• Assis abre quatro editais da Política Aldir Blanc e inicia inscrições nesta segunda
  • Últimos dias de abril em Assis terão calor, variação de nuvens e chance de chuva
  • Festa do Milho chega à 16ª edição em Cândido Mota com dois dias de tradição e comidas típicas
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 10:04h • 02 de julho de 2025

Pesquisadores da Unesp criam medicamento inalável com maior eficácia no combate à tuberculose

Com apoio de nanotecnologia, teste envolve medicação por via inalatória

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tuberculose voltou a ser a doença infecciosa que mais mata no mundo. Só em 2023, foram 10,8 milhões de novos casos. No Brasil, o índice de infecção é quase seis vezes superior à meta estipulada pela OMS.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tuberculose voltou a ser a doença infecciosa que mais mata no mundo. Só em 2023, foram 10,8 milhões de novos casos. No Brasil, o índice de infecção é quase seis vezes superior à meta estipulada pela OMS.

Um dispositivo semelhante a uma bombinha de asma pode, no futuro, mudar a forma como a tuberculose é tratada no Brasil. A proposta, que é coordenada por um grupo de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp, em Araraquara, acaba de receber um investimento de cerca de R$ 14 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com apoio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O objetivo é desenvolver, nos próximos três anos, um medicamento inalável mais potente e eficaz, com potencial de substituir a terapia oral utilizada atualmente. Hoje, um paciente com tuberculose precisa ingerir até 12 comprimidos por dia, durante seis, 12 ou até 24 meses, o que acaba resultando muitas vezes em baixa adesão ao tratamento. No novo modelo, os fármacos seriam veiculados por meio de micropartículas que atingiriam diretamente os pulmões, local onde a bactéria causadora da tuberculose se instala e se protege dentro de estruturas chamadas granulomas.

“Há pelo menos duas décadas não há novidades significativas no mercado de medicamentos para tuberculose. Por isso, este projeto pode representar um salto terapêutico importante, especialmente se conseguirmos atingir as estruturas infectadas com doses menores, mais eficazes e com menos efeitos colaterais”, destaca Fernando Rogério Pavan, professor que coordena a proposta junto com Andréia Bagliotti Meneguin, Leonardo Miziara Barboza Ferreira, Lucas Amaral Machado e Marlus Chorilli, todos docentes da FCF.

A ideia inovadora e sem precedentes de tratar a tuberculose por via inalatória foi determinante para que o projeto se destacasse em um edital altamente competitivo. Submetido no âmbito do programa “Mais Inovação Brasil Saúde – ICT” da FINEP no final de 2023, o projeto conquistou a nona colocação entre mais de 200 propostas avaliadas em todo o país.

Uma doença antiga, mas ainda letal

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tuberculose voltou a ser a doença infecciosa que mais mata no mundo. Só em 2023, foram 10,8 milhões de novos casos. No Brasil, o índice de infecção é quase seis vezes superior à meta estipulada pela OMS.

De acordo com Pavan, parte do problema está no próprio regime terapêutico. “É um tratamento muito exigente, principalmente para pessoas em situação de rua, indígenas, detentos ou qualquer indivíduo com baixa estrutura de apoio. Isso contribui para o abandono e para o surgimento de bactérias mais resistentes”, alerta.

Nesses casos, o tempo de tratamento sobe para, no mínimo, dois anos, e a chance de cura diminui para cerca de 50%.

Abordagem nanotecnológica

Chamado de INOVA TB, o projeto propõe uma nova estratégia para o tratamento da tuberculose: aproveitar os fármacos já utilizados contra a doença em um sistema que combina partículas em escala nanométrica e micrométrica com funções específicas.

“Precisamos dessa tecnologia porque os remédios convencionais têm dificuldade de penetrar no interior dos granulomas, que são estruturas localizadas no pulmão e que servem de “esconderijo” para as bactérias. O nosso objetivo é aumentar a quantidade de medicamento que consegue atingir essas áreas”, explica Andréia Bagliotti Meneguin, docente do FCF.

O diferencial da proposta está no uso de nanopartículas feitas de compostos naturais produzidos pelos próprios pulmões (surfactantes pulmonares) capazes de transportar os medicamentos até o foco da infecção. Essas nanopartículas são encapsuladas dentro de estruturas maiores, em escala micrométrica. “Elas precisam ter um tamanho ideal: pequenas o suficiente para serem inaladas, mas grandes o bastante para não serem eliminadas logo na expiração”, detalha a professora.

