Economia • 16:12h • 09 de abril de 2026
Mercado ilegal avança no Brasil, movimenta R$ 1,7 trilhão e pressiona empresas formais
Crescimento da economia subterrânea expõe falhas regulatórias, amplia concorrência desleal e desafia fiscalização em setores digitais e tradicionais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O mercado ilegal no Brasil movimentou cerca de R$ 1,7 trilhão em 2023, o equivalente a aproximadamente 17% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). O avanço da informalidade tem se intensificado em setores de alto valor agregado, como apostas digitais, eletrônicos e combustíveis, ampliando a concorrência direta com empresas que operam dentro da legalidade.
O cenário revela um problema estrutural: enquanto empresas formais enfrentam carga tributária elevada, exigências operacionais e fiscalização constante, operações irregulares atuam com menos restrições e conseguem oferecer preços mais competitivos.
Para Ricardo Santos, cientista de dados e fundador da Fulltrader Sports, o crescimento do mercado paralelo está diretamente ligado à complexidade do ambiente regulatório brasileiro. “Quando o custo para operar dentro da lei é alto e a estrutura é complexa, abre-se espaço para operações paralelas crescerem com vantagem competitiva”, afirma.
Regulação e informalidade caminham juntas
O avanço do mercado ilegal se torna ainda mais evidente em setores em fase de regulamentação, como o de apostas esportivas. Antes das regras mais recentes, o segmento movimentava cerca de R$ 150 bilhões por ano no país.
A formalização trouxe expectativa de aumento na arrecadação, mas também escancarou um desafio: a permanência de plataformas não autorizadas, muitas delas operando fora do Brasil. “Se o ambiente regulado não consegue equilibrar custo, acesso e experiência, parte dos usuários migra para alternativas fora da legalidade”, explica o especialista.
Impactos na economia e no consumidor
A expansão da informalidade gera efeitos diretos na economia. Além de reduzir a arrecadação pública, o crescimento do mercado ilegal compromete investimentos e afeta cadeias produtivas inteiras.
No ambiente digital, o problema se torna ainda mais complexo. Plataformas hospedadas no exterior dificultam a fiscalização e ampliam o alcance dessas operações. “A tecnologia facilita o crescimento do mercado, mas também dificulta o controle. Sem monitoramento eficiente, a informalidade tende a acompanhar esse avanço”, afirma.
Para o consumidor, os riscos também são relevantes. Plataformas ilegais não seguem padrões de segurança, não garantem pagamento e operam sem mecanismos de proteção. “Muitos usuários não percebem que estão fora de um ambiente regulado. Quando há problema, não existe respaldo jurídico”, alerta.
Empresas buscam estratégias para competir
Diante desse cenário, empresas formais têm buscado alternativas para manter competitividade. Especialistas apontam que a resposta não está apenas na redução de preços, mas na eficiência operacional e no posicionamento estratégico.
Entre as principais estratégias estão o mapeamento de riscos regulatórios, investimento em tecnologia, fortalecimento da credibilidade, monitoramento de mercado e apoio de consultorias especializadas. A adoção dessas práticas permite que empresas operem com mais eficiência e consigam transformar a conformidade regulatória em diferencial competitivo.
Desafio estrutural do Brasil
Especialistas defendem que o enfrentamento do mercado ilegal passa por um equilíbrio regulatório mais eficiente. Regras claras, simplificação de processos e fiscalização mais efetiva são apontadas como caminhos para reduzir a informalidade sem comprometer a competitividade.
“A regulação é necessária, mas precisa ser funcional. Quando se distancia da realidade das empresas, cria incentivos para o crescimento do mercado paralelo”, afirma Ricardo Santos.
O avanço da economia subterrânea indica que o debate sobre regulação, competitividade e fiscalização deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. O desafio será equilibrar controle e eficiência para evitar que o crescimento econômico continue acompanhado pela expansão de atividades fora das regras.
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