Ciência e Tecnologia • 18:41h • 17 de maio de 2026
IA consegue detectar câncer no pâncreas antes mesmo de tumores aparecerem em exames
Sistema desenvolvido pela Mayo Clinic encontrou alterações invisíveis em tomografias consideradas normais e pode ampliar chances de tratamento precoce
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sherlock Assessoria | Foto: Divulgação
Pesquisadores da Mayo Clinic desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de identificar sinais precoces de câncer no pâncreas em tomografias computadorizadas realizadas anos antes do diagnóstico oficial da doença. O estudo, publicado na revista científica Gut, aponta que a tecnologia conseguiu detectar alterações sutis em exames considerados normais por especialistas, ampliando a possibilidade de diagnóstico precoce de um dos cânceres mais agressivos e letais da atualidade.
O modelo de IA, chamado Radiomics-based Early Detection Model (REDMOD), analisou quase 2 mil tomografias de abdômen realizadas por diferentes instituições e sistemas de imagem. Entre os exames avaliados estavam pacientes que, posteriormente, desenvolveram câncer pancreático.
Segundo os pesquisadores, o sistema conseguiu identificar 73% dos casos em fase pré-diagnóstica, com antecedência mediana de aproximadamente 16 meses antes da confirmação clínica da doença. O desempenho chamou ainda mais atenção nos casos iniciais. Em exames realizados mais de dois anos antes do diagnóstico, a IA detectou quase três vezes mais casos precoces do que especialistas analisando as imagens sem auxílio tecnológico.
Câncer pancreático segue entre os mais letais
O câncer no pâncreas continua sendo um dos tumores com maior taxa de mortalidade no mundo, principalmente pela dificuldade de identificação nos estágios iniciais.
De acordo com dados citados no estudo, mais de 85% dos pacientes recebem diagnóstico apenas após a disseminação da doença. As taxas de sobrevida em cinco anos permanecem abaixo de 15%, segundo o National Cancer Institute, dos Estados Unidos.
A projeção é que, até 2030, o câncer pancreático se torne a segunda principal causa de morte relacionada ao câncer no país. Para o radiologista e especialista em medicina nuclear da Mayo Clinic, Dr. Ajit Goenka, um dos autores do estudo, o maior desafio está justamente na detecção precoce.
“O maior obstáculo para salvar vidas que perdemos para o câncer no pâncreas é a incapacidade de identificar a doença quando ainda pode ser curada”, afirma. Segundo ele, a IA conseguiu encontrar características associadas ao câncer mesmo em pâncreas considerados aparentemente normais.
IA analisa textura e alterações invisíveis nas imagens
O REDMOD funciona a partir da análise de centenas de características quantitativas presentes nas imagens médicas, incluindo padrões de textura e alterações estruturais microscópicas nos tecidos. Esses sinais biológicos costumam surgir antes mesmo da formação de tumores visíveis em exames convencionais.
A proposta do sistema é justamente atuar sobre tomografias feitas por outros motivos clínicos, especialmente em pacientes considerados de maior risco, como pessoas com diabetes de início recente.
Outro diferencial apontado pelos pesquisadores é que o modelo funciona de forma automática, sem necessidade de preparação manual extensa dos exames. Os testes também mostraram estabilidade nos resultados ao longo do tempo. Pacientes que realizaram exames em diferentes períodos apresentaram análises consistentes feitas pela IA.
Tecnologia já avança para estudos clínicos
Os pesquisadores informaram que o projeto já avança para uma nova etapa, chamada AI-PACED, estudo clínico prospectivo voltado à integração da inteligência artificial no acompanhamento de pacientes com risco elevado para câncer pancreático.
O objetivo será avaliar como médicos poderão incorporar a tecnologia na rotina clínica, incluindo análise de falsos positivos, monitoramento longitudinal e impacto nos desfechos dos pacientes.
A pesquisa integra a iniciativa Precure, da Mayo Clinic, que busca antecipar o diagnóstico de doenças a partir da identificação de alterações biológicas precoces antes do surgimento dos sintomas.
O estudo recebeu apoio do National Institutes of Health, da Hoveida Family Foundation, do Mayo Clinic Comprehensive Cancer Center e do Champions for Hope Pancreas Cancer Research Program.
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