Saúde • 09:49h • 02 de novembro de 2026
O perigo escondido no alívio imediato: descongestionante nasal pode causar efeito rebote
Especialista alerta que o alívio imediato pode se transformar em um ciclo de obstrução nasal, levando ao uso cada vez mais frequente do medicamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Divulgação
O uso prolongado de descongestionantes nasais, especialmente sem orientação médica, pode provocar o efeito contrário ao desejado e agravar a sensação de nariz entupido. O alerta é do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), de São Paulo, que chama a atenção para os riscos desses medicamentos durante a primavera, período em que sintomas de rinite, sinusite e outras condições respiratórias podem se intensificar.
Segundo a otorrinolaringologista Maria Dantas Godoy, do Iamspe, os descongestionantes nasais de ação vasoconstritora reduzem temporariamente o inchaço da mucosa, facilitando a passagem do ar. Entretanto, quando utilizados continuamente, podem perder a eficácia e provocar o retorno da obstrução, fazendo com que a pessoa recorra ao produto com frequência cada vez maior.
Esse processo é conhecido como efeito rebote e pode criar um ciclo de dependência do alívio proporcionado pelo medicamento. “O nariz acaba alternando entre períodos de melhora e de obstrução. É o que chamamos, popularmente, de vício”, explica a especialista.
Uso excessivo também pode afetar outros órgãos
Além de agravar a obstrução nasal, algumas substâncias presentes nesses medicamentos podem ser absorvidas pela circulação sanguínea. Nesses casos, a ação sobre os vasos sanguíneos pode atingir órgãos como o coração e os rins, aumentando o risco de complicações, especialmente em pessoas com problemas de saúde preexistentes.
A médica ressalta que os descongestionantes podem ser úteis quando utilizados por períodos curtos e com orientação profissional. O problema está no uso indiscriminado, muitas vezes motivado pela necessidade de aliviar rapidamente o nariz entupido.
Para pacientes que já desenvolveram o efeito rebote, a retirada do medicamento deve ser acompanhada por um profissional de saúde. Uma das estratégias descritas pela especialista é a redução gradual da concentração do produto, por meio de diluição progressiva com soro fisiológico, conforme orientação individualizada.
Lavagem nasal pode ajudar a aliviar os sintomas
Uma alternativa para reduzir a irritação e a obstrução nasal é a lavagem com soro fisiológico, que auxilia na limpeza das secreções e na hidratação da mucosa.
O procedimento pode ser realizado com seringa, garrafinhas próprias ou dispositivos de irrigação nasal. A escolha do método mais adequado depende das características e necessidades de cada paciente.
A orientação é procurar avaliação médica quando a obstrução persistir ou quando houver necessidade frequente de utilizar descongestionantes. Identificar a causa do problema é fundamental para evitar que o tratamento utilizado para aliviar os sintomas acabe agravando o quadro.
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