Variedades • 15:26h • 14 de março de 2026
Há 150 anos, o primeiro telefone iniciava a revolução na comunicação humana
Evolução na forma como nos comunicamos deu um salto a partir da metade dos anos 1990, com a Lei Geral de Telecomunicações e a criação da Anatel, pavimentando o caminho para a universalização dos serviços
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Anatel | Foto: Arquivo Âncora1
O dia 10 de março de 1876 ficou marcado na história como a data da primeira ligação telefônica registrada. O inventor britânico naturalizado norte-americano Alexander Graham Bell, em sua casa em Boston, nos Estados Unidos, chamou o assistente Thomas Watson, que estava em outro cômodo da residência, e disse a frase que entraria para a história: “Senhor Watson, venha aqui. Preciso vê-lo”. A data passou a ser celebrada como o Dia do Telefone.
Três dias antes dessa ligação, Bell havia obtido a patente do telefone, após uma disputa histórica sobre a autoria da invenção com outros inventores, entre eles Antonio Meucci. Poucos meses depois, em junho daquele mesmo ano, o então imperador do Brasil, Dom Pedro II, testou pessoalmente o aparelho durante uma exposição internacional realizada na cidade de Filadélfia, nos Estados Unidos. No ano seguinte, em 1877, a tecnologia chegou ao Brasil com a instalação de um dos primeiros telefones no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, onde atualmente funciona o Museu Nacional.
Apesar da novidade, o acesso ao telefone demorou a se popularizar no país. Durante mais de um século, o serviço foi privilégio de poucos. Ter uma linha telefônica fixa era considerado um patrimônio e muitas vezes precisava ser declarado no Imposto de Renda. Além disso, havia filas de espera que podiam durar anos para conseguir uma linha.
Expansão da telefonia no Brasil
Segundo o conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Octavio Pieranti, a realidade atual é muito diferente da de 150 anos atrás, quando os telefones fixos ficavam sobre as mesas e eram usados apenas para realizar chamadas. Hoje, os aparelhos se tornaram ferramentas multifuncionais, utilizadas para acessar bancos, redes sociais, aplicativos de mensagens e diversos serviços digitais.
Os números mostram essa transformação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1980 o Brasil tinha cerca de 121 milhões de habitantes, mas apenas 4,8 milhões de linhas telefônicas, o que indicava uma baixa densidade de telefonia. Nos Estados Unidos, onde Bell vivia, o serviço já era amplamente difundido nesse período.
Uma grande mudança ocorreu em 1997, com a aprovação da Lei Geral de Telecomunicações (LGT). A nova legislação reformulou o setor, abriu o mercado à concorrência e possibilitou a privatização do sistema Telebrás. No mesmo ano foi criada a Anatel, responsável por regular e fiscalizar os serviços de telecomunicações no país.
Com a criação da agência, o Estado brasileiro deixou de atuar como provedor direto do serviço e passou a desempenhar o papel de regulador. O foco passou a ser a universalização do acesso, estimulando investimentos em infraestrutura e ampliando a competitividade. Nesse contexto, foram criados instrumentos como o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), voltado à expansão da conectividade, inclusive em escolas e áreas rurais.
Evolução tecnológica da telefonia
A abertura do mercado e as metas de universalização impulsionaram um período de forte expansão tecnológica. O desafio regulatório também evoluiu, acompanhando a chegada de novas tecnologias. Hoje, o debate não se limita mais à instalação de telefones, mas à garantia de acesso a serviços digitais e ao avanço do país como uma economia conectada.
Pieranti explica que, ao longo dos quase 30 anos da Anatel, o objetivo continua sendo ampliar o acesso da população às telecomunicações. Atualmente, essa missão envolve principalmente a expansão da telefonia móvel e da internet.
No Brasil, existem cerca de 20 milhões de assinantes de telefonia fixa, enquanto a telefonia móvel ultrapassa 270 milhões de acessos. Tecnologias como o 5G, a liberação da faixa de 3,5 GHz e novos leilões de espectro têm papel importante na ampliação da conectividade.
A evolução tecnológica da telefonia passou por várias etapas. No final do século XIX e ao longo do século XX, a comunicação era feita por redes de voz baseadas em cabos e centrais telefônicas. Nos anos 1990 e 2000, com as tecnologias 2G e 3G, ocorreu a digitalização da telefonia móvel e os primeiros acessos à internet pelo celular, além da popularização das mensagens SMS.
Na década de 2010, a chegada do 4G trouxe banda larga móvel de alta velocidade, permitindo o uso massivo de aplicativos, redes sociais, serviços de streaming e diversas plataformas digitais. Já nos anos 2020, o 5G passou a oferecer maior velocidade, baixa latência e capacidade ampliada de conexão, possibilitando o avanço da Internet das Coisas, cidades inteligentes, automação industrial e novos serviços digitais.
Avanço do 5G no país
No Brasil, a expansão do 5G tem avançado rapidamente. O país encerrou o ciclo inicial de implantação com resultados acima das projeções previstas no edital do leilão da tecnologia, realizado em 2021. A liberação antecipada da faixa de 3,5 GHz para todos os municípios brasileiros, concluída em 2024 após um processo gradual iniciado em 2022, contribuiu para acelerar a expansão da rede.
Em fevereiro de 2026, o país já havia ultrapassado 58 milhões de linhas 5G ativas, o que representa cerca de 21,5% da base móvel nacional. O sinal da tecnologia está disponível para mais de 65% da população brasileira, alcançando mais de 2 mil municípios.
Com o avanço da infraestrutura e das redes móveis, o Brasil também melhorou sua posição em rankings internacionais de conectividade. Dados do Speedtest Global Index, da empresa Ookla, indicam que o país saiu de posições próximas ao 80º lugar em 2022 para figurar entre os 50 países com maior velocidade média de download em medições recentes.
Em relatórios de desempenho de redes móveis, como os realizados pela consultoria Opensignal, o Brasil também passou a aparecer entre os líderes globais em velocidade do 5G. Em levantamento divulgado em 2025, o país ocupou a terceira posição mundial em velocidade média de download, atrás apenas de Coreia do Sul e Singapura.
O futuro das telecomunicações
Mesmo com a expansão do 5G ainda em andamento, a próxima geração de redes móveis já começa a ser discutida. O 6G deve começar a chegar ao mercado por volta de 2030. Segundo Pieranti, o Brasil parte de uma posição favorável para essa nova etapa, já que acumulou experiência com redes 5G standalone (SA).
O conselheiro explica que o desafio atual é concluir as metas de implantação do 5G e, em seguida, iniciar os primeiros projetos relacionados ao 6G. A expectativa é que, após a fase de padronização tecnológica prevista para 2027 e 2028, surjam projetos experimentais a partir de 2029 ou 2030.
Além da evolução das redes, Pieranti destaca que a inteligência artificial deve transformar ainda mais o papel do celular na vida das pessoas. A tendência é que o aparelho se consolide como o principal ponto de acesso a serviços digitais, reunindo funções que vão desde serviços públicos até plataformas de comunicação e entretenimento.
Nesse cenário, o celular tende a ocupar um espaço cada vez maior como principal terminal tecnológico do cotidiano, concentrando diferentes serviços e conectando usuários a uma ampla gama de recursos digitais.
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