Mundo • 10:26h • 04 de março de 2026
Pesquisa: 82% das brasileiras temem estupro; maioria ocorre em casa
Em 2025, 82% das entrevistadas declararam muito medo de abuso sexual
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Oito em cada dez mulheres brasileiras vivem com medo constante de ser vítimas de estupro. É o que revela uma pesquisa inédita do Instituto Patrícia Galvão e do Instituto Locomotiva, divulgada na segunda-feira (2). O número cresceu nos últimos anos, era 78% em 2020, passou para 80% em 2022 e chegou a 82% em 2025. Somando as que dizem ter "um pouco de medo", o índice chega a 97% das entrevistadas. Os dados trazem ainda um dado que desmonta um mito: na maioria absoluta dos casos, o agressor não é um desconhecido, é alguém de dentro de casa.
A pesquisa Percepções sobre Direitos de Meninas e Mulheres Grávidas Pós-Estupro, que ouviu 1,2 mil pessoas de todas as regiões do Brasil, mostra que o medo da violência sexual cresce entre as mulheres há pelo menos cinco anos, e que ele é ainda mais intenso entre os grupos mais vulneráveis. Entre jovens de 16 a 24 anos, 87% relatam ter "muito medo". Entre mulheres negras, esse índice sobe para 88%.A diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão, Marisa Sanematsu, resume o que os números mostram: o medo não tem hora nem lugar. Segundo ela, as mulheres desenvolvem estratégias próprias de proteção no cotidiano: evitam sair à noite, escolhem roupas pensando na segurança, preferem andar acompanhadas e optam por trajetos mais longos para se sentirem um pouco menos expostas.O agressor mora pertoOs dados derrubam o estereótipo do "estuprador desconhecido". A pesquisa aponta que 84% dos estupros foram cometidos por um homem do círculo social da vítima, amigo, familiar, parceiro ou conhecido.
O cenário é ainda mais grave quando se analisam os casos envolvendo crianças e adolescentes de até 13 anos: 72% foram
O agressor mora perto
Os dados derrubam o estereótipo do "estuprador desconhecido". A pesquisa aponta que 84% dos estupros foram cometidos por um homem do círculo social da vítima, amigo, familiar, parceiro ou conhecido.violentadas dentro da própria casa. Em metade desses casos, o agressor era um familiar. Em um terço, era um amigo ou conhecido da família.
Mesmo entre mulheres violentadas a partir dos 14 anos, a maioria dos casos também ocorreu no ambiente doméstico: 59% sofreram o abuso dentro de casa, e 76% dos agressores eram pessoas conhecidas, incluindo parceiros íntimos e ex-companheiros.
O silêncio como barreira
A pesquisa também aponta um obstáculo grave para o enfrentamento da violência sexual: o silêncio das vítimas. Oito em cada dez brasileiros acreditam que as mulheres nunca, ou quase nunca, revelam a violência que sofreram. E os dados confirmam esse comportamento: o medo de não ser acreditada, a vergonha e o vínculo com o agressor são os principais fatores que impedem as vítimas de denunciar.
Uma primeira onda da pesquisa, publicada em setembro de 2025, já havia revelado que 15% das entrevistadas eram sobreviventes de estupro e que oito em cada dez delas sofreram a violência pela primeira vez com 13 anos ou menos.
O que fazer em caso de violência sexual
Para mulheres em situação de violência sexual, o atendimento pode ser buscado nas seguintes vias:
- Central de Atendimento à Mulher: ligue 180 (gratuito, 24 horas)
- Delegacia de Defesa da Mulher (DDM)
- CRAS e CREAS oferecem acompanhamento psicossocial a vítimas de violência
- Pronto-socorro: em casos de violência recente, a vítima tem direito a atendimento médico, coleta de evidências e acesso à pílula do dia seguinte pelo SUS, sem necessidade de boletim de ocorrência prévio
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas
Ciência e Tecnologia
Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento
Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar
Ciência e Tecnologia
3I/ATLAS surpreende e se aproxima da esfera de Hill de Júpiter com precisão inédita