Ciência e Tecnologia • 15:26h • 18 de janeiro de 2026
Pesquisadores da UFABC desenvolvem composto promissor contra o Alzheimer
Substância foi testada em ratos por grupo da UFABC e obteve resultados positivos; grupo busca agora parceria com empresas farmacêuticas para a realização de ensaios clínicos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) desenvolveu um novo composto químico com potencial para o tratamento da doença de Alzheimer. A pesquisa, que reuniu simulações computacionais, testes em culturas celulares e experimentos em animais, apresentou resultados animadores. Agora, os cientistas buscam parceria com empresas farmacêuticas para avançar rumo aos ensaios clínicos.
Os compostos foram sintetizados com apoio da Fapesp e têm como principal ação a degradação das placas beta-amiloides, acúmulos proteicos que se formam no cérebro de pessoas com Alzheimer. Esses depósitos inflamam o tecido nervoso e prejudicam a comunicação entre neurônios. Segundo o artigo publicado na revista ACS Chemical Neuroscience, o diferencial da nova molécula está em sua capacidade de atuar como quelante de cobre — ou seja, de se ligar ao excesso do metal presente nas placas e facilitar sua quebra, reduzindo sintomas da doença.
Nos testes realizados em ratos, um dos compostos se destacou: diminuiu a perda de memória, melhorou o aprendizado e a orientação espacial, e promoveu uma reversão bioquímica no padrão das placas beta-amiloides. Para Giselle Cerchiaro, professora do Centro de Ciências Naturais e Humanas da UFABC e coordenadora da pesquisa, o resultado se alinha às descobertas da última década, que vêm apontando o papel dos íons de cobre na agregação dessas placas. “A regulação do equilíbrio do cobre tem se tornado um dos focos para o tratamento do Alzheimer”, afirma.
A partir desse entendimento, a equipe sintetizou moléculas capazes de atravessar a barreira hematoencefálica e sequestrar o cobre acumulado no cérebro. De dez estruturas desenvolvidas, três avançaram para os testes em animais, e uma apresentou o melhor desempenho em eficácia e segurança.
O estudo integrou diferentes níveis de formação acadêmica: foi tema de doutorado da pesquisadora Mariana Camargo, de mestrado de Giovana Bertazzo e de iniciação científica de Augusto Farias. O trabalho contou ainda com colaboração de um grupo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), responsável por parte da síntese química.
Nos experimentos, o composto reduziu a neuroinflamação, diminuiu o estresse oxidativo e restabeleceu o equilíbrio de cobre no hipocampo, região fundamental para a memória. Os animais tratados também apresentaram melhor desempenho em tarefas de orientação espacial. Além disso, não foram observados sinais de toxicidade nem em culturas de células nem nos próprios roedores. As simulações computacionais confirmaram que a molécula é capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e atuar diretamente nos locais afetados.
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa complexa, sem cura e com causas ainda pouco compreendidas. Apesar de afetar cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, as terapias disponíveis são limitadas, oferecem apenas alívio temporário ou dependem de medicamentos de alto custo, como anticorpos monoclonais.
Diante dos resultados, o grupo da UFABC depositou um pedido de patente e busca agora parceiros industriais para iniciar testes clínicos em humanos. Os pesquisadores destacam que a molécula desenvolvida é simples, segura e barata — características que podem representar um avanço importante mesmo que beneficie apenas parte dos pacientes, dada a natureza multifatorial da doença.
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