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Gastronomia & Turismo • 14:20h • 15 de fevereiro de 2026

Novas uvas brasileiras prometem vinhos mais intensos e coloridos

Embrapa lança as cultivares BRS Lis e BRS Antonella, desenvolvidas para elevar a qualidade e a eficiência na produção de vinhos de mesa e sucos no Brasil

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1

A vitivinicultura brasileira, especialmente no Rio Grande do Sul, é baseada em uvas destinadas à elaboração de sucos e vinhos de mesa.
A vitivinicultura brasileira, especialmente no Rio Grande do Sul, é baseada em uvas destinadas à elaboração de sucos e vinhos de mesa.

A vitivinicultura brasileira ganha duas novas aliadas na busca por vinhos de mesa mais intensos, equilibrados e visualmente atraentes. A Embrapa Uva e Vinho, sediada em Bento Gonçalves (RS), lança as cultivares BRS Lis e BRS Antonella, uvas tintureiras criadas especialmente para a elaboração de vinhos e sucos, com foco em cor, rendimento e qualidade enológica.

Desenvolvidas ao longo de mais de dez anos dentro do programa Uvas do Brasil, as novas variedades foram pensadas para atender às necessidades reais da agroindústria vitivinícola, especialmente na Serra Gaúcha, principal polo produtor do país. Juntas, elas permitem vinhos mais estáveis, com coloração intensa, boa estrutura e menor dependência de correções industriais.

A BRS Lis se destaca pela qualidade do mosto e pelo perfil mais refinado do vinho. De ciclo intermediário, colhida no início de fevereiro, apresenta acidez equilibrada, alto teor de açúcares e grande concentração de pigmentos naturais. Na taça, isso se traduz em vinhos com cor profunda, boa estrutura de taninos e teor alcoólico natural, dispensando a adição de açúcar durante a fermentação. Outro diferencial importante é a maior tolerância a doenças, o que favorece práticas mais sustentáveis no vinhedo.

Já a BRS Antonella cumpre um papel estratégico na produção: entrega volume, rendimento e intensidade de cor. Também de ciclo intermediário e bem adaptada à Serra Gaúcha, a cultivar é ideal para compor cortes industriais, garantindo padronização visual e regularidade sensorial aos vinhos e sucos. Seu perfil aromático remete às uvas americanas tradicionais, com sabor equilibrado e boa presença de taninos.

Do ponto de vista enológico, as duas variedades apresentam elevados teores de polifenóis e antocianinas — compostos diretamente ligados à cor, à estrutura e ao potencial antioxidante dos vinhos. Estudos da Embrapa mostram que os índices dessas substâncias na BRS Lis são iguais ou superiores aos da uva Bordô e significativamente maiores que os de Isabel e Concord, referências históricas do setor.

Na prática, isso significa vinhos mais intensos visualmente, com maior estabilidade de cor e melhor resistência à oxidação, características cada vez mais valorizadas tanto pelo mercado quanto pelo consumidor.

Além do impacto na qualidade do produto final, as novas cultivares também trazem ganhos econômicos. A combinação entre sanidade, previsibilidade produtiva e desempenho industrial reduz custos no campo e aumenta a rentabilidade por área, favorecendo tanto pequenos produtores quanto grandes vinícolas.

Validadas em campo por cooperativas e viticultores da Serra Gaúcha, as uvas BRS Lis e BRS Antonella já começam a substituir variedades tradicionais em alguns vinhedos. Para quem produz vinho de mesa e suco no Brasil, elas representam não apenas inovação genética, mas um passo importante rumo a produtos mais qualificados, sustentáveis e alinhados com o futuro da vitivinicultura nacional.

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