Ciência e Tecnologia • 08:54h • 31 de agosto de 2026
Impressão 3D dá nova chance a animais que precisam de próteses no Paraná
Projeto desenvolvido em Guarapuava vai produzir dez dispositivos sob medida para nove animais com limitações ortopédicas; entre eles está a gata Matilda
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da JN Assessoria | Foto: Divulgação
Uma gata que perdeu os dedos de uma das patas traseiras ainda nos primeiros meses de vida está entre os animais que receberão órteses e próteses produzidas com impressão 3D em um projeto desenvolvido em Guarapuava, no Paraná. A iniciativa da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em parceria com o Cilla Tech Park, prevê a fabricação de dez dispositivos para nove animais da região.
Matilda chegou à Clínica Escola Veterinária da Unicentro com apenas dois meses e um grave traumatismo na pata traseira. A lesão exigiu a amputação dos dedos e comprometeu sua locomoção. O caso acabou contribuindo para o desenvolvimento da pesquisa coordenada pela professora Liane Ziliotto.
A proposta é utilizar a impressão 3D para criar dispositivos veterinários sob medida e mais acessíveis, em uma área na qual esse tipo de solução ainda tem acesso limitado. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) citados pelo projeto, o Brasil reúne cerca de 160 milhões de pets e possui a terceira maior população de animais de estimação do mundo.
Matilda ajudou a inspirar o projeto e acabou ganhando uma família
A ideia começou a tomar forma com Arthur Buaski, estudante de Medicina Veterinária e aluno de iniciação científica. Após conhecer o trabalho de um professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que utilizava impressão 3D para planejamento cirúrgico, ele enxergou a possibilidade de levar a tecnologia também para órteses e próteses veterinárias.
Gatinha Matilda, do estudante de veterinária Arthur Buaski deu início ao projeto de iniciação científica que resultou na impressão de próteses 3D realizadas pelo Cilla Tech Park | Foto: Buaski/Arquivo Pessoal
Matilda já poderia ser uma das participantes da pesquisa. A relação entre os dois, porém, ultrapassou o projeto acadêmico. O estudante acolheu a gata durante o tratamento e, depois de cinco meses de convivência, acabou adotando-a definitivamente.
“Ela é minha primeira gata. Me acostumei com ela em casa e, quando a tutora disse que não queria mais ficar com a Matilda, decidi adotá-la”, conta Arthur.
Da universidade para a impressora 3D
Para transformar a pesquisa em dispositivos, a Unicentro encontrou no Cilla Tech Park, instalado na Cidade dos Lagos, a estrutura tecnológica necessária para o desenvolvimento. Segundo Felipe Gorgo Kiçula, coordenador do Espaço Maker, foram necessários cerca de três meses para desenvolver as próteses e mais 30 dias para os ajustes finais.
A parceria aproxima conhecimento veterinário e fabricação digital para atender necessidades específicas de cada animal. “Quando conhecemos o Cilla, encontramos um parceiro que tornou possível transformar a pesquisa em uma possibilidade terapêutica real aos nossos pacientes”, afirma a professora Liane Ziliotto.
Com Matilda e outros oito animais entre os pacientes, o projeto mostra uma aplicação da impressão 3D que vai além dos laboratórios: produzir dispositivos personalizados capazes de auxiliar animais que convivem com limitações ortopédicas.
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