Responsabilidade Social • 18:39h • 24 de abril de 2026
Nem toda perda é visível: como o luto impacta a memória, o sono e a rotina
Processo de perda provoca mudanças neurobiológicas e também pode ocorrer em situações além da morte, como rupturas e frustrações significativas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Central Press | Foto: Arquivo/Âncora1
O luto, geralmente associado à morte de alguém próximo, é um processo que vai além da dor emocional e provoca alterações reais no funcionamento do cérebro, impactando memória, sono, apetite e a capacidade de manter a rotina. Essas mudanças podem surgir tanto após a perda de uma pessoa quanto em situações como rompimentos, perdas profissionais ou frustrações profundas. Especialistas apontam que o cérebro precisa se reorganizar diante da quebra de um vínculo ou de uma expectativa importante.
Segundo o psiquiatra Marcelo Heyde, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, o luto está relacionado a alterações em áreas cerebrais como amígdala e hipocampo, além de desregulação no lobo frontal. Há também impacto nos neurotransmissores ligados ao humor e à energia, o que ajuda a explicar sintomas como tristeza intensa, desânimo e perda de interesse. O aumento do cortisol, hormônio do estresse, também interfere no sono e no apetite.
Para o psicólogo Pedro Rujano, das mesmas instituições, o processo envolve uma ruptura na forma como o cérebro organiza a realidade. A ausência de uma pessoa ou a perda de algo significativo quebra padrões e exige uma reorganização interna. Por isso, o luto não ocorre de forma linear e pode alternar momentos de maior estabilidade com fases de dor mais intensa.
Sintomas vão além da tristeza
Entre as reações mais comuns estão tristeza profunda, saudade, sensação de vazio, dificuldade de concentração, alterações no sono e no apetite, além de queda temporária no rendimento das atividades do dia a dia. Em alguns casos, podem surgir sentimentos de culpa, irritação ou até uma sensação de irrealidade.
Esses efeitos não se restringem apenas à perda de alguém. Situações como o fim de um relacionamento, a perda de um emprego, um projeto interrompido ou conflitos familiares também podem desencadear um processo de luto, ainda que menos reconhecido socialmente.
Quando buscar ajuda
Não há um prazo exato para atravessar o luto. De forma geral, espera-se uma adaptação gradual ao longo de meses, mas o principal ponto de atenção é o impacto na vida cotidiana. Quando há dificuldade persistente para retomar atividades, isolamento social ou sofrimento intenso, a avaliação profissional se torna necessária.
Os especialistas alertam para sinais como incapacidade de seguir a rotina, uso abusivo de substâncias e pensamentos recorrentes sobre morte, que podem indicar evolução para quadros como depressão ou transtornos relacionados ao trauma.
Como lidar com o processo
Manter alguma rotina, respeitar o próprio tempo e contar com apoio de familiares e amigos são estratégias que ajudam a atravessar o período. Atividades leves e a retomada gradual de compromissos podem contribuir para a reorganização emocional.
O acolhimento também tem papel importante. Para quem convive com alguém enlutado, a orientação é oferecer presença e escuta, evitando julgamentos ou tentativas de acelerar o processo.
Embora doloroso, o luto é uma resposta natural do organismo diante de perdas significativas. Reconhecer seus efeitos e compreender que ele pode surgir em diferentes contextos é fundamental para lidar com o processo de forma mais consciente.
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