Educação • 13:21h • 31 de agosto de 2026
Medo do sotaque pode estar atrapalhando brasileiros que aprendem inglês
Especialista explica que falar bem outro idioma não significa imitar um nativo e alerta que o medo de errar pode reduzir justamente a prática necessária para ganhar confiança
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Emes Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
Quem aprende inglês pode conhecer o vocabulário, compreender uma conversa e conseguir se expressar, mas ainda se sentir inseguro ao perceber o próprio sotaque brasileiro. A tentativa de pronunciar cada palavra como um nativo, porém, pode acabar produzindo o efeito contrário: o medo de falar antes de atingir uma suposta pronúncia perfeita reduz a prática necessária para desenvolver a própria fluência.
A discussão ganha importância também no mercado de trabalho. Segundo o 2026 TOEIC Global English Skills Report, da ETS, 88% dos líderes de RH no Brasil consideram que empresas sem profissionais fluentes em inglês estão em desvantagem competitiva. A exigência, portanto, está na capacidade de utilizar o idioma, e não necessariamente em esconder a origem de quem fala.
“Existe uma diferença entre querer melhorar a pronúncia e acreditar que é preciso eliminar o sotaque para ser considerado fluente. O aluno pode ter uma pronúncia clara, ser compreendido e conduzir uma conversa com segurança, mantendo características da sua língua materna”, explica Leiza Oliveira, CEO da Minds Idiomas.
Sotaque e erro não são a mesma coisa
Fluência envolve compreender o interlocutor, organizar o pensamento, encontrar palavras adequadas e sustentar uma conversa. A pronúncia faz parte desse conjunto e precisa ser trabalhada especialmente quando determinados sons, ritmo ou entonação dificultam o entendimento.
Isso é diferente de tentar reproduzir integralmente a maneira como um falante nativo se expressa. O sotaque carrega características da língua materna e sua presença, por si só, não significa que alguém fale inglês incorretamente.
O problema surge quando a busca por perfeição começa a inibir a comunicação. Alguns estudantes tentam dominar regras, ampliar o vocabulário e corrigir toda a pronúncia antes de se permitirem conversar. Mas parte dessas habilidades é desenvolvida justamente enquanto o idioma é utilizado.
Falar mais pode ser mais importante do que tentar esconder o sotaque
A insegurança ganha peso especial em situações profissionais, nas quais uma pessoa pode conhecer o idioma e ainda evitar reuniões, apresentações ou conversas por receio da própria fala. No levantamento da ETS, 83% dos empregadores globais relatam impactos para as empresas quando profissionais não possuem habilidades suficientes em inglês, incluindo questões relacionadas à produtividade e retenção.
Entre as recomendações para desenvolver segurança estão praticar desde os primeiros níveis, concentrar a correção nos sons que realmente prejudicam a compreensão, ouvir pessoas com diferentes sotaques e gravar a própria voz para acompanhar a evolução.
“O aluno precisa entender que sotaque e erro são coisas diferentes. O sotaque faz parte da identidade, enquanto os erros fazem parte do aprendizado. O importante é não transformar o medo de errar em medo de falar”, resume Leiza.
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