Saúde • 13:12h • 21 de janeiro de 2026
IMC é ponto de partida, não sentença, no cuidado com o excesso de peso
Especialista explica como interpretar o índice, quando agir e por que a avaliação clínica é decisiva no tratamento do excesso de peso
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Medellin Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O Índice de Massa Corporal, IMC, é uma das métricas mais conhecidas na área da saúde e também uma das que mais geram dúvidas entre pacientes. Calculado a partir da relação entre peso e altura, o indicador é utilizado como ponto de partida para orientar condutas médicas, que podem variar de ajustes no estilo de vida a tratamentos clínicos ou cirúrgicos, conforme cada caso. Segundo especialistas, o número isolado não define decisões e precisa ser interpretado dentro de um contexto mais amplo.
Para o médico José Afonso Sallet, do Instituto de Medicina Sallet, o IMC é uma ferramenta inicial, útil para triagem e acompanhamento, mas não deve ser visto como diagnóstico definitivo. A avaliação completa envolve histórico do paciente, presença de doenças associadas e análise do estilo de vida.
O que o excesso de peso revela hoje
O especialista destaca que o crescimento do sobrepeso e da obesidade está relacionado a múltiplos fatores, com forte influência do comportamento moderno. A combinação entre avanço tecnológico, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados tem contribuído para o aumento de peso em diferentes faixas etárias. Fatores genéticos interferem, mas não explicam sozinhos o cenário atual.
De acordo com a Organizacao Mundial da Saude, a obesidade corresponde ao acúmulo excessivo de gordura corporal e está associada a doenças como hipertensão, diabetes, apneia do sono, problemas articulares, cálculos na vesícula e alguns tipos de câncer, o que reforça a importância do diagnóstico e do acompanhamento adequados.
Como interpretar os números do IMC
A classificação tradicional segue faixas amplamente adotadas na prática clínica:
- abaixo de 18,5, abaixo do peso;
- 18,5 a 24,9, peso considerado normal;
- 25 a 29,9, sobrepeso;
- 30 ou mais, obesidade.
A partir dessa referência, o olhar clínico passa a ser determinante para definir a conduta mais indicada.
Exemplos de conduta médica
Em casos de IMC 28, enquadrado como sobrepeso, não se trata ainda de obesidade grau 1. Nessa situação, a orientação costuma incluir mudanças comportamentais estruturadas, acompanhamento nutricional e prática regular de atividade física, preferencialmente ao menos três vezes por semana. O uso de medicação pode ser considerado, conforme a avaliação individual.
Já em um IMC 39, classificado como obesidade importante, torna-se essencial investigar doenças associadas, como hipertensão, diabetes, apneia do sono e alterações metabólicas. Antes de uma cirurgia, existem alternativas intermediárias, como balão intragástrico, gastroplastia endoscópica e, em alguns casos, associação com medicamentos injetáveis, sempre sob indicação médica.
No caso de IMC 44, caracterizado como obesidade grave, o tratamento cirúrgico costuma apresentar melhores resultados. Técnicas consolidadas podem promover perda de 25% a 30% do peso em um período de um a dois anos, com manutenção dos resultados quando há acompanhamento contínuo.
Avaliação especializada é indispensável
Segundo o Dr. José Afonso Sallet, o IMC não deve ser utilizado de forma isolada para decisões terapêuticas. O cálculo não justifica automedicação nem escolhas feitas sem orientação profissional. A avaliação integral permite estabelecer metas realistas, definir a melhor abordagem e ajustar o tratamento ao longo do tempo, respeitando as particularidades de cada paciente.
Mais do que apontar números, o IMC funciona como um sinal de alerta. Quando interpretado corretamente e aliado a acompanhamento especializado, ele se torna um aliado importante na promoção da saúde e na prevenção de doenças relacionadas ao excesso de peso.
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