Responsabilidade Social • 11:25h • 31 de agosto de 2025
Mais de 28 mil morrem por calor associado ao desmatamento
Efeitos são ainda mais graves em países de baixa renda, diz estudo
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

Um estudo internacional divulgado na quarta-feira (27) analisou os efeitos do desmatamento de florestas tropicais sobre a saúde humana. Pela primeira vez, a pesquisa adotou uma escala pantropical, abrangendo as regiões das Américas, África e Ásia.
Os resultados mostram que, em todas essas áreas, existe uma relação direta entre perda de floresta, aumento da temperatura local e elevação da mortalidade. A estimativa é de aproximadamente 28 mil mortes por ano, quase todas evitáveis.
O trabalho foi publicado na revista Nature Climate Change e contou com a liderança do Instituto de Ciência do Clima e Atmosfera da Universidade de Leeds, no Reino Unido, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Kwame Nkrumah de Ciência e Tecnologia, em Gana.
Entre 2001 e 2020, cerca de 345 milhões de pessoas foram expostas ao aquecimento gerado pelo desmatamento em regiões tropicais. Nesse período, a temperatura média da superfície terrestre subiu 0,27 °C durante o dia. Segundo os pesquisadores, esse aumento aparentemente pequeno tem efeitos significativos sobre a mortalidade.
O impacto mais grave para a saúde é a estimativa de 28.330 mortes anuais relacionadas ao calor provocado pelo desmatamento, com intervalo de confiança entre 23.610 e 33.560 mortes. O Sudeste Asiático concentra o maior número de vítimas, com 15.680 por ano, impulsionado pela vulnerabilidade da população da Indonésia. A África tropical soma 9.890 mortes anuais, e as Américas Central e do Sul chegam a 2.520.
A perda de cobertura florestal no período analisado foi de 1,6 milhão de km², sendo 760 mil km² nas Américas, 490 mil km² no Sudeste Asiático e 340 mil km² na África. Nas áreas preservadas, a elevação média de temperatura foi de 0,20 °C, enquanto nas regiões desmatadas chegou a 0,70 °C — mais de três vezes acima da média.
O estudo também alerta para os impactos sobre o trabalho. Apenas entre 2003 e 2018, 2,8 milhões de trabalhadores em áreas tropicais foram expostos a níveis de calor acima do limite seguro para atividades ao ar livre. Essa exposição prejudica o desempenho físico e cognitivo e está associada a doenças cardiovasculares e maior mortalidade.
Esses efeitos são ainda mais graves em países de baixa renda, onde faltam recursos para adaptação, como o uso de ar-condicionado. Populações mais pobres, que dependem diretamente dos ecossistemas florestais, acabam sofrendo tanto com o calor extremo quanto com a falta de infraestrutura de saúde para enfrentar os impactos.
Para a pesquisadora da Fiocruz Piauí, Beatriz Oliveira, coautora do estudo, a preservação das florestas vai além da regulação
climática. Segundo ela, conservar esses ecossistemas é também uma questão de saúde pública, pois reduz mortes por calor e garante melhores condições de vida às comunidades em situação de vulnerabilidade.
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