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Saúde • 08:35h • 07 de dezembro de 2025

OMS amplia 1ª diretriz ao acesso de canetas emagrecedoras no tratamento da obesidade

Orientação internacional reforça uso de terapias com GLP-1 e acende alerta para riscos da automedicação segundo especialista brasileira

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Arquivo/Âncora1

OMS publica diretriz inédita e amplia acesso a canetas emagrecedoras no mundo
OMS publica diretriz inédita e amplia acesso a canetas emagrecedoras no mundo

A Organização Mundial da Saúde publicou na segunda-feira, 1º de dezembro, sua primeira diretriz sobre terapias à base de GLP-1 no tratamento de obesidade, ampliando o debate sobre o uso das chamadas canetas emagrecedoras. A recomendação internacional surge em um cenário em que a obesidade permanece associada a parte significativa das principais causas de morte no mundo e, no Brasil, registrou aumento de 75,3% nos óbitos relacionados à condição nos últimos 14 anos. Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, diretora clínica da Atma Soma, a publicação reforça a importância de orientação adequada e acompanhamento médico.

O documento da OMS indica que adultos, exceto gestantes, podem utilizar terapias com GLP-1 de forma prolongada, desde que atendam aos critérios clínicos previstos para o tratamento da obesidade. Embora a eficácia dessas tecnologias esteja amplamente documentada, a organização aponta que ainda faltam dados conclusivos sobre segurança no uso contínuo por longos períodos.

No Brasil, medicamentos como Mounjaro, Ozempic, Wegovy e outros se popularizaram rapidamente, ampliando a procura por alternativas de manejo do peso corporal. Rascovski avalia que a diretriz global reforça a necessidade de educação em saúde. A médica destaca que reduções de peso entre 9% e 25%, observadas em estudos conforme molécula e protocolo, não dispensam acompanhamento clínico. Ela explica que a obesidade, assim como a diabetes, é uma doença crônica recidivante, que não pode ser tratada apenas com mudanças de hábitos.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pontuou que a medicação isoladamente não resolverá o problema global. As terapias podem ajudar milhões de pessoas, mas exigem políticas de prevenção e atenção contínua. Para especialistas, a automedicação e o uso motivado por fins exclusivamente estéticos trazem riscos como alterações metabólicas e efeitos adversos importantes.

Segundo Rascovski, o uso responsável das canetas requer equilíbrio entre inovação, segurança e políticas públicas. Ela ressalta que o ambiente atual, marcado por consumo elevado de ultraprocessados, rotina sedentária e longas jornadas diante de telas, favorece o avanço da obesidade. A médica defende estratégias amplas de prevenção, que envolvam educação alimentar, atividade física e acompanhamento especializado.

A diretriz também reacende o debate sobre diferenças entre as canetas disponíveis no mercado. Saxenda, feita com liraglutida, promove reduções médias de 9% do peso corporal e exige aplicação diária. Wegovy, à base de semaglutida, oferece redução média de 17% do peso corporal e é indicado para adultos com IMC a partir de 30 ou acima de 27 com comorbidades. Ozempic, também feito com semaglutida, tem dosagem voltada ao controle glicêmico em diabetes tipo 2. Já Mounjaro e Zepbound, com tirzepatida, apresentam reduções próximas de 25% do peso corporal após o tratamento completo.

Para especialistas, a publicação da OMS representa avanço importante, mas reforça que o uso das terapias exige monitoramento médico e responsabilidade compartilhada entre pacientes, profissionais de saúde e sistemas públicos.

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