Economia • 11:26h • 22 de outubro de 2026
Pesquisa revela que até grandes empresas compram produtos de limpeza no mercado informal
Levantamento da ABIPLA revela avanço das compras fora do mercado regular, inclusive entre grandes empresas; exposição econômica pode alcançar R$ 8 bilhões
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
A compra de produtos de limpeza no mercado informal está presente em 22,1% das empresas e 16,2% dos lares brasileiros, segundo a Pesquisa de Informalidade 2026, realizada pela Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes (ABIPLA), por meio da Mosaiclab. O levantamento revela que a prática avançou nos últimos anos, alcança consumidores de diferentes faixas de renda e também está presente em grandes empresas. A exposição econômica associada a esse mercado pode chegar a R$ 8 bilhões.
Apesar dos índices, a pesquisa mostra que a maioria dos consumidores não depende exclusivamente de fornecedores informais. Apenas 2% das empresas e dos lares compram produtos de limpeza somente por esses canais. Nos demais casos, as aquisições informais ocorrem paralelamente às compras em supermercados, atacarejos, distribuidores e outros estabelecimentos regulares.
Entre os consumidores residenciais, 84% utilizam exclusivamente o mercado formal, enquanto aproximadamente 14% alternam entre fornecedores regulares e informais. No setor empresarial, 78% compram apenas de estabelecimentos formais e cerca de 21% utilizam os dois canais.
A presidente-executiva da ABIPLA, Jordana Saldanha, explica que essa combinação dificulta a identificação da informalidade e cria diferenças nas condições de concorrência entre fabricantes regularizados e fornecedores que não seguem as mesmas exigências.
Informalidade cresce pelo terceiro ano consecutivo
Os dados mostram uma trajetória de crescimento na participação das compras informais de produtos de limpeza. Nos lares brasileiros, o índice passou de 11% em 2024 para 14% em 2025 e aproximadamente 16% em 2026.
Entre as empresas, a evolução foi de 17% para 20% e 22% no mesmo período, indicando que a prática também se ampliou nas compras realizadas por estabelecimentos comerciais, industriais e prestadores de serviços.
O levantamento contraria a percepção de que a informalidade estaria concentrada apenas em famílias de baixa renda ou pequenos negócios. Entre as empresas de grande porte, 26% registraram compras informais, percentual superior aos 15,7% identificados entre as microempresas.
Na análise por atividade econômica, a indústria de transformação apresentou a maior incidência, com 42,8%, seguida pelo agronegócio, com 31,3%.
Detergentes e desinfetantes estão entre os produtos mais afetados
A participação do mercado informal varia conforme a categoria de produto. Entre os compradores empresariais, os maiores índices aparecem nos detergentes para máquinas de lavar louça, com 47%, e nos desinfetantes destinados a lactários, com 46%.
Nos lares brasileiros, o solvente tipo aguarrás apresentou incidência de 34%, enquanto limpa-carpetes e diluentes do tipo thinner registraram 33% cada.
Esses percentuais representam a presença de compras informais entre os consumidores das respectivas categorias, e não a participação desses produtos no faturamento total do setor. Mesmo nos segmentos com índices mais elevados, a pesquisa indica que as compras formais continuam predominantes.
Segundo a ABIPLA, a informalidade também levanta preocupações relacionadas à segurança dos produtos e às condições de trabalho. Fabricantes clandestinos podem operar sem estrutura adequada para manipulação de substâncias químicas, colocando trabalhadores e consumidores em situações de risco.
Mercado exposto à informalidade pode chegar a R$ 8 bilhões
Com base nos resultados da pesquisa e nas estimativas de dimensão dos mercados doméstico e profissional, o Anuário ABIPLA 2026 calculou uma exposição econômica potencial de aproximadamente R$ 8 bilhões.
A associação esclarece que esse valor não representa o faturamento efetivamente comprovado de fornecedores informais. Trata-se de uma estimativa do tamanho da parcela do mercado que apresenta algum contato com esse tipo de compra.
Para Jordana Saldanha, o enfrentamento do problema depende de fiscalização, acesso a produtos regularizados e conscientização dos consumidores sobre a procedência e a segurança dos itens adquiridos.
“Combater a informalidade passa por fiscalização, mas também por informação, acesso a produtos regularizados e condições equilibradas de concorrência. É uma agenda que interessa à indústria, ao consumidor e ao próprio desenvolvimento do mercado formal”, afirma.
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