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Mundo • 10:26h • 29 de maio de 2026

Mortes envolvendo moto aumentam com expansão da economia de aplicativo

Em uma década, número de óbitos por arma de fogo cai

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

A publicação considera o trânsito uma das principais causas de violência letal no país.
A publicação considera o trânsito uma das principais causas de violência letal no país.

O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O aumento das mortes envolvendo motocicletas é apontado como um dos principais fatores de preocupação.

Do total de óbitos em vias terrestres no ano passado, 15.459 envolveram motocicletas, o equivalente a 41,6% das mortes no trânsito no país. Em 2014, os registros envolvendo motos somavam 12.604 mortes, representando 28,7% do total.

Apesar de o número geral de mortes no trânsito ter caído 20% na última década, os óbitos com motociclistas cresceram significativamente no período.

Segundo o estudo, a expansão da economia de aplicativos alterou a dinâmica da mobilidade urbana e transformou a motocicleta em ferramenta de trabalho para milhões de brasileiros, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Entre 2019 e 2024, as mortes envolvendo motocicletas aumentaram 38%, passando de 11.182 para 15.459 casos.

Em 2024, a taxa nacional de mortes no trânsito foi de 17,5 por 100 mil habitantes, abaixo da registrada em 2014, quando o índice era de 21,9. Ainda assim, os pesquisadores alertam para uma retomada do crescimento dessas mortes.

O Atlas destaca que a pressão por produtividade, a falta de proteção social e as jornadas intensas tornaram trabalhadores de aplicativos um dos grupos mais expostos ao risco de acidentes fatais nas cidades.

Para o coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, os jovens estão entre os mais vulneráveis, principalmente pela maior exposição ao risco no trânsito.

Ele também aponta preocupação com a expansão dos serviços de mototáxi, já que tanto os motociclistas quanto os passageiros ficam expostos aos perigos das vias urbanas.

O estudo cita o Piauí como exemplo extremo dessa realidade. No estado, 72,7% das mortes no trânsito registradas em 2024 envolveram motocicletas, índice muito acima da média nacional.

Entre as medidas consideradas urgentes para reduzir a mortalidade no trânsito estão redução de velocidade, educação no trânsito, melhorias na infraestrutura viária, reforço da fiscalização e mudanças legislativas voltadas à segurança dos motociclistas.

O Atlas também traz dados sobre homicídios cometidos com armas de fogo no Brasil. Em 2024, foram registrados 29.870 assassinatos desse tipo, uma queda de 8,8% em relação a 2023 e de 31,2% na comparação com 2014.

A taxa nacional de homicídios com armas de fogo ficou em 14,1 casos por 100 mil habitantes, menor índice da última década.

Mesmo com a redução nacional, alguns estados registraram crescimento nos homicídios com armas de fogo entre 2014 e 2024, como Amapá, Roraima, Pernambuco, Piauí e Bahia.

Segundo o Atlas, as armas de fogo foram responsáveis por 70,1% dos homicídios registrados no país em 2024.

Entre os estados com maior participação de armas de fogo nos assassinatos, oito estão no Nordeste. Ceará, Paraíba, Amapá e Bahia aparecem com índices acima de 80%.

Já os menores percentuais foram registrados no Distrito Federal, Roraima e Tocantins.

Os pesquisadores observam que as diferenças regionais revelam uma fragmentação crescente das dinâmicas da violência letal no Brasil, com comportamentos distintos entre os estados ao longo da última década.

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