Saúde • 16:32h • 30 de maio de 2026
Hospitais vivem crise silenciosa causada por sistemas que não se comunicam
Fragmentação tecnológica aumenta risco de erros, gera retrabalho e pressiona financeiramente instituições de saúde no Brasil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Globalsys | Foto: Arquivo/Âncora1
Enquanto hospitais investem em prontuários eletrônicos, plataformas digitais e automação, um problema menos visível continua comprometendo a rotina da saúde brasileira: sistemas que simplesmente não se comunicam entre si. Em muitas instituições, informações clínicas, financeiras e operacionais seguem espalhadas em plataformas isoladas, criando uma cadeia de retrabalho, falhas de comunicação e decisões tomadas sem acesso ao quadro completo do paciente.
Prontuário eletrônico, laboratório, faturamento, estoque, ERP, agendamento e convênios. Um hospital de médio porte opera, em média, mais de oito sistemas diferentes e boa parte deles funciona de forma desconectada. O resultado é uma fragmentação tecnológica que impacta desde o atendimento médico até a sustentabilidade financeira das instituições.
Segundo o Conselho Nacional de Secretarias Estaduais de Saúde (Conass), diferentes áreas da saúde historicamente operam sem uma base de dados integrada, realidade que se repete tanto no sistema público quanto na rede privada.
Na prática, isso significa que um médico pode não ter acesso imediato ao histórico completo do paciente porque o sistema laboratorial não conversa com o prontuário. O setor financeiro pode enfrentar atrasos porque faturamento e convênios operam em plataformas separadas. Já os gestores hospitalares acabam tomando decisões baseadas em relatórios incompletos ou desencontrados.
Fragmentação aumenta custos e pressiona hospitais
O problema ganha peso em um momento de forte pressão econômica sobre o setor hospitalar brasileiro. Dados de 2025 mostram que a inflação médica chegou a aproximadamente 16,9% ao ano, muito acima do IPCA geral, que ficou em torno de 4,5%. Materiais hospitalares também acumularam alta próxima de 14% entre 2023 e 2024.
Nesse cenário, a ineficiência operacional deixa de ser apenas um problema técnico e passa a representar risco direto à sustentabilidade financeira das instituições.
Além disso, o avanço de fusões e aquisições no setor hospitalar criou grandes grupos que passaram a operar com diferentes sistemas herdados ao longo do tempo, formando verdadeiras “colchas de retalho” tecnológicas.
Segundo Eduardo Glazar, CSO da Globalsys, o problema não está necessariamente na existência de múltiplos sistemas, mas na incapacidade deles compartilharem dados em tempo real. “O que vemos na prática é que os hospitais não precisam jogar fora o que já construíram. Eles precisam fazer esses sistemas conversarem. É exatamente esse o problema que a Globalsys resolve: conectamos ambientes tecnológicos complexos, reduzimos o atrito entre plataformas e devolvemos ao gestor hospitalar uma visão unificada da operação”, afirma.
Integração reduz erros e melhora atendimento
Especialistas apontam que a integração tecnológica passou a ter impacto direto sobre qualidade assistencial, segurança do paciente e experiência hospitalar.
Quando as informações circulam de maneira integrada, hospitais conseguem reduzir duplicidade de dados, minimizar falhas operacionais, acelerar processos administrativos e melhorar a tomada de decisão clínica. Além disso, o compartilhamento automatizado de informações fortalece áreas críticas como faturamento, controle de estoque, gestão financeira e acompanhamento assistencial.
A tecnologia utilizada para isso já existe no mercado. Plataformas low-code e conectores especializados permitem integrar sistemas diferentes sem necessidade de substituir toda a estrutura tecnológica já existente dentro das instituições.
Segundo Glazar, o ganho vai muito além da área operacional. “Com dados integrados, o hospital ganha visibilidade real sobre sua operação, reduz erros, melhora a experiência do paciente e fortalece a governança financeira. Isso impacta diretamente competitividade, sustentabilidade e qualidade assistencial”, destaca.
Saúde digital avança, mas integração ainda é desafio
Embora a transformação digital avance rapidamente no setor de saúde, especialistas alertam que a verdadeira modernização depende menos da quantidade de sistemas implantados e mais da capacidade deles trabalharem de forma integrada.
Em um ambiente onde decisões médicas dependem de informação rápida, precisa e acessível, a fragmentação tecnológica passou a ser vista não apenas como um problema operacional, mas como um fator que pode afetar diretamente segurança, eficiência e qualidade no atendimento à população.
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