Saúde • 15:10h • 27 de janeiro de 2026
Oftalmologista orienta pais a priorizarem exames de rotina antes da volta às aulas
Avaliação visual pode identificar problemas que afetam o aprendizado e o desenvolvimento infantil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Com o fim das férias e a proximidade do início do ano letivo, a preparação das famílias costuma envolver compra de material escolar, uniformes e organização da rotina. Especialistas alertam, porém, que a saúde visual também deve integrar essa lista de cuidados, já que cerca de 80% do aprendizado das crianças ocorre por meio da visão.
Dados do projeto social Em Um Piscar de Olhos, que avaliou 110.700 crianças e adolescentes de 6 meses a 15 anos em nove estados brasileiros, indicam que problemas de visão atingem aproximadamente 19% dos brasileiros em idade escolar, o equivalente a cerca de 23 milhões de pessoas. Muitas dessas alterações passam despercebidas e podem interferir diretamente no desempenho em sala de aula.
A oftalmologista Regina Cele, mestre em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo e sócia-diretora da HCLOE Oftalmologia Especializada, explica que o início do ano é um período estratégico para a avaliação ocular. “Janeiro é um dos meses com mais consultas agendadas para os pequenos. É o momento de fazer a avaliação ocular, revisar os óculos e observar a visão das crianças e dos adolescentes. Muitas vezes, dificuldades de concentração ou baixo rendimento escolar estão relacionadas a problemas visuais não diagnosticados, como miopia ou astigmatismo”, afirma.
Entre os sinais de alerta estão fechar um dos olhos para enxergar melhor, aproximar excessivamente livros, cadernos ou telas do rosto, dificuldade para copiar a lição, necessidade de sentar-se próximo à lousa, dores de cabeça frequentes e olhos vermelhos ou coçando com regularidade. Esses comportamentos podem indicar alterações oftalmológicas que exigem acompanhamento especializado.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia também chama atenção para o aumento de problemas visuais na fase escolar, com destaque para os erros refrativos. Essas alterações ocorrem quando a luz que atravessa o globo ocular sofre desvios antes de formar a imagem na retina, comprometendo a nitidez da visão.
Avanços recentes na área incluem a aprovação, pelo Food and Drug Administration, de uma nova tecnologia de lentes oftálmicas desenvolvida para retardar a progressão da miopia em crianças. Diferentemente das lentes convencionais, que apenas corrigem o grau, essa tecnologia atua no estímulo luminoso que chega à retina, ajudando a controlar o crescimento excessivo do olho, uma das principais causas do aumento da miopia na infância.
Segundo Regina Cele, fatores genéticos e o uso excessivo de telas têm contribuído para o surgimento precoce da miopia. “Agora, temos mais uma ferramenta importante no cuidado com a saúde ocular infantil, que pode ser incorporada ao acompanhamento oftalmológico regular”, observa.
Além dos sintomas visuais, pais devem estar atentos a comportamentos como esbarrar com frequência em objetos, apertar os olhos para enxergar à distância, dificuldade para reconhecer pessoas ou ler placas, desinteresse nas aulas, dispersão constante e dificuldades de interação social.
A orientação é que consultas oftalmológicas sejam realizadas, preferencialmente, uma vez por ano. “A saúde dos olhos impacta diretamente o desenvolvimento educacional e socioemocional. Cuidar da visão desde cedo contribui para uma infância com mais autonomia, segurança e qualidade de vida”, conclui a oftalmologista.
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