Mundo • 19:29h • 19 de janeiro de 2026
O futuro do trabalho chegou: 2026 coloca flexibilidade contra controle nas empresas
Especialista aponta tendências do trabalho remoto e alerta que modelos rígidos podem custar produtividade, engajamento e talentos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Temma | Foto: Arquivo/Âncora1
O ano de 2026 deve marcar uma divisão definitiva no mercado de trabalho. Enquanto algumas grandes empresas anunciam a retomada obrigatória do presencial, outras reforçam a flexibilidade como estratégia de competitividade. Em meio a esse cenário, especialistas apontam que os dados globais seguem indicando que o trabalho remoto e híbrido continuará sendo um diferencial decisivo para atração, retenção e desempenho das equipes.
A discussão ganhou força após anúncios como o do Nubank, que passará a exigir presença no escritório duas vezes por semana a partir de 2026. Para o CEO da Impulso, Sylvestre Mergulhão, o próximo ano será decisivo para as organizações. Segundo ele, as empresas precisarão escolher entre construir culturas baseadas em confiança e resultados ou retornar a modelos de controle que já demonstraram menor eficácia ao longo do tempo.
Os números reforçam essa leitura. Pesquisas internacionais mostram que a flexibilidade deixou de ser um benefício pontual e passou a funcionar como estratégia organizacional. Levantamento da Gallup aponta que 57% dos trabalhadores híbridos relatam impacto direto no equilíbrio entre vida pessoal e profissional quando esse modelo é reduzido. Já dados da Hrstacks indicam que 90% dos profissionais remotos se consideram tão ou mais produtivos do que seriam no ambiente exclusivamente presencial.
O paradoxo do retorno ao escritório
Movimentos recentes de empresas como Deloitte, Google, TCS e Lloyds Banking Group, que passaram a vincular bônus ou progressões à presença física, contrastam com indicadores de desempenho. O próprio Nubank registrou, no segundo trimestre de 2025, lucro líquido de US$ 637 milhões e ROE anualizado de 28%, mesmo operando majoritariamente com equipes distribuídas.
Para Mergulhão, há uma confusão recorrente entre proximidade física e alinhamento organizacional. Segundo ele, cultura forte não depende de prédio, mas de clareza, confiança e responsabilidade compartilhada.
Um estudo da McKinsey mostra que quatro em cada cinco profissionais que atuaram em modelo híbrido nos últimos dois anos desejam mantê-lo. No Brasil, pesquisa conjunta da Universidade de São Paulo e da FIA Business School indica que 94% dos trabalhadores remotos relatam melhora na qualidade de vida.
Principais tendências do trabalho remoto para 2026
Gestão orientada por dados
Relatórios da McKinsey mostram que empresas que migraram para avaliações baseadas em resultados registraram aumento de 27% no engajamento e 24% na eficiência operacional. A ausência da supervisão presencial impulsiona o uso de métricas claras, indicadores de desempenho e processos mais transparentes.
Squads sob demanda
Equipes multidisciplinares temporárias tendem a substituir estruturas fixas. A lógica é integrar especialistas rapidamente para projetos específicos, reduzindo custos e aumentando a agilidade organizacional.
Comunicação assíncrona como padrão
Ferramentas que permitem trabalho em ritmos diferentes, sem depender de respostas imediatas, ganham protagonismo. O objetivo é reduzir reuniões excessivas e interrupções constantes, aumentando o foco e a produtividade.
Saúde mental como indicador de performance
Relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos aponta que 76% dos trabalhadores relataram ao menos um sintoma relacionado à saúde mental. Empresas passam a compreender que ambientes equilibrados reduzem burnout e elevam engajamento, retenção e eficiência no longo prazo.
Acesso global a talentos
O modelo remoto amplia o alcance do recrutamento e democratiza oportunidades. Empresas deixam de limitar contratações à proximidade geográfica, enquanto cidades menores passam a reter talentos qualificados.
Flexibilidade como estratégia de retenção
Estudo da Harvard Business School indica que 40% dos profissionais aceitariam redução salarial para manter o trabalho remoto. Dados da Buffer mostram que 98% dos trabalhadores remotos desejam seguir nesse modelo ao longo da carreira.
Para Sylvestre Mergulhão, a consolidação do trabalho remoto em 2026 não será sobre onde se trabalha, mas sobre como as organizações estruturam confiança, metas e bem-estar. Empresas que compreenderem essa mudança tendem a ganhar vantagem competitiva em um mercado cada vez mais orientado por resultados e pela experiência do colaborador.
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