esse comportamento parece gerar estranheza e até repulsa. Por que esse fenômeno, voltado para o universo feminino, é visto com tanto desconforto?

A infância masculina X feminina: brinquedos e produtos de nostalgia

Para entender melhor essa dicotomia, é importante traçar um paralelo entre as tendências de brinquedos e passatempos nostálgicos dos gêneros masculino e feminino. Os meninos, desde a infância, são incentivados a brincar com carrinhos, robôs, álbuns de figurinhas, trenzinhos e, na idade adulta, muitos deles continuam apaixonados por modelos de carros, videogames, tecnologia e gadgets. O comportamento de colecionar carrinhos, por exemplo, é amplamente aceito e, muitas vezes, visto como um hobby saudável e masculino. Os videogames, com suas versões ultra-realistas e plataformas de jogos 3D, não causam tanto estranhamento quando um adulto dedica horas do seu tempo a essas atividades.

Já o ato de brincar de “mamãe” ou de cuidar de um bebê reborn é frequentemente atribuído ao feminismo, mais especificamente à feminilidade infantil, e as mulheres que se entregam a essa prática muitas vezes são vistas como “imaturas” ou “problemáticas”. É importante ressaltar que a diferença no tratamento dado a esses dois comportamentos – o masculino e o feminino – revela um profundo estigma que ainda marca a sociedade, principalmente no que se refere ao conceito de "adulto" e "infantil", dependendo do gênero de quem executa as ações.

O mercado dos bebês reborn e os tabus que os cercam

A verdadeira polêmica que envolve os bebês reborn não está apenas no fato de serem produtos caros e extremamente realistas. Ela reside, na realidade, no fato de que essas mulheres, muitas vezes em sua faixa etária entre 30 e 40 anos, não estão apenas fazendo compras de consumo, mas, de certa forma, revivendo um período emocional e psicológico da infância. Para essas mães de bebês reborn, há uma espécie de reconciliação com o próprio passado, um desejo de perpetuar um ciclo de cuidados e de "manter viva" a lembrança do que foi perdido ao longo dos anos – um sentimento de nutrição que é associado à maternidade.

A questão que precisa ser mais debatida não é se as mulheres que compram bebês reborn estão fazendo algo "estranho", mas o porquê isso incomoda tanto a sociedade. Essa forma de brincar, associada à maternidade, mas sem os desafios reais de ser mãe, parece acentuar um distanciamento entre as mulheres e as expectativas sociais sobre o que se espera delas em suas funções de cuidadoras. Ao mesmo tempo, essas mulheres são constantemente criticadas por usarem os bebês reborn para simular a maternidade, enquanto os homens são incentivados a continuar com seus hobbies nostálgicos, sem qualquer questionamento social.

O que tudo isso diz sobre o papel da mulher na sociedade atual?

Essa situação também levanta uma reflexão sobre o papel da mulher e da mãe na sociedade. Enquanto o comportamento de brincar de casinha ou cuidar de um bebê reborn é condenado como infantil e desnecessário, o consumo masculino de produtos nostálgicos e hobbies relacionados à infância são muitas vezes validados como saudáveis e bem vistos pela sociedade. Por que existe uma diferença tão grande na forma como os comportamentos lúdicos são analisados entre os gêneros?

O fenômeno dos bebês reborn, e o debate que ele provoca, é muito mais uma questão social e cultural do que um simples estranhamento psicológico. Ele desafia as normas de gênero, trazendo à tona a crítica a um sistema que reforça a infantilização do comportamento feminino e a aceitação das mesmas atitudes no público masculino. O importante, no fim das contas, é refletir sobre o que significa ser “adulto” e por que determinadas ações são vistas como “normais” para uns, mas não para outros.

Respeitando a diversidade de interesses e desconstruindo preconceitos

O fenômeno dos bebês reborn precisa ser entendido dentro do contexto de uma sociedade que precisa se libertar de preconceitos de gênero. Assim como os homens continuam a colecionar brinquedos e objetos de infância sem questionamento, as mulheres devem ter o direito de reviver suas infâncias e usufruir de uma forma lúdica de cuidar, sem serem julgadas. No fim, trata-se apenas de um retorno ao que a infância proporciona: o prazer da imaginação, a nostalgia e a busca por um momento de pertencimento.

Essa reflexão vai além do simples debate sobre os bebês reborn. Ela questiona o que consideramos "normal" ou "aceitável" em relação aos comportamentos dos homens e das mulheres, e nos desafia a desconstruir estereótipos e preconceitos profundamente enraizados na sociedade.

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