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Responsabilidade Social • 13:36h • 09 de maio de 2026

Pesquisadores alertam para impacto da poluição do oceano por mercúrio

Tema foi destaque no primeiro dia da Reunião Magna da ABC, no Rio

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

Atualmente, cerca de 230 mil toneladas de mercúrio estão espalhadas pelos oceanos e costumam permanecer no ambiente marinho por cerca de 300 anos.
Atualmente, cerca de 230 mil toneladas de mercúrio estão espalhadas pelos oceanos e costumam permanecer no ambiente marinho por cerca de 300 anos.

O aquecimento global tem intensificado a conversão do mercúrio em metilmercúrio, uma forma mais tóxica que se acumula na cadeia alimentar e pode chegar aos seres humanos principalmente pelo consumo de peixes.

Atualmente, cerca de 230 mil toneladas de mercúrio estão presentes nos oceanos, onde podem permanecer por aproximadamente 300 anos. Os dados foram apresentados pelo químico Lars-Eric Heimbürger-Boavida, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), durante a Reunião Magna de 2026 da Academia Brasileira de Ciências, realizada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Segundo o pesquisador, estimativas anteriores eram muito mais altas, chegando a apontar até 100 milhões de toneladas e permanência superior a 100 mil anos. Parte do mercúrio chega ao oceano por processos naturais, como atividade vulcânica e erosão de rochas, mas a principal origem é a ação humana, incluindo queima de combustíveis fósseis, mineração, atividades industriais e desmatamento.

Ele destacou que já existe base científica suficiente para embasar decisões políticas, como a implementação da Convenção de Minamata sobre Mercúrio, que busca reduzir a exposição ao metal. No entanto, não é possível impedir a ação de bactérias que transformam o mercúrio em metilmercúrio. A estratégia mais eficaz é reduzir as emissões. Com o aumento das temperaturas, essas bactérias se tornam mais ativas, agravando o problema. Em regiões como o Ártico, o aquecimento também favorece a liberação de mercúrio armazenado em geleiras.

A poluição por mercúrio também foi abordada pelo biólogo Carlos Eduardo de Rezende, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), que destacou o caráter global do contaminante. O metal pode circular pela atmosfera e se redistribuir pelo planeta, independentemente de sua origem. A matéria orgânica tem papel importante nesse processo, pois influencia a retenção e a mobilidade do mercúrio nos ecossistemas.

Em regiões como a bacia do Rio Paraíba do Sul, alterações no uso do solo e a persistência de atividades como a mineração ilegal afetam a dinâmica do metal no ambiente. O pesquisador ressaltou que ainda há lacunas no entendimento do ciclo global do mercúrio, especialmente diante das mudanças climáticas e da transição energética.

O encontro da Academia Brasileira de Ciências segue até 7 de maio e reúne especialistas do Brasil e do exterior para discutir os desafios relacionados à ciência oceânica. Pesquisadores destacam que os oceanos têm papel essencial no equilíbrio do planeta e no bem-estar de milhões de pessoas, mas enfrentam pressões crescentes, como poluição, exploração intensiva de recursos e os efeitos das mudanças climáticas.

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