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Policial • 10:13h • 30 de outubro de 2025

Polícia Científica aplica técnicas avançadas para rastrear origem em casos de incêndio

A atuação em locais de incêndio exige técnica, método e, sobretudo, paciência. Diferentemente de outros tipos de cena de crime, esses ambientes apresentam alto grau de destruição, calor intenso e desorganização espacial, fatores que comprometem a preservação de vestígios e tornam a análise mais complexa

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Agência de notícias do Paraná | Foto: PCIPR

Mesmo com a destruição causada pelas chamas, os peritos conseguiram reunir evidências importantes sobre a dinâmica do incêndio — entre elas, a presença de dois focos distintos de queima, indício técnico importante para fundamentar uma ação criminosa.
Mesmo com a destruição causada pelas chamas, os peritos conseguiram reunir evidências importantes sobre a dinâmica do incêndio — entre elas, a presença de dois focos distintos de queima, indício técnico importante para fundamentar uma ação criminosa.

Após um incêndio que destruiu uma residência em Curitiba e deixou vítimas de tentativa de feminicídio e homicídio, peritos da Polícia Científica do Paraná (PCIPR) realizaram uma análise minuciosa no local para identificar a origem e as circunstâncias do fogo. O caso resultou na prisão do suspeito na Bahia, dias depois, graças à articulação entre as forças de segurança.

Mesmo com a destruição causada pelas chamas, os peritos conseguiram reunir evidências importantes sobre a dinâmica do incêndio — entre elas, a presença de dois focos distintos de queima, indício técnico importante para fundamentar uma ação criminosa.

“Essa condição, por si só, já constitui forte indício de ação humana intencional”, afirma o perito oficial Daniel Larsen. “No primeiro quarto, foi verificado que os fragmentos de vidro da janela frontal apresentavam padrão de rompimento incompatível com ruptura por ação do calor, sendo mais condizentes com quebra por ação mecânica, o que sugere possível violação da abertura para acesso ao interior do ambiente ou lançamento de material combustível”.

A análise laboratorial, nesses casos, depende diretamente da coleta de materiais que possam indicar o uso de substâncias específicas na ignição do incêndio. No entanto, segundo o perito da PCIPR, é relativamente raro obter amostras viáveis. “Os líquidos combustíveis mais utilizados, como etanol, gasolina ou querosene, são altamente voláteis e, portanto, consumidos ainda nas fases iniciais da propagação das chamas", diz. 

Por essa razão, a reconstrução da dinâmica do caso se baseia principalmente na interpretação dos vestígios físicos que ainda são visíveis: padrões de queima, direção e intensidade das chamas, áreas de colapso estrutural, danos diferenciais e pontos de maior carbonização são alguns dos elementos avaliados. A partir dessa leitura técnica, é possível reconstituir o comportamento do fogo e delimitar os focos iniciais, mesmo quando não há material coletável para exame químico.

De acordo com Larsen, o objetivo da perícia é produzir elementos técnicos que sustentem a investigação e permitam à autoridade policial compreender, de forma objetiva, o que de fato ocorreu. Por isso, é fundamental manter o equilíbrio técnico e emocional durante o trabalho, evitando qualquer influência de relatos de testemunhas, da vítima ou de suspeitos.

“A conclusão deve se basear exclusivamente em evidências materiais e parâmetros científicos. Ainda assim, é natural reconhecer a relevância social e humana desse tipo de trabalho. Saber que o exame pericial e as conclusões expressas no laudo podem contribuir diretamente para a responsabilização do autor e para a proteção de outras pessoas é, sem dúvida, um fator motivacional para qualquer profissional”, destaca Larsen.

Perícia em incêndios

A atuação da Polícia Científica em locais de incêndio exige técnica, método e, sobretudo, paciência. Diferentemente de outros tipos de cena de crime, esses ambientes apresentam alto grau de destruição, calor intenso e desorganização espacial, fatores que comprometem a preservação de vestígios e tornam a análise muito mais complexa. Mesmo assim, cada detalhe observado — uma marca de queima, o padrão de colapso de uma estrutura, a disposição dos escombros — pode revelar informações cruciais sobre a origem e o comportamento do fogo.

“Certamente, um dos focos principais no atendimento de locais de crime é o registro detalhado e, quando possível, a coleta de vestígios. Em locais de incêndio isso não é diferente, mas a dificuldade é maior em razão do caos provocado pelo fogo e pelo calor. Muitos vestígios importantes acabam sendo consumidos pelas chamas, enquanto outros se perdem entre os escombros, exigindo do perito paciência e método para compreender a dinâmica do evento”, explica o perito.

Assim, o trabalho da perícia segue uma metodologia progressiva: a área de interesse é reduzida gradualmente até se chegar ao foco inicial do incêndio, onde são avaliados vestígios capazes de confirmar ou descartar hipóteses sobre as causas e o modo de propagação. Com o trabalho finalizado, o laudo pericial fornece os parâmetros técnicos que sustentam o inquérito policial, permitindo à autoridade definir a existência de crime, sua natureza e as circunstâncias em que ocorreu.

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