Ciência e Tecnologia • 18:54h • 14 de setembro de 2026
Mapa com 47 milhões de galáxias pode mudar o que sabemos sobre o destino do Universo
Levantamento tridimensional acompanha 11 bilhões de anos da história cósmica e investiga se a energia escura muda com o tempo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Revista Pesquisa Fapesp | Foto: Divulgação
O maior mapa tridimensional de alta resolução do Universo já produzido reúne mais de 47 milhões de galáxias e quasares, além de 20 milhões de estrelas próximas usadas para estudar a Via Láctea. O levantamento foi concluído antes do prazo pelo Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (Desi), instalado no Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona, Estados Unidos.
O projeto previa observar 34 milhões de galáxias e quasares ao longo de cinco anos, mas ultrapassou a meta em 13 milhões de objetos. Ao medir a luz emitida por corpos celestes distantes, o instrumento calcula localização, velocidade e composição química, permitindo reconstruir a distribuição da matéria em diferentes momentos da história cósmica.
A comparação entre a forma como as galáxias se agrupavam no passado e sua organização atual permitiu rastrear a influência da energia escura durante aproximadamente 11 bilhões de anos. Essa força invisível representa cerca de 70% do Universo e está associada à aceleração de sua expansão.
Energia escura pode não ser constante
Os dados dos três primeiros anos do Desi levantaram a possibilidade de que a energia escura esteja evoluindo com o tempo, contrariando o modelo que a descreve como uma constante cosmológica. O resultado ainda precisa ser confirmado por análises mais amplas.
Caso essa variação seja comprovada, os cientistas terão de rever parte das explicações sobre a evolução e o possível destino do Universo. Esse futuro depende do equilíbrio entre a matéria, que exerce atração gravitacional, e a energia escura, relacionada à expansão acelerada do espaço.
O Desi utiliza 5 mil fibras ópticas posicionadas roboticamente para captar a luz dos objetos. Em cerca de 20 minutos, o equipamento consegue observar milhares de alvos e, após uma rápida reconfiguração, direcionar suas fibras para outra região do céu. O projeto é gerenciado pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley.
Mapeamento continuará até 2028
Embora tenha encerrado o levantamento originalmente planejado, o Desi continuará operando até 2028. A nova etapa deve ampliar em cerca de 20% a área mapeada, de 14 mil para 17 mil graus quadrados, e incluir regiões mais difíceis de observar próximas ao plano da Via Láctea.
Os primeiros resultados sobre energia escura baseados no conjunto completo dos cinco anos são esperados para 2027. A extensão do projeto também investigará galáxias mais distantes, correntes de estrelas e pequenas galáxias próximas para aprofundar os estudos sobre a matéria escura.
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