Saúde • 18:49h • 12 de junho de 2026
Junho Vermelho: uso de canabidiol impede a doação de sangue? Entenda as regras
Especialista explica que o tratamento com canabidiol não impede automaticamente a doação e orienta pacientes a informar o uso durante a triagem
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Onix Press | Foto: Divulgação
Com a chegada do Junho Vermelho e a celebração do Dia Mundial do Doador de Sangue, em 14 de junho, domingo, uma dúvida tem surgido com frequência entre pacientes em tratamento com cannabis medicinal: afinal, quem utiliza canabidiol (CBD) pode doar sangue? A resposta, segundo especialistas, é que o tratamento não representa um impedimento automático, mas a avaliação depende dos critérios adotados por cada hemocentro.
A questão ganha relevância em um período tradicionalmente delicado para os bancos de sangue brasileiros. As baixas temperaturas e as férias escolares costumam reduzir o número de doadores justamente quando a demanda por transfusões e procedimentos médicos continua elevada. Ao mesmo tempo, cresce o número de brasileiros que utilizam medicamentos à base de cannabis. De acordo com o Anuário 2025 da Kaya Mind, já são mais de 873 mil pacientes em tratamento no país.
CBD não é impedimento automático para doar
Segundo a médica Mariana Maciel, que atua na biotech canadense Thronus Medical, o uso de canabidiol não aparece como contraindicação direta nas orientações gerais do Ministério da Saúde. No entanto, a decisão final cabe ao hemocentro responsável pela coleta.
"Existe muito mito sobre esse assunto, e isso acaba afastando pessoas que poderiam contribuir com os estoques de sangue. O uso de cannabis medicinal não elimina automaticamente a possibilidade de doação, mas é fundamental que o paciente informe o tratamento durante a triagem e apresente a prescrição médica", explica a especialista.
Ela ressalta que, em muitos casos, a avaliação leva em conta não apenas o medicamento utilizado, mas também a condição clínica que motivou o tratamento.
Transparência na triagem é fundamental
Entre as principais orientações para quem faz uso de cannabis medicinal está não interromper o tratamento por conta própria para tentar doar sangue. A recomendação é consultar previamente o hemocentro e esclarecer as regras específicas da instituição.
Pacientes que utilizam medicamentos com THC, por exemplo, também devem informar o uso durante a entrevista clínica. Isso não significa, necessariamente, que a doação será recusada, mas permite que a equipe técnica faça uma avaliação individualizada e segura.
Outro ponto importante é levar a receita médica e responder com sinceridade a todas as perguntas realizadas na triagem, procedimento criado justamente para proteger tanto quem doa quanto quem irá receber o sangue.
Regras podem variar entre os hemocentros
Embora o Ministério da Saúde estabeleça diretrizes gerais para a doação, cada serviço de hemoterapia possui autonomia para definir critérios complementares de avaliação clínica. Isso explica por que um paciente pode ser considerado apto em um hemocentro e, eventualmente, receber uma orientação diferente em outro.
Para a Dra. Mariana, a melhor estratégia é simples: buscar informação antes de sair de casa. "Em algumas situações, o fator que pesa na avaliação não é a cannabis medicinal, mas a própria doença que está sendo tratada. Por isso, vale a pena entrar em contato com o hemocentro e esclarecer qualquer dúvida antecipadamente", orienta.
Em um momento em que os estoques de sangue costumam registrar queda, ampliar o acesso à informação pode ajudar a reduzir mitos e incentivar que mais pessoas aptas participem desse gesto que salva vidas.
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