• Editorial: A lei que confunde tecnologia com jornalismo
  • Entre 10 e 11 de janeiro, Júpiter vira o grande espetáculo do céu noturno
  • Ultrassecreto: CIA e o tratamento incomum para um “simples cometa” no caso 3I/ATLAS
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 15:58h • 06 de maio de 2025

Pesquisa identifica mecanismo relacionado com gravidade de casos de Covid-19

Estudo da Fiocruz identifica que a desregulação de receptores do sistema SRAA pode explicar por que idosos e pessoas com comorbidades desenvolvem formas mais graves da Covid-19

Da Redação com informações da Fiocruz | Foto: Max Gomes

Amostras de sangue de 88 pessoas hospitalizadas no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) foram analisadas na pesquisa
Amostras de sangue de 88 pessoas hospitalizadas no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) foram analisadas na pesquisa

Por que alguns pacientes de Covid-19 apresentam sintomas mais severos do que outros? Essa pergunta intriga a comunidade científica há cinco anos, quando a pandemia causada pelo vírus Sars-CoV-2 foi declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Embora a resposta ainda não esteja totalmente definida, uma pesquisa liderada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e publicada na revista científica BMC Infectious Diseases apresenta mais um elemento para solucionar o enigma, abrindo portas para o desenvolvimento de novas terapias e estratégias para prever casos graves da doença.

Analisando amostras de sangue de pacientes internados com Covid-19, o estudo detectou correlação entre a gravidade da doença e a desregulação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) — um conjunto de proteínas, enzimas e outros mecanismos que regula a pressão arterial e a resposta inflamatória do corpo. Entre outros dados, as análises identificaram expressão reduzida de proteínas que atuam como receptores do sistema SRAA em pacientes idosos e com comorbidades, como diabetes e hipertensão arterial, que desenvolveram quadros mais graves de Covid-19, com maior taxa de mortalidade.

O trabalho foi realizado por pesquisadoras do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular e do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical do IOC, com parceria do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Segundo as autoras, os resultados ampliam as evidências sobre o papel central dos receptores do sistema SRAA na evolução da Covid-19.

“Já sabíamos que um receptor do sistema SRAA estava diretamente envolvido na infecção pelo SARS-CoV-2. Uma proteína desse grupo, chamada ACE2, participa do mecanismo de entrada do vírus nas células. O patógeno se liga a esse receptor para invadir e infectar o organismo”, comenta a biomédica Thais Fernandes, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical do IOC.

Para entender a influência do coronavírus no eixo renina-angiotensina-aldosterona, a equipe decidiu expandir a análise para todos os receptores desse grupo. “Além da proteína ACE2, tivemos a ideia de investigar o comportamento dos outros receptores do sistema durante a infecção. Observamos que vários deles — como MAS1 e ACE — apresentaram redução de expressão nos pacientes mais graves. Isso significa que a infecção compromete mecanismos essenciais de regulação do organismo, como a inflamação e a função vascular, o que agrava os sintomas, tanto na fase aguda quanto a longo prazo”, complementa.

Outro destaque do artigo é a constatação de que o sistema SRAA permanece desregulado por um longo período, o que pode ajudar a explicar os sintomas da chamada ‘Covid longa’.

“Esperávamos que o sistema SRAA já estivesse regulado após 300 dias, na segunda etapa das amostras, mas não. Os dados indicam uma persistência do vírus no organismo devido ao prolongamento da desregulação do sistema”, diz a pesquisadora do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC, Dalziza Victalina de Almeida, que orientou a pesquisa.

Menos receptores e maior risco

A pesquisa analisou amostras de sangue de 88 pessoas hospitalizadas no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), tanto na fase aguda da Covid-19 quanto cerca de 300 dias após o início dos sintomas. Para fins de comparação, amostras de 20 indivíduos saudáveis também foram incluídas nos estudos.

