Saúde • 09:27h • 14 de setembro de 2026
Internações de idosos por gripe crescem 153% e reforçam alerta para infarto e AVC
Influenza pode elevar temporariamente o risco de complicações cardiovasculares, sobretudo entre pessoas com mais de 60 anos e doenças preexistentes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mention | Foto: Arquivo/Âncora1
As internações de pessoas com 60 anos ou mais por Síndrome Respiratória Aguda Grave associada à influenza aumentaram 153% no Brasil entre janeiro e a segunda semana de março de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados do SIVEP-Gripe. O avanço reforça a atenção durante os meses mais frios, quando o Instituto Nacional de Cardiologia registra crescimento médio de até 30% nos casos de infarto e de 20% nas ocorrências de Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Embora os sintomas respiratórios e cardiovasculares possam parecer problemas distintos, uma infecção provoca uma resposta inflamatória no organismo e aumenta a sobrecarga sobre o coração. Essa combinação exige cuidado especial entre idosos, pessoas com hipertensão, diabetes ou diagnóstico prévio de doença cardiovascular.
Segundo Rafael Figueroa, CEO e cofundador do Portal Telemedicina, a piora do cansaço, falta de ar, dor no peito ou alterações neurológicas durante um quadro de gripe requer avaliação rápida. “Uma gripe não deve ser vista como um evento isolado em idosos, hipertensos, diabéticos ou pessoas que já possuem doença cardiovascular”, afirma.
Risco de infarto aumenta após a infecção
A ligação entre influenza e complicações cardiovasculares também foi identificada em estudos internacionais. Uma pesquisa publicada no New England Journal of Medicine apontou que a incidência de hospitalização por infarto foi 6,05 vezes maior nos sete dias posteriores à confirmação laboratorial da gripe, em comparação com os períodos de controle analisados.
Outro estudo divulgado pela mesma publicação constatou uma elevação temporária no risco de infarto e AVC depois de infecções respiratórias. Os resultados não significam que toda pessoa com gripe desenvolverá uma complicação, mas indicam a necessidade de acompanhamento mais atento nos dias seguintes, principalmente entre pacientes vulneráveis.
A avaliação precoce pode ajudar a diferenciar sintomas comuns da infecção de sinais que exigem atendimento presencial ou encaminhamento imediato. A telemedicina pode ser utilizada como primeiro contato para analisar o histórico do paciente e orientar a procura pelo serviço adequado, mas não substitui o atendimento de urgência diante de dor no peito, dificuldade intensa para respirar ou alterações neurológicas.
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