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Ciência e Tecnologia • 08:33h • 09 de maio de 2026

Nanopartículas feitas a partir do leite podem abrir novo caminho contra câncer agressivo e raro

Pesquisadores da Mayo Clinic desenvolveram tecnologia que entrega terapia genética diretamente nas células tumorais sem afetar tecidos saudáveis

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sherlock Assessoria | Foto: Divulgação

Estudo cria tratamento experimental contra câncer das vias biliares usando partículas derivadas do leite
Estudo cria tratamento experimental contra câncer das vias biliares usando partículas derivadas do leite

Pesquisadores da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, anunciaram um avanço considerado promissor no combate ao colangiocarcinoma, um tipo raro e agressivo de câncer que atinge as vias biliares e ainda possui opções terapêuticas limitadas. O estudo apresentou uma nova estratégia que utiliza nanopartículas derivadas do leite para transportar tratamento genético diretamente até as células cancerosas.

Os resultados foram publicados na revista científica JHEP Reports e despertaram atenção por combinar engenharia genética, nanotecnologia e um sistema de entrega direcionada capaz de preservar tecidos saudáveis ao redor do tumor.

O colangiocarcinoma é conhecido pela alta agressividade e pela dificuldade de tratamento, principalmente porque muitos pacientes recebem o diagnóstico em estágios avançados da doença. Além disso, boa parte das terapias atuais possui resposta limitada ou causa efeitos colaterais importantes.

Segundo Rory Smoot, oncologista cirúrgico da Mayo Clinic e autor sênior do estudo, o desafio está justamente na dificuldade de atingir alterações genéticas específicas presentes nesse tipo de tumor.

“Um dos maiores problemas é a falta de medicamentos capazes de atacar diretamente as alterações responsáveis pelo crescimento desse câncer sem afetar o restante do organismo”, explica o pesquisador.

Tecnologia usa leite como veículo para terapia genética

Para enfrentar esse desafio, a equipe utilizou uma técnica baseada em RNA interferente pequeno, conhecido como siRNA, molécula capaz de silenciar temporariamente genes específicos ligados ao desenvolvimento do câncer.

O diferencial do estudo está na forma como esse material foi transportado até as células tumorais.

Os pesquisadores desenvolveram nanopartículas lipídicas derivadas do leite, utilizadas como pequenos veículos biocompatíveis para levar a terapia genética diretamente ao tumor. Essas partículas foram combinadas com uma sequência especial de DNA chamada aptâmero, criada para reconhecer e se ligar especificamente às células do colangiocarcinoma.

Para encontrar esse “endereçamento molecular”, os cientistas analisaram uma biblioteca gigantesca com cerca de 600 trilhões de moléculas de DNA até identificar as estruturas mais eficazes para localizar o câncer.

Na prática, o sistema funciona como uma entrega altamente direcionada: as nanopartículas identificam o tumor, se conectam às células cancerosas e liberam a terapia genética exatamente naquele local.

Resultados mostraram redução do tumor sem afetar tecidos saudáveis

Segundo Brandon Wilbanks, pesquisador de pós-doutorado da Mayo Clinic e primeiro autor do estudo, os testes mostraram resultados animadores ainda na fase pré-clínica.

“Conseguimos administrar a terapia diretamente nas células tumorais, reduzindo o crescimento do câncer e aumentando a morte das células cancerosas sem causar danos aos tecidos saudáveis próximos”, afirma.

Os pesquisadores destacam que os resultados ainda não representam uma cura disponível para pacientes, mas reforçam o potencial de desenvolvimento de tratamentos mais personalizados e menos agressivos no futuro.

A tecnologia já foi patenteada pela Mayo Clinic, e os próximos passos envolvem novos testes para aperfeiçoar os alvos genéticos e avaliar a aplicação da técnica em diferentes formas de colangiocarcinoma.

Pesquisa pode abrir caminho para terapias personalizadas

O objetivo dos cientistas é transformar a plataforma em um modelo de terapia genética individualizada, capaz de adaptar o tratamento às características específicas de cada paciente.

“Esses avanços trazem uma esperança real para pessoas que hoje possuem poucas alternativas terapêuticas”, afirma Rory Smoot.

Especialistas avaliam que a pesquisa representa mais um passo dentro da chamada medicina de precisão, área que busca tratamentos direcionados às características biológicas de cada tumor, reduzindo efeitos colaterais e aumentando a eficácia contra o câncer.

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