Saúde • 12:35h • 24 de agosto de 2026
Leite depois dos 50: por que cálcio e proteínas ganham ainda mais importância nessa fase da vida
Manutenção dos músculos, saúde dos ossos e autonomia no envelhecimento dependem de uma alimentação adequada; versões sem lactose e A2 ampliam as alternativas para quem sente desconforto
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Textual Comunicação | Foto: Divulgação
Depois dos 50 anos, preservar músculos, ossos e capacidade funcional passa a ocupar um espaço ainda maior nos cuidados com a alimentação. Nesse cenário, o leite pode continuar fazendo parte da rotina por reunir proteínas de alto valor biológico e cálcio, nutrientes importantes para um envelhecimento saudável.
O alimento também fornece aminoácidos essenciais, entre eles a leucina, relacionada à síntese de proteínas musculares. Associada à prática de atividade física e a uma alimentação equilibrada, a ingestão adequada de proteínas contribui para preservar massa muscular, força e independência ao longo dos anos.
Apesar disso, algumas pessoas diminuem ou abandonam o leite à medida que envelhecem por perceberem desconfortos digestivos. Para o nutricionista e pesquisador João Paim, antes de excluir o alimento, é importante investigar o que provoca os sintomas.
“À medida que envelhecemos, a necessidade de nutrientes como proteínas e cálcio se torna ainda mais relevante para a manutenção da massa muscular, da saúde dos ossos e da capacidade funcional. Por isso, antes de retirar o leite da alimentação, é importante entender a origem do desconforto e identificar quais alternativas podem ajudar a manter esse consumo”, explica.
Nem todo desconforto com leite tem a mesma origem
Uma das possibilidades é a intolerância à lactose, caracterizada pela dificuldade de digerir o açúcar naturalmente presente no leite. Para pessoas diagnosticadas com essa condição, existem versões zero lactose.
Outra alternativa disponível é o leite A2, que contém naturalmente apenas a proteína beta-caseína A2. O leite convencional, por sua vez, apresenta beta-caseínas A1 e A2. Há ainda produtos A2 zero lactose, que combinam as duas características.
Um estudo clínico publicado em 2024 comparou o consumo do leite exclusivamente A2 com o convencional em adultos que relatavam desconfortos gastrointestinais. Foram observadas diferenças em alguns sintomas, com menor ocorrência de dor abdominal, urgência fecal e borborigmos, os chamados roncos abdominais, após o consumo de A2. Outros sintomas, entretanto, apresentaram resultados diferentes.
Os achados indicam que a resposta gastrointestinal ao leite pode envolver fatores além da lactose. Por isso, quando os sintomas persistem mesmo com a retirada desse açúcar, a orientação é buscar uma avaliação individualizada em vez de simplesmente eliminar o alimento da dieta.
Proteína e cálcio entram na estratégia para envelhecer bem
A importância do leite nessa fase não está apenas na presença do cálcio. As proteínas também ganham relevância conforme o envelhecimento avança, especialmente para preservar a musculatura e a capacidade de realizar atividades cotidianas com independência.
As diferentes versões podem ser consumidas puras ou utilizadas em receitas, permitindo adequar a escolha às necessidades individuais sem necessariamente abrir mão dos nutrientes encontrados no alimento.
Essa adaptação faz parte de uma discussão mais ampla sobre alimentação e longevidade. Em vez de adotar restrições de maneira generalizada, a proposta é identificar necessidades individuais e construir uma dieta que ajude a preservar força, saúde óssea e autonomia.
“O leite é um alimento nutricionalmente muito interessante, além de versátil, prático, seguro e com um excelente custo-benefício. O mais importante é entender que, atualmente, existem alternativas que permitem adaptar o consumo às necessidades individuais”, afirma Paim.
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