Ciência e Tecnologia • 18:31h • 19 de setembro de 2026
Oito planetas entram no radar da busca por vida fora da Terra e um deles é 98% parecido com o nosso
Pesquisador brasileiro analisou dados de mais de 6 mil exoplanetas e identificou mundos com características que podem favorecer a presença de água líquida
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Em algum lugar a 16 anos-luz da Terra existe um planeta que, segundo uma pesquisa desenvolvida no Observatório Nacional, apresenta 98% de similaridade com o nosso. Chamado GJ 1002b, ele lidera uma seleção de oito exoplanetas identificados pelo pesquisador brasileiro Fábio Calabrio Evangelista da Silva como candidatos com condições mais favoráveis à existência de água líquida e, consequentemente, com maior potencial para sustentar formas de vida.
A seleção partiu de um universo de mais de 6 mil exoplanetas catalogados em uma base de dados da Nasa. O pesquisador comparou características como raio, densidade e distância em relação à estrela que cada planeta orbita. Depois, selecionou aqueles mais semelhantes à Terra e localizados na chamada zona habitável.
Essa região ao redor de uma estrela também é conhecida como Zona dos Cachinhos Dourados. A referência vem da ideia de encontrar uma distância que não seja quente demais nem fria demais, permitindo condições nas quais a água possa permanecer em estado líquido. O estudo também estimou características atmosféricas, pressão e temperatura da superfície dos candidatos.
O mais parecido está a 16 anos-luz daqui
Entre os oito selecionados, o GJ 1002b apresentou a maior similaridade com a Terra, chegando a 98% pelos parâmetros utilizados na pesquisa. Descoberto em 2022, o planeta está a aproximadamente 16 anos-luz de distância.
Seu mundo, entretanto, funciona de maneira bastante diferente do nosso. O GJ 1002b orbita uma anã-vermelha, estrela do tipo M mais fria que o Sol, e completa uma volta ao redor dela em apenas dez dias.
Estar entre os planetas mais semelhantes à Terra não significa, porém, que exista vida por lá. O próprio trabalho utiliza nosso planeta como referência porque, até hoje, ele permanece como o único lugar onde a existência de vida é conhecida.
Também não há garantia de que uma eventual vida extraterrestre precise das mesmas condições encontradas aqui. O professor Marcelo Borges Fernandes, orientador da pesquisa, ressalta que podem existir formas de vida ainda desconhecidas e dependentes de características físicas e químicas diferentes daquelas consideradas adequadas aos organismos terrestres.
Como procurar vida em um planeta que não podemos visitar?
As enormes distâncias tornam inviável, com a tecnologia disponível atualmente, enviar missões até esses exoplanetas. A investigação precisa ser feita daqui e uma das principais pistas está justamente na atmosfera desses mundos.
Telescópios como o James Webb conseguem analisar a luz de uma estrela quando um planeta passa à sua frente. Parte dessa luz atravessa a atmosfera do exoplaneta e carrega informações sobre as substâncias químicas presentes ali. Como diferentes compostos deixam marcas próprias, os cientistas conseguem procurar indícios de sua composição.
É nesse trabalho que entram as chamadas bioassinaturas, substâncias ou combinações químicas que, na Terra, aparecem frequentemente associadas à atividade de organismos. A coexistência de metano e oxigênio é um dos exemplos investigados.

Mas encontrar uma molécula interessante está muito longe de significar a descoberta de extraterrestres.
Uma pista sozinha não prova que exista vida
O cuidado ficou evidente nas pesquisas sobre o exoplaneta K2-18b. Análises de sua atmosfera encontraram sinais de metano e dióxido de carbono e uma assinatura que poderia corresponder ao sulfeto de dimetila, o DMS, molécula produzida na Terra por seres vivos, incluindo fitoplânctons.
A descoberta despertou atenção mundial, mas substâncias consideradas potenciais bioassinaturas também podem surgir por processos não biológicos, como fenômenos geológicos, reações químicas ou efeitos da radiação. Por isso, os pesquisadores alertam que não é possível transformar uma única detecção em prova de vida extraterrestre.
Segundo José Aponte, pesquisador do Laboratório Analítico de Astrobiologia da Nasa, seriam necessárias múltiplas linhas de evidência. Entre os sinais que podem fortalecer uma hipótese estão a detecção repetida e consistente de determinadas moléculas, a predominância de uma configuração específica de moléculas quirais e padrões de isótopos semelhantes aos associados à atividade biológica terrestre.
Até mesmo encontrar os chamados ingredientes da vida não resolve o mistério.
Asteroide já revelou 14 aminoácidos usados pela vida na Terra
Amostras coletadas no asteroide Bennu mostraram como a química necessária à vida pode existir sem demonstrar que um organismo esteve ali. Cientistas identificaram 14 dos 20 aminoácidos utilizados pelos seres vivos terrestres na produção de proteínas, incluindo o triptofano, que ainda não havia sido observado em amostras extraterrestres.
Também foram encontrados fosfatos, ribose e as cinco bases nitrogenadas presentes nos nucleotídeos dos organismos terrestres. Apesar da semelhança impressionante com componentes essenciais à vida, essas moléculas podem surgir por processos abióticos e, portanto, não constituem prova de organismos extraterrestres.
Enquanto a análise de mundos distantes avança, algumas das próximas respostas podem estar bem mais perto. A missão Europa Clipper deve chegar em 2030 a Europa, lua de Júpiter que apresenta indícios de um oceano de água salgada sob sua crosta de gelo.
A missão Dragonfly tem lançamento previsto para 2028 em direção a Titan, lua de Saturno com atmosfera possivelmente rica em nitrogênio e metano líquido na superfície. A chegada está prevista para 2034, quando o robô deverá procurar indicadores químicos relacionados à possibilidade de vida. Enceladus, outra lua de Saturno, e Marte também permanecem entre os lugares de interesse na busca científica por ambientes potencialmente habitáveis.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro