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Saúde • 14:22h • 11 de janeiro de 2026

Pesquisa revela benefícios do mindfulness para mulheres com dor na articulação da mandíbula

Estudo da USP mostra que a prática de meditação promove alívio físico e equilíbrio psicológico em portadoras de disfunção temporomandibular (DTM)

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

Pesquisa acompanhou 53 mulheres entre 18 e 61 anos, todas diagnosticadas com DTM crônica, recrutadas no serviço especializado da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP
Pesquisa acompanhou 53 mulheres entre 18 e 61 anos, todas diagnosticadas com DTM crônica, recrutadas no serviço especializado da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP

Conviver com dor crônica afeta não apenas o corpo, mas também a mente e as emoções — realidade enfrentada por milhares de pessoas com disfunção temporomandibular (DTM), condição que compromete a articulação responsável por abrir e fechar a boca e os músculos da mastigação. Para quem sofre com o problema, dores frequentes na mandíbula, têmporas, face ou ao redor do ouvido, dificuldade para mastigar e até dores de cabeça tornam-se parte da rotina e podem impactar a saúde mental.

Um estudo da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP), financiado pela Fapesp, mostrou que a prática regular de mindfulness — técnica meditativa que desenvolve foco e atenção plena — pode reduzir a sensibilidade à dor e melhorar a regulação emocional. Os resultados foram publicados no Journal of Oral Rehabilitation.

A pesquisa foi conduzida no primeiro Centro de Mindfulness e Terapias Integrativas da USP, criado em 2016, sob coordenação da enfermeira e professora Edilaine Gherardi-Donato. O objetivo era avaliar se a prática poderia aliviar a dor crônica associada à DTM, considerando fatores neurofisiológicos e psicológicos, como estresse, ansiedade e o fenômeno conhecido como “catastrofização da dor” — quando a pessoa concentra toda a atenção na dor, aumentando sua percepção negativa.

Segundo a pesquisadora, a dor crônica causa sofrimento físico e emocional. “Quando promovemos saúde mental por meio de estratégias que conectam corpo e mente, prevenimos o adoecimento e ampliamos a qualidade de vida”, afirma. A DTM é de duas a três vezes mais comum entre mulheres e pode se tornar crônica após meses de persistência, prejudicando sono, humor e provocando hiperalgesia — quando o corpo responde de forma exagerada a estímulos dolorosos.

Nesses casos, o sistema nervoso entra em estado constante de alerta, ampliando a percepção da dor para outras partes do corpo. “Quando isso ocorre, a dor deixa de ser apenas um problema articular e se torna um fenômeno de modulação do sistema nervoso central, exigindo uma abordagem multidimensional”, explica a pesquisadora.

Como o estudo foi conduzido

O ensaio clínico randomizado acompanhou 53 mulheres de 18 a 61 anos com DTM crônica, atendidas na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp-USP) ou recrutadas por meio de divulgações. Metade delas participou de um programa de mindfulness por oito semanas, com encontros semanais de duas horas e um encontro de imersão de quatro horas na natureza. As participantes também receberam áudios das práticas para realizar exercícios em casa diariamente. O grupo-controle não recebeu intervenção no período.

A escolha de avaliar apenas mulheres considerou que elas são mais afetadas pela condição e apresentam variação hormonal que poderia influenciar os resultados. As práticas começavam com cinco minutos e evoluíam até 30 minutos por dia, incluindo exercícios formais (atenção à respiração, ao corpo, aos pensamentos e às emoções) e práticas informais, como trazer atenção plena a tarefas cotidianas

Segundo Gherardi-Donato, a progressão gradual é essencial. “Não podemos exigir que quem nunca praticou mindfulness medite por meia hora logo no início. O aprendizado deve ser simples e natural.”

Após oito semanas, as participantes do programa apresentaram melhora significativa no limiar de dor à pressão, suportando estímulos mais intensos antes de sentir dor. Houve redução de pontos dolorosos na face e no corpo, diminuição do estresse e da catastrofização.

As mulheres também relataram maior controle da atenção e melhor capacidade de lidar com a dor. “A dor continuava presente, mas deixava de ocupar toda a atenção, abrindo espaço para autocuidado e para lidar de maneira mais consciente com emoções e pensamentos negativos”, afirma.

Outro resultado importante foi a melhora da consciência corporal e da regulação emocional. A prática ajudou as participantes a lidar de forma mais equilibrada com sensações difíceis, reduzindo a tendência a ruminar sobre a dor. Apesar de não terem sido observadas mudanças significativas nos sintomas de ansiedade e depressão, os avanços em estresse, percepção da dor e habilidades cognitivas e atencionais são considerados importantes.

Baixo custo e disponível no SUS

O estudo reforça que práticas integrativas como o mindfulness podem contribuir significativamente para o manejo da dor crônica, especialmente em condições complexas como a DTM. Além disso, trata-se de uma intervenção de baixo custo, acessível e já prevista na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS desde 2017 (Portaria nº 849).

Para Gherardi-Donato, o impacto vai além do alívio físico. “O programa resgata habilidades cognitivas e emocionais essenciais. A pessoa aprende a sustentar a atenção e a estar presente no dia a dia. Não é apenas sentar para meditar — é desenvolver uma forma mais consciente de viver”, conclui.

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