Saúde • 10:00h • 19 de maio de 2026
Obesidade se torna principal fator de risco à saúde no Brasil
Diagnóstico é do Estudo Global sobre Carga de Doenças
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A obesidade passou a ser o principal fator de risco para a saúde da população brasileira, superando a hipertensão arterial, que liderava esse ranking há décadas. Atualmente, a pressão alta aparece em segundo lugar, seguida pela glicemia elevada.
Os dados fazem parte da análise brasileira do Estudo Global sobre Carga de Doenças, pesquisa internacional realizada por milhares de cientistas em mais de 200 países e publicada na edição de maio da revista científica The Lancet.
O levantamento aponta que o Brasil passou por profundas mudanças no estilo de vida nas últimas décadas, impulsionadas principalmente pela urbanização. Entre os fatores associados estão a redução da prática de atividades físicas, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, dietas hipercalóricas e ricas em sal.
Segundo o endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, esses hábitos contribuíram para a criação de um “ambiente obesogênico”, favorecendo o crescimento da obesidade no país.
O especialista destaca que a obesidade vai muito além do excesso de peso. Trata-se de uma doença crônica, inflamatória e metabólica, associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e diversos tipos de câncer.
A mudança no perfil dos fatores de risco fica evidente quando os dados atuais são comparados aos de 1990. Naquela época, os principais problemas eram hipertensão, tabagismo e poluição do ar por partículas. O índice de massa corporal elevado, principal indicador da obesidade, aparecia apenas na sétima posição, enquanto a glicemia elevada ocupava o sexto lugar.
Em 2023, a obesidade assumiu a liderança após crescimento contínuo ao longo das últimas décadas, acumulando aumento de 15,3% no impacto sobre a saúde da população desde 1990.
O estudo também mostra avanços importantes. O risco relacionado à poluição do ar caiu 69,5% no período analisado. Houve ainda redução de cerca de 60% nos impactos associados ao tabagismo, à prematuridade, ao baixo peso ao nascer e aos níveis elevados de colesterol LDL.
Apesar disso, os pesquisadores observaram um leve aumento de 0,2% no risco relacionado ao tabagismo entre 2021 e 2023, interrompendo anos consecutivos de queda.
Outro dado que chama atenção é o crescimento do impacto da violência sexual na infância sobre a saúde da população. O fator registrou aumento de quase 24% desde 1990, saltando da 25ª posição para a 10ª entre os principais riscos associados à mortalidade e à perda de qualidade de vida.
Atualmente, os dez principais fatores de risco à saúde no Brasil são: obesidade, hipertensão, glicemia elevada, tabagismo, prematuridade ou baixo peso ao nascer, abuso de álcool, poluição do ar por partículas, doenças renais, colesterol alto e violência sexual na infância.
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