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Mundo • 07:57h • 23 de janeiro de 2025

Instituto de Criminalística de SP completa 100 anos: saiba como é o trabalho de desvendar crimes

Com base científica, laudos periciais são provas essenciais para revelar a verdade, ajudando a condenar culpados ou comprovar a inocência de alguém

Agência SP | Foto: SSP/Governo de SP

O Instituto de Criminalística já realizou mais de 404 mil laudos e examinou 15,5 mil armas, 781 mil munições, além mais de 1 tonelada de drogas sólidas e 1,6 mil litros de lança-perfume.
O Instituto de Criminalística já realizou mais de 404 mil laudos e examinou 15,5 mil armas, 781 mil munições, além mais de 1 tonelada de drogas sólidas e 1,6 mil litros de lança-perfume.

O trabalho dos profissionais que atuam no maior Instituto de Criminalística (IC) da América Latina, localizado no Butantã, zona oeste de São Paulo, é usado como exemplo em filmes e como principal fonte em documentários. Com o auxílio da tecnologia e uma análise minuciosa, os profissionais desvendam tanto a dinâmica de crimes ou acidentes quanto quem são os culpados por meio do fornecimento de provas técnicas sobre locais, materiais, objetos, instrumentos e pessoas, o que tem garantido, há exatos 100 anos, que a justiça seja feita de forma cada mais certeira.

Baseados em princípios científicos, os laudos emitidos pelos peritos servem como provas imprescindíveis à verdade dos fatos, sendo elementos cruciais para que a Justiça determine a sentença de criminosos e até mesmo inocente pessoas injustiçadas há anos, como aconteceu com um homem em Barueri. Ele foi condenado a uma pena de 137 anos, mas, por meio do avanço da tecnologia e nas análises periciais, o Núcleo de Biologia e Bioquímica do IC conseguiu comprovar, com coletas de materiais genéticos, quem era o verdadeiro criminoso.

O titular do Centro de Perícias, Ricardo Ortega, conta que com o passar dos anos os criminosos se sofisticaram, tornando cada vez mais difícil desvendar suas ações, no entanto, os peritos geralmente conseguem estar um passo à frente. “Temos profissionais, mestres e doutores, além de uma tecnologia de ponta, que às vezes parecem de outro mundo, para elucidar esses casos e fazer justiça”, afirma.


Munições e drogas para serem examinadas. Foto: SSP/Governo de SP

Desde janeiro de 2023, o Instituto de Criminalística realizou mais de 404 mil laudos e examinou 15,5 mil armas, 781 mil munições, além mais de 1 tonelada de drogas sólidas e 1,6 mil litros de lança-perfume.

Principais tecnologias usadas no IC

Entre as tecnologias mais usadas estão os microscópios eletrônicos de varredura que ampliam em até 400 mil vezes qualquer partícula; o drone georradar que sobrevoa regiões e consegue detectar ossos, drogas e armas; além de um equipamento de cromatografia a gás (CG), que permite a separação e determinação de compostos orgânicos e inorgânicos, essencial para identificar novas drogas — inclusive, o Núcleo de Exames de Entorpecentes de São Paulo tem auxiliado constantemente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na atualização da lista de drogas ilícitas, com impacto em todo o Brasil.

Há ainda o ForenScope 4K, que possui luzes e filtros forenses para detectar fragmentos biológicos; e uma aparelhagem responsável por realizar levantamento 3D de todo o local do crime, o que permite fornecer detalhes da trajetória balística, além de diversos outros equipamentos.

As equipes que trabalham no IC da capital paulista também dão auxílio aos demais profissionais espalhados pelo estado. Para o aprimoramento dos trabalhos, o instituto, que faz parte da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC) de São Paulo, tem convênio com faculdades renomadas como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de parcerias com a Polícia Federal e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Essa cooperação permite a busca por novas técnicas de exames periciais, como a identificação de novas substâncias psicoativas, além da realização de pesquisas e descobertas inovadoras divulgadas pelo mundo inteiro.

Divisão em núcleos

O IC é responsável pela apuração de quase todo tipo de caso e, para isso, é dividido em diferentes núcleos com profissionais específicos. O Núcleo de Acidente de Trânsito é um dos mais demandados, com a atribuição tanto de desvendar a dinâmica dos fatos quanto de fazer a devida verificação de placas de veículos, chassis e outros componentes que não estão necessariamente relacionados ao acontecimento, mas a crimes de fato. Por meio dos mais elaborados cursos com empresas fabricantes de veículos, os peritos também auxiliam pastas, como a própria Secretaria da Segurança Pública, por exemplo, na indicação de compra de viaturas.

O Núcleo de Perícias de Informática é responsável por todos os computadores, celulares e tablets apreendidos em ações policiais. São os profissionais desse setor que, após a quebra do sigilo pela Justiça, conseguem desvendar casos de pornografia infantil, estelionato, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, crimes de criptomoedas, entre outros. Os softwares usados pelos peritos permitem desde a quebra de senha do aparelho e até mesmo, a depender da ocorrência, a recuperação de mensagens e documentos apagados.

Há também o Núcleo de Crimes Contra a Pessoa, que desvenda homicídios, latrocínios e suicídios por meio de exames extremamente precisos que visam identificar, principalmente a dinâmica e o autor do ocorrido. Uma das principais técnicas usadas pelos peritos nesses casos é a luminescência, com produção de luz a partir de uma reação química. É com isso que eles conseguem encontrar vestígios de sangue em determinados lugares, mesmo quando o local já foi higienizado.


Identificação de sangue usa a luminescência. Foto: SSP/Governo de SP

Já o trabalho feito pelo Núcleo de Documentocospia analisa documentos, contratos, cheques, cartas, selos de bebidas, dinheiro, atestados médicos, entre outros. Recentemente, os peritos conseguiram impedir que um homem fosse cobrado indevidamente por um contrato de aluguel no qual não tinha assinado, apesar de estar em seu nome.

Outros setores como o Laboratório de Balística, o de engenharia, física, crimes contra o patrimônio, entorpecentes, biologia e bioquímica — que além de elucidar casos de abusos sexuais, também é essencial para identificar materiais genéticos em cenas de crimes e pessoas desaparecidas —, entre outros núcleos, têm contribuído, de forma cada vez mais avançada, para que a Justiça seja realizada em todo o estado de São Paulo.

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