Os resultados mostram que a infecção pelo coronavírus, por si só, tem a capacidade de reduzir a presença de receptores do sistema SRAA, especialmente na fase aguda. Além disso, a doença tende a ser ainda mais grave em pacientes que já apresentavam taxas naturalmente reduzidas dessas moléculas, como pessoas idosas ou com comorbidades — como diabetes e hipertensão arterial.

Nesses grupos, receptores como ACE2 e MAS1, que ajudam a controlar a inflamação e a saúde dos vasos sanguíneos, estão em número bem menor do que o normal, tanto na fase aguda quanto meses depois da infecção. Mudanças significativas na expressão de microRNAs (miRNAs) — pequenas moléculas que regulam a expressão gênica — também foram identificadas em pacientes com sintomas severos, o que reforça o impacto da infecção sobre os mecanismos reguladores do corpo.

A descoberta ajuda a responder por que indivíduos idosos e com comorbidades têm maior risco de desenvolver sintomas mais graves de Covid-19. Com base nos achados, as pesquisadoras sugerem que receptores como ACE2 e MAS1 podem ser protagonistas de novas estratégias terapêuticas contra o agravo.

“Criar terapias específicas para regular a expressão de miRNAs e consequentemente de receptores SRAA pode trazer uma nova luz para o tratamento da Covid-19. Isso permitiria criar medicamentos e intervenções mais direcionadas e com menor impacto em outras funções do organismo, que já podem estar fragilizadas devido à doença”, conclui Thais.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Educação • 17:09h • 10 de janeiro de 2026

Pé-de-Meia Licenciaturas amplia acesso à formação docente e Sisu oferece 73,6 mil vagas em 2026

Programa do Ministério da Educação garante bolsa mensal de R$ 1.050 a estudantes com bom desempenho no Enem que optarem por cursos presenciais de licenciatura

Descrição da imagem

Mundo • 16:53h • 10 de janeiro de 2026

Brasil coloca 13 aeroportos entre os mais eficientes do mundo em 2025

Relatório internacional aponta desempenho consistente de terminais brasileiros e destaca Brasília com a 2ª melhor pontualidade global entre aeroportos de médio porte

Descrição da imagem

Saúde • 16:20h • 10 de janeiro de 2026

Nem todo ultraprocessado é igual: o papel do whey protein na dieta

Especialistas explicam por que o whey protein se destaca dos vilões industrializados e pode turbinar seus ganhos sem culpa

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 15:31h • 10 de janeiro de 2026

Folia de Reis movimenta Tarumã com programação cultural e religiosa neste domingo

Evento no dia 11 de janeiro reúne missa, almoço comunitário, encontro das bandeiras e apresentações de artistas locais

Descrição da imagem

Saúde • 15:02h • 10 de janeiro de 2026

Crianças com dificuldade motora percebem menos o ambiente, aponta pesquisa

Pesquisa da UFSCar reforça necessidade de profissionais da saúde e da educação considerarem processamento sensorial para ampliar estratégias de apoio em casos de dispraxia infantil

Descrição da imagem

Mundo • 14:48h • 10 de janeiro de 2026

Balanço dos transportes: CNH do Brasil, recorde de leilões e retomada ferroviária marcaram 2025

Ano consolidou investimentos históricos em rodovias, lançou programa que amplia acesso à habilitação e definiu nova política para ferrovias no país

Descrição da imagem

Saúde • 14:19h • 10 de janeiro de 2026

Exercício físico pode fortalecer ação de células contra o câncer, aponta estudo

Achados abrem caminho para possíveis terapias complementares ao tratamento convencional do câncer, associando planos de exercícios personalizados e intervenções na microbiota, como dietas específicas ou probióticos

Descrição da imagem

Saúde • 13:44h • 10 de janeiro de 2026

SUS passa a oferecer nova apresentação de tratamento contra hepatite C para crianças

Medicamento em grânulos facilita a adesão e amplia o acesso de pacientes de 3 a 11 anos ao tratamento da doença crônica

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia

Como se preparar para o primeiro apagão cibernético de 2025