Educação • 16:14h • 01 de setembro de 2026
Não deixe para ler na última hora: 4 obras que já estão no radar de Fuvest e Unicamp
Obras de Maria Benedita Bormann, Cruz e Sousa, Julia Lopes de Almeida e Nísia Floresta atravessam literatura, desigualdade, emancipação feminina e transformações sociais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da LC Comunicação | Foto: Divulgação
Quando a lista de leituras obrigatórias é deixada para os meses finais antes do vestibular, o estudante corre o risco de transformar literatura em uma corrida para decorar personagens e resumos. Para quem quer começar antes, quatro clássicos já merecem atenção: Lésbia e Broquéis estão confirmados pela Unicamp para o Vestibular 2029, enquanto Memórias de Martha e Opúsculo Humanitário integram a lista da Fuvest para 2026-2027.
As obras atravessam momentos diferentes da literatura brasileira e permitem ir além do enredo. Há espaço para discutir autoria feminina no século XIX, relações de poder, educação, desigualdade de gênero e também o Simbolismo, com sua musicalidade, subjetividade e linguagem carregada de imagens.
Duas leituras para quem já olha para a Unicamp 2029
Publicado em 1890, Lésbia, de Maria Benedita Bormann, que escrevia sob o pseudônimo Délia, acompanha Arabela após um casamento marcado por repressão e violência. A personagem encontra na escrita uma possibilidade de reconstruir a vida e conquistar autonomia, adotando Lésbia como pseudônimo e enfrentando os limites impostos às mulheres naquele período.
Já Broquéis, de Cruz e Sousa, leva o estudante ao Simbolismo brasileiro. A poesia trabalha intensamente musicalidade, imagens e subjetividade, abordando temas como desejo, morte, espiritualidade, sofrimento e conflitos interiores.
São dois livros bastante diferentes entre si, justamente uma vantagem para quem começa cedo: permitem estudar tanto a produção feminina brasileira do século XIX quanto características fundamentais de um movimento literário que rompeu com a objetividade e o racionalismo predominantes anteriormente.
Fuvest traz outras duas autoras do século XIX
Em Memórias de Martha, publicado em 1899, Julia Lopes de Almeida constrói a trajetória de uma mulher que revisita infância, juventude e diferentes momentos de sua vida. Para o vestibulando, a leitura permite observar como gênero, classe e oportunidades aparecem na literatura produzida no final do século XIX.
Opúsculo Humanitário volta ainda mais no tempo. Publicada em 1853, a obra de Nísia Floresta reúne textos em defesa da educação e da emancipação intelectual das mulheres, além de críticas às desigualdades e às limitações impostas à formação feminina.
Começar essas leituras com antecedência permite algo que os resumos dificilmente entregam: perceber a linguagem de cada autor, acompanhar como os temas são construídos e relacionar as obras ao período histórico em que surgiram. Para uma prova que pode cobrar interpretação, contexto e características literárias, conhecer apenas o enredo é pouco.
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