Política • 19:54h • 10 de setembro de 2026
PF bate à porta de Mario Frias, Dino barra saída do país e investigação chega a filme sobre Bolsonaro
Operação Make Up cumpriu 49 mandados nesta quinta-feira (10); apuração envolve R$ 2 milhões em emendas do deputado e suspeita de que recursos tenham sido direcionados à produção de “Dark Horse”
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Marcello Casal
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que colocou o deputado federal Mario Frias e a produtora Karina Gama no centro de uma investigação sobre supostos desvios de recursos de emendas parlamentares. Foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Em decisão paralela à operação, o ministro Flávio Dino proibiu Frias, Karina e outros 27 investigados de deixar o Brasil.
O caso ganhou repercussão também pela ligação com Dark Horse, filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Frias atua como roteirista e produtor-executivo da produção, enquanto Karina Gama é produtora do longa. Segundo a investigação, há indícios de que recursos públicos destinados originalmente a projetos de entidades ligadas a Karina possam ter sido direcionados ao filme.
A Operação Make Up apura suspeitas de fraude em procedimentos de contratação, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. De acordo com a PF, os elementos reunidos até agora apontam uma estrutura formada por diferentes pessoas jurídicas e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades econômicas declaradas.
R$ 2 milhões em emendas estão no centro de uma das apurações
A investigação relatada por Flávio Dino teve origem em relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU). Os documentos apontaram irregularidades envolvendo R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Mario Frias a duas entidades registradas em nome de Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
Entre os casos analisados estão recursos destinados a projetos sociais esportivos do ICB em Pirassununga, no interior paulista. Segundo os achados da CGU, não ficou comprovada a efetiva execução dos recursos na finalidade prevista. A PF apontou indícios de que parte do dinheiro teria sido direcionada à produção de Dark Horse.
As duas entidades estão entre os locais alcançados pelas buscas desta quinta-feira. A investigação também avançou sobre outros CNPJs vinculados a Karina. Conforme a PF, essas empresas e entidades movimentaram dezenas de milhões de reais nos últimos anos, em aparente incompatibilidade com suas atividades econômicas.
A produtora do filme Dark Horse, Karina Gama, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) são alvos da operação da Polícia Federal que investiga desvio de recursos públicos | Foto: Karina Ferreira da Gama/Instagram
No pedido que resultou na operação, a Polícia Federal afirmou que os elementos reunidos revelam uma “sofisticada estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre entidades”.
Dino cita risco de evasão e impede Frias de deixar o Brasil
Além das buscas, Flávio Dino determinou que Mario Frias não deixe o país e não mantenha comunicação com outros investigados. A mesma proibição de saída do Brasil alcança Karina Gama e outras 27 pessoas investigadas.
Na decisão, o ministro registrou que Frias teria utilizado uma viagem internacional para retardar o fornecimento de informações consideradas relevantes para a investigação. O episódio levou Dino a acionar o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para verificar a regularidade da viagem.
Ao justificar a restrição, Dino mencionou episódios recentes envolvendo parlamentares brasileiros e a possibilidade de evasão internacional diante de investigações criminais. A medida é cautelar e não representa condenação dos investigados.
Outro inquérito apura R$ 61 milhões destinados ao mesmo filme
Dark Horse aparece ainda em outra investigação que tramita separadamente no STF. Nesse segundo caso, sob relatoria do ministro André Mendonça, a apuração envolve um repasse de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme.
A investigação foi aberta depois da divulgação de áudios pelo The Intercept Brasil em que o senador Flávio Bolsonaro aparece solicitando recursos a Vorcaro para financiar a produção. O senador confirmou a conversa, mas negou irregularidades e afirmou que os recursos destinados ao filme eram privados.
Apesar de as duas investigações alcançarem a mesma produção cinematográfica, elas tratam de fatos distintos. A operação desta quinta-feira concentra-se, entre outros pontos, nas emendas parlamentares destinadas por Frias e na movimentação financeira das entidades investigadas, enquanto o outro procedimento examina o repasse atribuído a Vorcaro.
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