Segundo os pesquisadores, a administração dos medicamentos com a ajuda de substâncias naturais vindas dos pulmões torna a proposta ainda mais promissora: “Todo remédio tem, além do princípio ativo, outros componentes chamados excipientes. Eles ajudam na produção, estabilidade e na absorção do medicamento, mas, muitas vezes, são sintéticos e não interagem bem com o organismo. Isso pode causar reações adversas e reduzir a eficiência do tratamento”, afirma o professor Lucas Amaral Machado da FCF.

Além disso, como a nova tecnologia idealizada pelos docentes trabalha em escala nanométrica, ou seja, mil vezes menor que a espessura de um fio de cabelo, ela permite um nível de precisão que os tratamentos tradicionais não conseguem alcançar. Dessa forma, a equipe da FCF pretende usar a nanotecnologia para tornar o tratamento da tuberculose mais direto, eficaz e seguro, algo que pode representar um avanço significativo na forma como combatemos uma das doenças infecciosas mais persistentes do mundo.

Começo de uma longa jornada

Apesar de estar na etapa inicial, a pesquisa tem fases bem delimitadas, que envolvem estudos físico-químicos, avaliação da atividade antimicrobiana em laboratório e testes em modelos animais. Somente após essa etapa será possível analisar a viabilidade clínica e considerar o início de ensaios em humanos.

“Por ora, temos uma hipótese sólida cuja comprovação científica virá com os experimentos”, explica o professor Lucas.

Além de abrir novas possibilidades terapêuticas, o projeto contribuirá para o fortalecimento da infraestrutura da FCF já que os recursos da Finep serão destinados à aquisição de equipamentos de ponta, como um tomógrafo de alta resolução para pequenos animais, que estará disponível para toda a comunidade acadêmica.

De acordo com o professor Leonardo Miziara Barboza Ferreira da FCF, a expectativa é de que a tecnologia desenvolvida possa futuramente ser aplicada a outras doenças com relevância em saúde pública, como Covid-19, pneumonias, asma e outras condições crônicas.

O projeto também terá impacto direto na formação de recursos humanos, com a previsão de bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Mesmo que o produto final leve tempo para se concretizar, o legado científico e formativo será imediato. E, caso a hipótese se confirme, o Brasil poderá contar com uma solução nacional, acessível e de impacto real no SUS”, conclui Ferreira.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Cidades • 08:24h • 27 de abril de 2026

Cândido Mota realiza nebulização contra dengue em três bairros nesta segunda

Aplicação de inseticida ocorre na manhã do dia 27 de abril em ação casa a casa

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 08:08h • 27 de abril de 2026

Assis abre quatro editais da Política Aldir Blanc e inicia inscrições nesta segunda

Chamamentos públicos contemplam diferentes áreas culturais e seguem abertos até 26 de maio

Descrição da imagem

Variedades • 07:10h • 27 de abril de 2026

Últimos dias de abril em Assis terão calor, variação de nuvens e chance de chuva

Previsão indica pancadas isoladas e trovoadas entre segunda e quarta-feira, com temperaturas acima dos 30º

Descrição da imagem

Economia • 19:35h • 26 de abril de 2026

Na Copa, não é só vender mais: é encantar para fazer o cliente voltar

Especialista aponta que marcas que criam experiência durante picos de consumo conseguem transformar vendas pontuais em fidelização

Descrição da imagem

Saúde • 18:46h • 26 de abril de 2026

Superbactérias: quando nem os antibióticos funcionam e o hospital vira zona de risco

Caso em UTI neonatal no Sul do país expõe limites da medicina diante de bactérias resistentes e reforça importância dos protocolos de controle

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 17:27h • 26 de abril de 2026

Leitura resiste às telas e ganha novos leitores no Brasil

Em um cenário de retomada de leitores, especialistas destacam a importância do hábito para pensamento crítico e bem-estar

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 16:43h • 26 de abril de 2026

Temporada de montanhas no Paraná: veja dicas para garantir um passeio seguro

Entre recomendações como equipamentos de segurança e roupas adequadas, manual estabelecido pelo Instituto Água e Terra reforça a necessidade do preenchimento correto do cadastro obrigatório já na entrada dos parques estaduais

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 16:09h • 26 de abril de 2026

Quatá anuncia concurso “quem toma mais chopp” e Rock Beneficente 2026

Evento será realizado no sábado, 30 de maio, e reúne música ao vivo e ação solidária

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar