Mundo • 15:37h • 23 de outubro de 2026
Mais de 2 milhões de idosos continuam no mercado de trabalho em São Paulo, aponta pesquisa
Levantamento da Fundação Seade mostra crescimento de 26% na ocupação de pessoas com 60 anos ou mais desde 2019; trabalho por conta própria é o mais comum
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Divulgação
O estado de São Paulo tinha 2,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais na força de trabalho no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 26,5% da população idosa paulista. O levantamento da Fundação Seade, elaborado com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a participação dessa faixa etária no mercado de trabalho cresceu nos últimos sete anos, com destaque para o avanço da ocupação feminina e do trabalho por conta própria.
Entre 2019 e 2026, o número de idosos ocupados aumentou 26%, representando 441 mil pessoas a mais trabalhando. O crescimento foi superior ao registrado entre todos os trabalhadores do estado, que ficou em 10,3% no mesmo período. Entre as mulheres com 60 anos ou mais, a expansão chegou a 31,3%.
A presença no mercado de trabalho varia conforme a idade e o sexo. Entre os homens de 60 a 69 anos, 53,4% integravam a força de trabalho, enquanto entre as mulheres da mesma faixa etária o percentual era de 28,8%. A partir dos 70 anos, a participação caía para 17,4% entre os homens e 5,8% entre as mulheres.
Trabalho por conta própria lidera entre idoso
O levantamento revela que 40,2% dos idosos ocupados trabalham por conta própria, proporção que sobe para 53,9% entre aqueles com 70 anos ou mais. Os dados mostram a importância das atividades autônomas para a permanência dessa população no mercado.
Ao mesmo tempo, cresceu a participação de trabalhadores idosos com carteira assinada. Entre os homens, o percentual passou de 20,9% em 2019 para 27,3% em 2026. Entre as mulheres, avançou de 11,2% para 20,6%.
O setor de serviços concentra a maior parte das ocupações. Entre as mulheres idosas, 51,8% trabalhavam nesse segmento em 2026, enquanto entre os homens a participação era de 45%.
Idosos têm rendimentos médios mais elevados, mas diferença entre homens e mulheres persiste
Segundo a Fundação Seade, os trabalhadores com 60 anos ou mais apresentaram os maiores rendimentos médios entre as faixas etárias analisadas, embora os valores tenham registrado redução real, descontada a inflação, entre 2019 e 2026.
No segundo trimestre deste ano, os homens idosos recebiam, em média, R$ 5.612,38 mensais, enquanto as mulheres tinham rendimento médio de R$ 4.137,34, uma diferença de aproximadamente R$ 1,5 mil.
A desigualdade também aparece no valor recebido por hora trabalhada, de R$ 35,17 para homens e R$ 29,85 para mulheres. Entre trabalhadores com 70 anos ou mais, os valores médios por hora eram ainda maiores, chegando a R$ 43,93 e R$ 37,98, respectivamente.
Os resultados mostram uma presença crescente da população idosa no mercado de trabalho paulista, especialmente em atividades autônomas, ao mesmo tempo em que permanecem diferenças importantes de participação e remuneração entre homens e mulheres.
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