Responsabilidade Social • 14:21h • 20 de outubro de 2026
Pesquisa australiana expõe impacto do preconceito sobre a saúde mental da população LGBTQIA+
Pesquisa da Universidade Monash revela desigualdades na saúde mental e associa o cenário a fatores como discriminação, estigma, exclusão social e dificuldades de acesso ao atendimento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Monash | Foto: Divulgação
Pessoas LGBTQIA+ na Austrália apresentam risco até três vezes maior de desenvolver transtornos mentais em comparação com a população heterossexual e cisgênero, segundo uma pesquisa conduzida pela Universidade Monash. O estudo analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde Mental e Bem-Estar, realizada pelo Departamento Australiano de Estatísticas entre 2020 e 2022, e identificou diferenças expressivas nos diagnósticos, nos níveis de sofrimento psicológico e nos impactos sobre a vida cotidiana.
Os resultados mostram que mais da metade das pessoas cisgênero não heterossexuais e mais de um terço das pessoas transgênero apresentam diagnóstico de algum transtorno mental. O risco de sofrimento psicológico elevado ou muito elevado pode ser até 3,5 vezes maior entre os grupos analisados, dependendo dos indicadores considerados.
Para a investigação, os pesquisadores dividiram os participantes em três categorias: pessoas cisgênero heterossexuais, pessoas cisgênero não heterossexuais e pessoas transgênero de qualquer orientação sexual. Os transtornos de ansiedade foram os problemas de saúde mental mais relatados em todos os grupos.
Sofrimento psicológico e impactos na rotina
Entre as pessoas cisgênero não heterossexuais, 41,3% apresentaram sofrimento psicológico elevado ou muito elevado. Entre os participantes transgênero, o percentual foi de 27,2%, enquanto na população cisgênero heterossexual o índice ficou em 15,5%.
A pesquisa também avaliou condições que provocam sintomas clinicamente significativos, mas não atendem a todos os critérios necessários para um diagnóstico formal de transtorno mental.
Além dos diagnósticos, os cientistas identificaram impactos sobre a capacidade de realizar atividades cotidianas. Os indicadores de incapacidade funcional foram 11,1% maiores entre participantes cisgênero não heterossexuais e 8,7% superiores entre pessoas transgênero, em comparação com o grupo cisgênero heterossexual.
Segundo Long Le, pesquisador sênior da Escola de Saúde Pública e Medicina Preventiva da Universidade Monash, os resultados demonstram que ainda existem obstáculos importantes no acesso aos cuidados de saúde mental para a população LGBTQIA+.
O pesquisador destaca que experiências de discriminação, estigmatização, exclusão social e dificuldades para encontrar serviços de saúde acolhedores podem produzir consequências duradouras para o bem-estar psicológico e o funcionamento diário dessas pessoas.
Discriminação e exclusão social estão entre os fatores associados
A pesquisadora Bernice Hua Ma, responsável principal pelo estudo, ressalta que as desigualdades identificadas não podem ser compreendidas apenas a partir de características individuais. Segundo ela, reduzir essas diferenças exige ampliar o acesso aos serviços de saúde mental e enfrentar barreiras sociais e estruturais que prejudicam o atendimento à população LGBTQIA+.
A avaliação é compartilhada por Rebecca Smith, coautora da pesquisa e representante da organização LGBTIQ+ Health Australia, que defende a participação de entidades comunitárias na elaboração de políticas públicas e estratégias de atendimento.
Smith também ressalta que as desigualdades em saúde mental não são uma consequência inerente de ser LGBTQIA+, mas estão relacionadas a fatores como preconceito, discriminação, estresse de minoria e outras condições sociais que afetam a saúde.
Os pesquisadores defendem que os resultados sejam utilizados para orientar políticas públicas, melhorar a formação dos profissionais de saúde e fortalecer ambientes de atendimento seguros, inclusivos e preparados para responder às necessidades dessas populações.
O estudo foi publicado na literatura científica internacional e pode ser consultado pelo identificador digital DOI. Acesse a pesquisa científica aqui.
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