Variedades • 18:43h • 25 de outubro de 2026
O que muda no bolso de homens com a mesma renda? Estudo identifica nove perfis de consumo
Estudo com 70 mil consumidores identifica nove perfis de comportamento e mostra diferenças nas compras, no uso do cartão e na preferência por pagamentos à vista ou parcelados
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Edelman | Foto: Divulgação
Homens com idade, renda e localização semelhantes podem apresentar hábitos de consumo completamente diferentes, com gastos anuais que variam de R$ 5,3 mil a R$ 19,3 mil. A conclusão é de um estudo divulgado nesta quarta-feira (21) pela Serasa Experian, que analisou uma amostra de 70 mil CPFs de consumidores do Sudeste brasileiro e identificou nove perfis distintos de comportamento, considerando os produtos adquiridos, os valores gastos, os meios de pagamento e o relacionamento bancário.
A pesquisa considerou homens entre 30 e 45 anos, com renda a partir de cinco salários mínimos, fatura média de pelo menos R$ 2 mil e compras superiores a R$ 500 no comércio eletrônico durante o último ano. Apesar das semelhanças econômicas e demográficas, os resultados revelaram diferenças expressivas na maneira como esses consumidores administram seus gastos.
Entre os nove grupos identificados, a diferença entre o menor e o maior gasto médio anual chega a aproximadamente 3,6 vezes. Os dois perfis de maior consumo, por exemplo, apresentam prioridades distintas: enquanto o grupo denominado "Alimentos & Alto Gasto" concentra despesas em alimentação e compras recorrentes, o perfil "Tecnologia & Alto Gasto" direciona mais recursos para eletrônicos, móveis, eletrodomésticos, telecomunicações e cuidados pessoais.
Segundo Giovana Giroto, vice-presidente de Marketing Solutions e CMO da Serasa Experian, os dados demonstram que características tradicionais, como idade e renda, não são suficientes para compreender as decisões de compra.
A executiva explica que a combinação entre categorias de produtos, frequência de consumo, valores gastos, formas de pagamento e relacionamento financeiro permite identificar diferenças que não aparecem quando os consumidores são analisados apenas por suas condições econômicas.
Mesmo valor gasto não significa os mesmos hábitos de consumo
Uma das descobertas do levantamento envolve dois grupos com despesas anuais bastante próximas, mas comportamentos distintos. O perfil "Digitais à Vista" registra gasto médio de R$ 6.926,64 por ano, enquanto "À Vista & Cuidados" apresenta média de R$ 7.040,46.
Apesar da diferença relativamente pequena nos valores totais, o segundo grupo gasta aproximadamente 2,6 vezes mais com cuidados pessoais e 3,6 vezes mais com alimentação. Já os consumidores classificados como "Digitais à Vista" apresentam despesas maiores com eletrônicos, móveis e eletrodomésticos.
A preferência pela forma de pagamento também varia. No grupo "Digitais à Vista", 65% dos consumidores demonstram predominância de compras à vista no comércio eletrônico. Entre os integrantes de "À Vista & Cuidados", esse percentual chega a 100%.
A Serasa Experian esclarece que a classificação considera a preferência predominante identificada no histórico de compras, o que não significa necessariamente que todas as transações tenham sido realizadas sem parcelamento.
Bancos digitais e parcelamento também revelam diferenças
O estudo identificou contrastes até mesmo entre consumidores que apresentam preferências semelhantes na hora de pagar.
Nos grupos "Banco Digital & Parcelado" e "Parcelado & Duráveis", a proporção de pessoas com preferência por compras parceladas é de 82,3% e 80,5%, respectivamente. Entretanto, a relação com as instituições financeiras e os produtos adquiridos apresenta diferenças importantes.
No perfil "Banco Digital & Parcelado", todos os consumidores possuem um banco digital como instituição financeira principal. Na amostra total da pesquisa, essa característica aparece em apenas 21,4% dos participantes.
Já o grupo "Parcelado & Duráveis" se destaca pela maior presença de compras de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, indicando que a preferência pelo parcelamento pode estar associada a diferentes categorias de consumo.
Para a Serasa Experian, os resultados reforçam a importância de analisar o comportamento de compra de maneira mais ampla, especialmente para empresas que desenvolvem campanhas publicitárias e estratégias comerciais.
A pesquisa demonstra que consumidores aparentemente semelhantes podem representar públicos distintos, tanto em suas prioridades de consumo quanto nas formas de pagamento e no relacionamento com instituições financeiras.
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