Ciência e Tecnologia • 13:15h • 19 de outubro de 2026
Pele de tilápia e membranas de celulose transformam tratamento de feridas no Brasil
Tecnologias utilizadas como coberturas temporárias ampliam as possibilidades de cicatrização, proteção e conforto dos pacientes; país deve ganhar fábrica especializada em curativos de pele de peixe em 2028
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Souk Assessoria | Foto: Divulgação
O tratamento de queimaduras, úlceras e outras lesões de pele está ganhando novas alternativas com o desenvolvimento de curativos produzidos a partir de materiais biológicos. No Brasil, a pele de tilápia avança como cobertura temporária, enquanto membranas de celulose bacteriana já são comercializadas para diferentes tipos de feridas. A previsão de instalação, em 2028, da primeira fábrica do mundo dedicada à produção de curativos derivados da pele desse peixe reforça o crescimento de tecnologias voltadas à proteção das lesões e ao conforto dos pacientes.
Além da cicatrização, a escolha de um curativo envolve fatores como controle de secreções, presença de odores, necessidade de trocas e facilidade de manejo. Essas características podem influenciar diretamente a rotina de pessoas que enfrentam tratamentos prolongados, especialmente quando as feridas exigem acompanhamento contínuo.
Embora compartilhem a função de cobertura temporária, a pele de tilápia e as membranas de celulose possuem origens, estruturas e indicações diferentes. A escolha depende das características de cada lesão e da avaliação dos profissionais responsáveis pelo tratamento.
Pele de tilápia ganha espaço no tratamento de queimaduras
A utilização da pele de tilápia representa uma das linhas de pesquisa brasileiras voltadas ao desenvolvimento de coberturas biológicas. O material, de origem animal, adere à superfície da ferida e funciona como proteção temporária durante o processo de recuperação.
As evidências clínicas brasileiras disponíveis concentram-se principalmente em queimaduras de segundo grau, especialmente as superficiais. A previsão de inauguração de uma fábrica especializada em 2028 representa uma nova etapa para essa tecnologia, que já é objeto de estudos e aplicações clínicas.
Outra alternativa é a Membracel, membrana regeneradora porosa desenvolvida pela empresa paranaense Vuelo Pharma e comercializada no Brasil desde 2010. Produzida a partir de celulose cristalina sintetizada por bactérias do gênero Acetobacter, possui uma estrutura que permite a drenagem das secreções para uma cobertura absorvente externa, enquanto permanece sobre a lesão como barreira física de proteção.
“Quando falamos em inovação para o tratamento de feridas, é importante olhar para o conjunto da experiência. A cicatrização é o objetivo central, mas a proteção, o manejo, conforto e as condições enfrentadas pelo paciente durante o tratamento também fazem parte desse processo”, afirma Thiago Moreschi, CEO da Vuelo Pharma.
Tecnologia brasileira ultrapassa 1,6 milhão de unidades comercializadas
Segundo a fabricante, foram comercializadas 1.632.757 unidades da Membracel até 30 de junho de 2026. A tecnologia também está presente em mais de 15 países da América Latina e do Caribe, incluindo Colômbia, Chile, Costa Rica e México.
Entre as aplicações informadas estão queimaduras de segundo grau, escoriações, dermoabrasões, áreas doadoras e receptoras de enxertos e úlceras venosas, arteriais e por pressão. Essas indicações abrangem diferentes lesões com perda do epitélio, camada que reveste a superfície da pele.
A diversidade de aplicações evidencia uma diferença entre as tecnologias. Enquanto os estudos brasileiros com pele de tilápia se concentram principalmente nas queimaduras, a membrana de celulose é apresentada pela fabricante como alternativa para um conjunto mais amplo de feridas.
Escolha do curativo depende das características da lesão
A presença de materiais de origem animal e bacteriana mostra que a inovação no tratamento de feridas segue diferentes caminhos. Cada cobertura apresenta propriedades específicas, que precisam ser consideradas conforme a profundidade, a localização e as condições clínicas da lesão.
A quantidade de indicações ou as diferenças de composição não permitem concluir que uma tecnologia seja superior à outra. A avaliação profissional continua fundamental para definir o material mais adequado, acompanhar a cicatrização e orientar os cuidados necessários durante o tratamento.
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