Saúde • 09:11h • 07 de junho de 2026
Mercado ilegal de canetas emagrecedoras movimenta bilhões e acende alerta no Brasil
Com quatro em cada cinco produtos vendidos de forma clandestina, comércio ilegal dispara devido ao alto preço dos medicamentos originais e gera forte reação das autoridades
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
O comércio ilegal de medicamentos para emagrecimento se transformou em um mercado bilionário no Brasil. Segundo dados do Anuário da Falsificação, o setor clandestino de pirataria, contrabando e falsificação desses produtos movimentou cerca de R$ 4,6 bilhões em 2025. Atualmente, estima-se que quatro em cada cinco canetas emagrecedoras vendidas no país sejam irregulares.
A popularização de medicamentos como o Ozempic fez crescer o alerta das autoridades sanitárias e policiais diante do avanço das apreensões. Em 2024, foram recolhidas 609 unidades ilegais. Já em 2025, o número ultrapassou 60 mil produtos apreendidos. Em 2026, somente nos três primeiros meses do ano, mais de 54 mil canetas falsificadas já haviam sido retiradas de circulação.
O alto custo dos medicamentos regularizados no Brasil é apontado como um dos principais fatores para o crescimento do mercado clandestino. Muitas pessoas acabam buscando alternativas mais baratas em países vizinhos, adquirindo produtos sem registro oficial e sem garantia de procedência, qualidade ou segurança sanitária.
O avanço do comércio ilegal mobilizou forças de segurança em diferentes estados. Em uma operação recente, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu mais de 8 mil ampolas contrabandeadas em rodovias entre São Paulo e Paraná em menos de 24 horas, resultando na prisão de três suspeitos. A Polícia Federal também realizou ações contra quadrilhas ligadas ao mercado paralelo, incluindo apreensões de carros de luxo e aeronaves.
Para tentar conter o crescimento desse tipo de crime, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou as regras de fiscalização, passando a exigir retenção de receita médica para a venda desses medicamentos e interditando estabelecimentos que operavam sem controle sanitário adequado.
Representantes do setor farmacêutico afirmam que os remédios clandestinos para emagrecimento já respondem por mais de um terço das perdas provocadas pelo mercado ilegal de medicamentos no país.
Como alternativa ao mercado informal, a indústria farmacêutica lançou recentemente o Ozivy, primeiro medicamento nacional à base de semaglutida aprovado pela Anvisa. O produto chegou ao mercado com preço cerca de 30% menor do que o Ozempic, na tentativa de ampliar o acesso ao tratamento e reduzir espaço para o contrabando.
Especialistas alertam, no entanto, que o mercado ilegal de medicamentos da categoria GLP-1 ainda pode ser até cinco vezes maior do que o setor formal. Enquanto os preços continuarem inacessíveis para parte da população, o comércio clandestino tende a seguir em expansão.
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