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Economia • 20:21h • 20 de janeiro de 2026

Novo comportamento do consumidor desafia funis tradicionais no marketing digital

Com usuários mais céticos, dispersos e expostos a múltiplos estímulos, modelos lineares perdem força e dão lugar a estratégias baseadas em contexto e experiência

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova Ideia | Foto: Arquivo/Âncora1

Mudança no comportamento digital força agências a repensar funis de conversão
Mudança no comportamento digital força agências a repensar funis de conversão

A forma como o consumidor se comporta no ambiente digital mudou significativamente, alterando também a lógica das jornadas de compra. Hoje, o caminho entre o primeiro contato e a decisão final raramente segue um fluxo linear de descoberta, consideração e conversão. Em um cenário marcado por excesso de informação, múltiplos canais e maior autonomia do usuário, agências digitais e empresas são pressionadas a rever modelos tradicionais de funis de conversão e automações rígidas.

Nesse novo contexto, a jornada passa a ser fragmentada e não previsível. O consumidor transita entre vídeos curtos, grupos de WhatsApp, fóruns, conteúdos produzidos por outros usuários e ferramentas de comparação baseadas em inteligência artificial, criando desvios constantes antes de qualquer decisão. Esse comportamento reduz a eficácia de estruturas engessadas, como réguas fixas de e-mail e sequências automatizadas pensadas para um percurso único.

Para Robson V. Leite, mentor e estrategista com foco em estruturação, operação e performance para agências digitais, o momento exige uma mudança de mentalidade. Com quase duas décadas de atuação e mais de 2.500 agências orientadas por seus métodos, ele defende que o foco precisa migrar das fórmulas prontas para a leitura real do comportamento do usuário.

Dados de uma pesquisa da Salesforce reforçam essa transformação

O levantamento aponta que 73% dos consumidores esperam que as empresas compreendam suas necessidades de forma personalizada, e não por meio de segmentações genéricas. Além disso, 61% afirmaram ter trocado de marca no último ano por conta de experiências pouco relevantes ou mal adaptadas ao seu contexto.

Esse cenário indica que jornadas de conversão precisam funcionar mais como ecossistemas do que como roteiros fechados. O usuário entra e sai quando quer, avança ou retorna etapas e consome diferentes formatos de conteúdo até amadurecer sua decisão. Segundo Robson, o consumidor atual não deseja ser conduzido por um funil, mas orientado por experiências coerentes com seu momento e suas expectativas.

A revisão das estratégias não significa abandonar automações ou campanhas estruturadas, mas reconfigurá-las com maior flexibilidade. Isso envolve criar múltiplos pontos de entrada, adaptar conteúdos ao nível real de consciência do cliente e implementar sistemas de escuta ativa, seja por análise de dados, comportamento de navegação, enquetes ou feedbacks diretos.

Outro fator relevante é o aumento do tempo médio entre o primeiro contato e a conversão, especialmente em mercados mais competitivos. O consumidor pesquisa mais, compara alternativas e espera uma narrativa consistente entre canais. Nesse cenário, insistir apenas em volume de anúncios ou em automações padronizadas tende a elevar custos sem gerar resultados proporcionais.

A mudança estrutural nas jornadas de conversão impõe às agências o desafio de integrar dados, criatividade e empatia. A lógica deixa de ser a da ferramenta e passa a ser a do consumidor. Em um ambiente digital cada vez mais seletivo e com algoritmos mais sofisticados, compreender o contexto do usuário e respeitar seu ritmo pode se tornar um diferencial competitivo decisivo para agências digitais a partir de 2026.

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