Responsabilidade Social • 10:03h • 15 de abril de 2026
Monitoramento ambiental na Antártica inclui estudo sobre a presença de microplásticos na água
Segunda expedição da equipe brasileira considerou que esses poluentes vêm ganhando destaque no debate científico, pela relação cada vez mais evidente com as mudanças climáticas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Uma equipe do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear concluiu o segundo trabalho de campo na Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira localizada na Ilha do Rei George. O estudo busca entender como as mudanças climáticas estão alterando o regime hidrológico do continente, analisando a relação entre água de degelo, lagos, rios, atmosfera, solo e oceano. O centro integra a Comissão Nacional de Energia Nuclear, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Durante a expedição, os pesquisadores também investigaram a origem e o destino de poluentes transportados por esses processos, com o objetivo de avaliar impactos e possíveis consequências em escala global. Entre as novidades do projeto está o monitoramento de microplásticos e de substâncias per e polifluoroalquiladas.
A área estudada é considerada estratégica por estar situada em rotas importantes das circulações oceânicas e atmosféricas do planeta, funcionando como um indicador precoce de transformações ambientais. Além disso, o isolamento geográfico da Antártica faz com que a região esteja distante das principais fontes de poluição, o que torna a presença de contaminantes um sinal de que o problema pode ser ainda mais amplo em outras partes do mundo.
Os microplásticos são partículas de polímeros sintéticos com menos de cinco milímetros, que podem ser produzidas intencionalmente ou resultar da degradação de objetos maiores. Essas partículas poluem o meio ambiente, podem ser ingeridas por animais e entrar na cadeia alimentar, chegando aos seres humanos por meio da água, do ar e dos alimentos, com potenciais riscos à saúde.
Já as substâncias per e polifluoroalquiladas são compostos químicos sintéticos usados em produtos como embalagens, cosméticos, roupas impermeáveis e espumas de combate a incêndio. Elas podem contaminar água, solo e alimentos e estão associadas a riscos como câncer, problemas reprodutivos e alterações hormonais.
Esses poluentes têm ganhado destaque por sua relação com as mudanças climáticas, já que estão presentes em diferentes ambientes e podem interferir em processos fundamentais do sistema climático. Os microplásticos, em especial, são considerados indicadores das atividades humanas, refletindo padrões de produção, consumo e descarte.
A expedição ocorreu entre novembro de 2025 e janeiro de 2026 e contou com a participação de pesquisadores do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear. O trabalho faz parte de um projeto mais amplo que investiga o transporte e os processos biogeoquímicos de substâncias naturais e de origem humana na interface entre terra e mar na Antártica, em um contexto de mudanças climáticas. A iniciativa envolve também o Instituto de Pesquisas Tecnológicas e o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, sob coordenação da Universidade Federal de São Paulo.
Nesta segunda etapa, os pesquisadores ajustaram métodos e estratégias em relação à expedição anterior, principalmente por causa das condições climáticas extremas. Houve mudanças no monitoramento de radônio e na frequência de coleta de amostras.
A cada nova missão, o estudo avança com a incorporação de novos dados e a comparação com resultados anteriores, permitindo aprofundar a compreensão sobre o transporte de partículas e contaminantes, a interação entre atmosfera, solo e água, e os mecanismos que influenciam a dinâmica ambiental diante das mudanças climáticas.
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