Política • 07:31h • 20 de janeiro de 2026
Mitos e verdades sobre concursos em ano eleitoral esclarecem cenário de 2026
Especialista explica o que a lei permite, o que fica vedado e por que informações equivocadas geram insegurança entre concurseiros
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da M2 Comunicação Jurídica | Foto: Arquivo/Âncora1
Com a chegada de 2026, ano eleitoral, uma dúvida volta a circular com força entre candidatos a cargos públicos: afinal, pode ou não ter concurso em ano de eleição? A resposta jurídica é objetiva. Sim, concursos públicos podem ser realizados normalmente, inclusive com publicação de editais, inscrições, provas, correções e homologações. O que sofre restrições não é o concurso em si, mas a nomeação e a posse dos aprovados em um período específico do calendário eleitoral.
A legislação que rege o tema é clara. A Resolução nº 21.806/2004 do Tribunal Superior Eleitoral estabelece que a legislação eleitoral não proíbe a realização de concursos públicos, mas apenas impõe limites a atos administrativos que possam interferir no equilíbrio da disputa eleitoral. Já o artigo 73 da Lei nº 9.504/1997, a Lei das Eleições, veda a nomeação, contratação ou admissão de pessoal nos três meses que antecedem o pleito até a posse dos eleitos, com exceções expressamente previstas.
Segundo Marco Antonio Araujo Jr., presidente da Associação de Apoio aos Concursos e Exames, a maior dificuldade enfrentada pelos candidatos não é jurídica, mas informacional. “A disseminação de informações equivocadas costuma gerar insegurança no público concurseiro. O entendimento jurídico é consolidado: concursos podem ocorrer normalmente em ano eleitoral. A própria resolução do TSE deixa isso muito claro”, afirma.
O que é permitido em 2026
De acordo com o especialista, mesmo em ano de eleição, a administração pública pode conduzir praticamente todas as etapas de um concurso. Estão autorizados:
- Publicação de editais;
- Abertura de inscrições;
- Aplicação de provas;
- Correção e divulgação de resultados;
- Homologação dos concursos;
- Atos administrativos de rotina, desde que sem caráter promocional;
- Contratações emergenciais em áreas essenciais, como saúde e segurança, quando devidamente justificadas.
Essas medidas não configuram uso indevido da máquina pública e não violam a legislação eleitoral, desde que respeitados os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
Onde começam as restrições
O ponto de atenção está na fase posterior ao concurso. A vedação legal incide sobre a nomeação, contratação e posse dos aprovados no período que vai de três meses antes da eleição até a posse dos eleitos. Segundo Araujo Jr., essa restrição existe para evitar que atos administrativos sejam utilizados com finalidade eleitoral.
“A lei não proíbe o concurso, ela proíbe o uso político do resultado do concurso. É uma diferença fundamental que muitas pessoas confundem”, explica.
Durante o período vedado, permanecem proibidos:
- Nomeação e posse de aprovados, salvo exceções legais;
- Contratação de temporários fora de situações emergenciais comprovadas;
- Atos que caracterizem promoção pessoal, publicidade institucional com viés eleitoral ou uso político-administrativo do concurso.
Exceções e decisões judiciais
Apesar das restrições, o presidente da Aconexa ressalta que há situações específicas respaldadas pela Justiça. Concursos homologados antes do início do período vedado e candidatos aprovados dentro do número de vagas previstas em edital podem ter direito subjetivo à nomeação, inclusive durante o período eleitoral, conforme entendimento consolidado em decisões judiciais.
“Em muitos casos, o Judiciário autoriza a nomeação mesmo durante a vedação. Mas isso depende da análise individual de cada concurso, do momento da homologação e do direito adquirido do candidato”, destaca.
Alerta aos gestores públicos
O especialista também chama atenção para os riscos de interpretações apressadas ou decisões administrativas sem respaldo técnico. Nomeações fora das hipóteses permitidas podem resultar em nulidade do ato, responsabilização dos gestores e questionamentos na esfera eleitoral. O mesmo vale para contratações emergenciais sem fundamentação adequada.
“A orientação é que toda decisão seja juridicamente embasada e, quando necessário, validada pelos setores jurídicos ou pelo próprio Tribunal Regional Eleitoral”, conclui Araujo Jr.
Em síntese, 2026 não será um ano de paralisação dos concursos públicos. Para os candidatos, o cenário segue ativo. Para a administração, o desafio está em respeitar os limites legais e manter a segurança jurídica dos atos praticados.
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