Ciência e Tecnologia • 18:28h • 11 de fevereiro de 2026
Mercado de trabalho entra em nova era com foco em IA, requalificação e talentos híbridos
Disputa por especialistas, juros elevados e requalificação acelerada moldam estratégias de empresas, aponta estudo da INTOO
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tamer Comunicação | Foto: Divulgação
O mercado de trabalho brasileiro caminha para 2026 em um cenário de crescimento econômico moderado, juros ainda elevados e uma disputa cada vez mais seletiva por profissionais altamente qualificados. Embora a projeção de crescimento do PIB fique entre 1,6% e 1,8% e a inflação siga em desaceleração, empresas relatam dificuldades crescentes para atrair e reter talentos em áreas estratégicas, como tecnologia, inteligência artificial, dados e sustentabilidade.
As conclusões fazem parte do Guia Estratégico de Remuneração 2026, elaborado pela Gi Group Holding, por meio da INTOO, unidade especializada em transição e desenvolvimento profissional.
O estudo aponta uma bifurcação inédita no mercado de trabalho. Enquanto funções tradicionais apresentam crescimento tímido, cargos estratégicos operam próximos ao chamado “pleno emprego”. Entre profissionais com ensino superior atuando em áreas como inteligência artificial, segurança da informação e sustentabilidade, o desemprego técnico já está abaixo de 4%. Segundo o relatório, esse descompasso estrutural tende a se manter por vários anos.
Para Rafael Chenta, coordenador do estudo, a disputa por talentos deixou de ser conjuntural. “Empresas de todos os setores competem por um mesmo e reduzido grupo de especialistas em tecnologia, IA e ESG. O salário continua relevante, mas já não é suficiente. O profissional busca flexibilidade, clareza de carreira e um pacote de valor que inclua desenvolvimento contínuo”, afirma.
O relatório destaca que a proficiência em inteligência artificial passou a funcionar como uma “meta-habilidade”, capaz de elevar significativamente o valor de mercado de um profissional mesmo dentro do mesmo cargo. Um analista financeiro que domina modelos preditivos baseados em IA, por exemplo, pode receber uma remuneração muito superior à de outro com atribuições semelhantes, mas competências tradicionais.
A projeção indica que entre 37% e 39% das competências atuais precisarão ser transformadas até 2030, impulsionando uma ampla onda de requalificação. Esse movimento força as empresas a reverem seus planos de cargos e salários. “Entramos na era dos salários aumentados por IA, em que o domínio tecnológico cria faixas paralelas de remuneração dentro do mesmo cargo. A remuneração passa a refletir impacto e escassez, não apenas senioridade”, explica Chenta.
Com a taxa Selic ainda projetada em torno de 12% ao final de 2026, o estudo aponta pouco espaço para reajustes generalizados. A tendência é a adoção de aumentos segmentados, concentrados em áreas críticas, enquanto o restante da força de trabalho deve depender mais de bônus, metas e remuneração variável. Segundo o relatório, a pressão por produtividade torna cada decisão orçamentária mais estratégica.
Os dados também evidenciam a persistência das desigualdades regionais. O salário médio nacional projetado para 2026 é de R$ 3.548, mas com forte disparidade entre estados. O Distrito Federal lidera, com média de R$ 5.547, seguido por São Paulo, com R$ 4.298. Estados como Maranhão e Ceará permanecem entre os menores patamares. Esse desequilíbrio, segundo a INTOO, impacta diretamente a mobilidade profissional e a competitividade entre empresas regionais.
Entre os cargos que concentraram contratações em 2025 e devem seguir em alta em 2026 estão diretor de receita (CRO), especialistas em inteligência artificial e automação, analistas de cibersegurança, engenheiros de segurança de processo e gestores de sustentabilidade. Apenas funções ligadas à tecnologia e gestão responderam por até 30% das novas vagas em setores emergentes.
Diante desse cenário, o relatório aponta a chamada “Grande Requalificação” como imperativo estratégico. Metade das empresas brasileiras ainda não utiliza inteligência artificial de forma estruturada, e grande parte das que utilizam está em estágios iniciais. O principal gargalo é a falta de profissionais qualificados.
“A única estratégia sustentável é desenvolver a força de trabalho atual. Recrutar profissionais prontos em áreas de altíssima demanda é caro e, muitas vezes, inviável. As empresas vencedoras serão aquelas que investirem de forma consistente em aprendizagem contínua”, avalia Chenta.
A conclusão do estudo é que o profissional mais valorizado em 2026 será o híbrido, capaz de unir domínio técnico, fluência digital e visão humana. “Não basta ser especialista em tecnologia. O mercado quer quem conecte tecnologia ao negócio, saiba liderar, inovar e aprender rapidamente”, resume o especialista.
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