Saúde • 18:48h • 25 de agosto de 2026
Novo medicamento para insônia chega ao Brasil com mecanismo diferente do zolpidem
Dayvigo, à base de lemborexante, bloqueia a ação da orexina e deve chegar ao mercado brasileiro ainda neste semestre, com preço médio estimado em R$ 200
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CFF | Foto: Divulgação
Uma nova opção para o tratamento da insônia deve chegar às farmácias brasileiras ainda neste semestre. A Eurofarma e a farmacêutica japonesa Eisai firmaram parceria para comercializar no país o Dayvigo, medicamento à base de lemborexante aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em adultos. A expectativa é de preço médio em torno de R$ 200.
A principal diferença está na forma como o medicamento age no organismo. O lemborexante pertence a uma classe que bloqueia a ação da orexina, neurotransmissor envolvido na manutenção do estado de vigília. Em vez de promover uma redução generalizada da atividade do sistema nervoso central, como ocorre com outras classes de medicamentos, ele atua sobre o sistema responsável por ajudar a manter o cérebro acordado.
O mecanismo diferencia o Dayvigo dos benzodiazepínicos e também dos chamados medicamentos Z, grupo no qual está o zolpidem, bastante utilizado no tratamento da insônia. Ao diminuir a sinalização da orexina, o medicamento busca facilitar tanto o início quanto a manutenção do sono.
Como o novo medicamento é utilizado
O Dayvigo foi desenvolvido pela Eisai, que continuará responsável pela titularidade do registro sanitário e pelas diretrizes globais da marca. No Brasil, a Eurofarma ficará encarregada da comercialização, promoção e distribuição.
Lemborexante: novo medicamento para dormir deve chegar às farmácias brasileiras neste semestre
A dose inicial recomendada é de 5 mg, uma vez por noite, próxima ao horário de dormir. A orientação prevê que o paciente tenha pelo menos sete horas disponíveis para dormir antes do horário planejado para despertar. Dependendo da resposta clínica e da tolerabilidade, a dose pode ser elevada para 10 mg.
Uma das expectativas em torno do lemborexante é seu potencial de apresentar menor risco de dependência em comparação com algumas alternativas usadas atualmente. Estudos clínicos apontam resultados promissores, mas o acompanhamento por períodos mais longos ainda é necessário para determinar com maior segurança o potencial de abuso e dependência na utilização clínica.
Benzodiazepínicos podem provocar tolerância, dependência e alterações cognitivas quando utilizados de forma prolongada. Já o zolpidem, embora tenha características farmacológicas diferentes, também requer acompanhamento profissional devido aos riscos de tolerância, dependência e comportamentos anormais durante o sono.
Estudos avaliaram eficácia e tolerabilidade
Uma revisão publicada na revista científica The Lancet, que comparou 36 tratamentos para insônia, colocou o lemborexante entre as alternativas com melhor combinação de eficácia, aceitabilidade e tolerabilidade. A análise foi conduzida por pesquisadores ligados à Universidade de Oxford, no Reino Unido.
A chegada de uma nova alternativa farmacológica, entretanto, não significa que todo quadro de insônia deva ser tratado com medicamentos. A investigação das causas e dos hábitos relacionados ao sono continua sendo parte importante da avaliação.
A terapia cognitivo-comportamental para insônia, conhecida como TCC-I, está entre as principais abordagens para casos crônicos. Ela trabalha comportamentos, pensamentos e fatores fisiológicos associados à dificuldade de iniciar ou manter o sono.
Medidas como estabelecer horários regulares para dormir e acordar, praticar atividade física, diminuir a exposição a telas à noite, controlar o consumo de cafeína e evitar bebidas alcoólicas perto do horário de dormir também podem contribuir para melhorar a qualidade do sono.
Escolha do tratamento depende de avaliação
Quando há indicação de tratamento medicamentoso, a escolha deve considerar as características de cada paciente, possíveis interações e os riscos associados ao uso. A orientação é utilizar a menor dose eficaz pelo período necessário e com acompanhamento profissional.
Com a chegada do Dayvigo, o mercado brasileiro passa a contar com uma alternativa que atua por um mecanismo diferente de medicamentos já conhecidos, como o zolpidem. A ampliação das opções, porém, não substitui o diagnóstico da causa da insônia nem a definição individualizada do tratamento.
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