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Classificados • 18:35h • 05 de abril de 2026

IA virou básico: o que realmente define quem cresce no novo mercado

Especialistas alertam que dominar IA não basta: adaptação, foco e pensamento crítico passam a definir quem avança no mercado

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Key Press | Foto: Arquivo/Âncora1

Futuro do trabalho já começou e exige novas habilidades além da tecnologia
Futuro do trabalho já começou e exige novas habilidades além da tecnologia

A transformação do mercado de trabalho já está em curso e vem sendo descrita por especialistas como a “década da desorientação”, um período marcado por mudanças aceleradas, excesso de informação e pressão constante por adaptação. Impulsionado pela inteligência artificial, esse novo cenário não exige apenas domínio tecnológico, mas uma mudança profunda na forma de trabalhar.

O tema ganhou destaque no SXSW 2026, um dos principais eventos globais de inovação, realizado em março nos Estados Unidos, onde pesquisadores e especialistas apontaram um ponto central: o desafio atual não é acompanhar a tecnologia, mas lidar com a complexidade crescente do trabalho.

Segundo a neurocientista Carol Garrafa, especialista em comportamento e formação de equipes de alta performance, o ambiente profissional se tornou mais rápido, mas não necessariamente mais claro. “A tecnologia aumentou a velocidade, mas não a clareza. Hoje as pessoas lidam com mais informação, mais decisões e mais pressão ao mesmo tempo. Isso exige capacidade de priorização, análise crítica e segurança na tomada de decisão”, afirma.

Problemas mais complexos exigem pensamento mais estratégico

Uma das principais mudanças está na natureza dos problemas. Se antes eram mais lineares, hoje envolvem múltiplas áreas, variáveis e impactos simultâneos. Nesse contexto, ganha força o pensamento sistêmico, que permite enxergar conexões e tomar decisões mais consistentes. “Os problemas não estão mais isolados. Quem não consegue entender o todo tende a simplificar demais e errar mais”, explica Carol.

IA deixa de ser diferencial e vira requisito básico

Com a inteligência artificial cada vez mais presente no dia a dia, saber usar ferramentas já não diferencia profissionais. O que passa a ser valorizado é a capacidade de interpretar, questionar e validar as respostas geradas pela tecnologia. “A IA entrega rápido e com aparência de qualidade. O risco é aceitar sem questionar. O diferencial está no senso crítico”, destaca.

A especialista também alerta para um impacto importante na formação de novos profissionais. O acesso facilitado à informação pode acelerar o aprendizado, mas reduzir a profundidade. “Aprender envolve esforço, erro e reflexão. Quando tudo vem pronto, existe o risco de formar profissionais com menos repertório”, afirma.

Falta de alinhamento gera desgaste nas empresas

Outro desafio crescente está no desalinhamento entre empresas e profissionais. Diferenças sobre produtividade, autonomia e modelo de trabalho têm gerado ruídos, retrabalho e perda de eficiência. “Sem clareza, cada pessoa trabalha com uma lógica diferente. Isso gera desgaste e desconexão entre esforço e resultado”, explica.

Nesse cenário, habilidades como comunicação clara, negociação e alinhamento de expectativas passam a ser cada vez mais estratégicas.

Excesso de informação compromete foco e decisões

Se por um lado a tecnologia ampliou o acesso à informação, por outro trouxe um novo problema: a dificuldade de manter o foco. A rotina fragmentada, com múltiplos estímulos, impacta diretamente a qualidade das decisões. “As pessoas estão sempre ocupadas, mas nem sempre produtivas. Sem foco, as decisões tendem a ser mais rápidas e menos consistentes”, afirma Carol.

Colaboração e confiança ganham peso no resultado

Com desafios mais complexos, cresce também a necessidade de colaboração entre áreas. O trabalho deixa de ser individual e passa a depender da integração de diferentes competências.

Nesse contexto, a confiança se torna um ativo essencial dentro das organizações. “Sem confiança, o trabalho fica mais lento e defensivo. Isso impacta diretamente os resultados”, destaca. Além disso, com o apoio da tecnologia, decisões ganham escala e impacto ampliado, aumentando a responsabilidade sobre cada escolha.

O novo perfil profissional já está sendo exigido

A transformação não é mais uma tendência futura. Ela já redefine o que as empresas esperam dos profissionais. Habilidades como pensamento sistêmico, alfabetização em IA, capacidade de lidar com complexidade, foco, comunicação e colaboração passaram a ser determinantes para o desempenho.

“Muita gente ainda acha que precisa apenas aprender uma nova ferramenta. Mas o que está mudando é a forma de trabalhar. E isso exige ajustes mais profundos”, conclui Carol Garrafa.

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