Saúde • 10:28h • 17 de maio de 2026
Gordura abdominal está ligada a maior risco de perda urinária em mulheres
Estudo conduzido na UFSCar conclui que a adiposidade visceral tem maior impacto sobre o problema do que o peso corporal total
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
O acúmulo de gordura na região abdominal, especialmente a gordura visceral — localizada entre os órgãos — pode aumentar significativamente o risco de incontinência urinária de esforço em mulheres. A conclusão é de um estudo realizado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com apoio da FAPESP, que identificou a gordura abdominal como o principal fator associado à perda involuntária de urina, superando até mesmo o excesso de gordura corporal total.
A incontinência urinária de esforço ocorre quando há perda de urina durante atividades cotidianas que aumentam a pressão abdominal, como tossir, rir, carregar peso ou praticar exercícios físicos. Segundo a professora Patricia Driusso, da área de Fisioterapia em Saúde da Mulher da UFSCar e orientadora da pesquisa, o problema não afeta apenas mulheres idosas.
“Acontece em mulheres de diferentes idades, inclusive nas mais jovens. A musculatura do assoalho pélvico costuma ser pouco trabalhada ao longo da vida e, sem fortalecimento adequado, pode perder sua função”, explica.
O estudo integra uma linha de pesquisa sobre disfunções do assoalho pélvico, que incluem ainda incontinência fecal, prolapsos, dores pélvicas e disfunções sexuais. A investigação foi conduzida pela fisioterapeuta Ana Jéssica dos Santos Sousa, em parceria com a Western Michigan University, nos Estados Unidos.
Para a análise, os pesquisadores avaliaram 99 mulheres entre 18 e 49 anos, moradoras de São Carlos, no interior paulista. As participantes apresentavam diferentes índices de massa corporal (IMC) e passaram por exames de composição corporal considerados padrão-ouro, capazes de identificar não apenas a quantidade de gordura, mas também sua distribuição pelo corpo.
Além da gordura total, foram avaliadas a gordura abdominal, ginecológica e visceral. As participantes também responderam questionários sobre episódios de perda urinária e impactos na qualidade de vida. Cerca de 39,4% relataram algum episódio de incontinência.
Gordura visceral teve maior impacto
Os resultados mostraram que mulheres com maior quantidade de gordura corporal apresentavam maior probabilidade de desenvolver incontinência urinária. No entanto, a gordura visceral foi o fator mais associado ao problema, elevando em aproximadamente 51% o risco da condição.
Segundo os pesquisadores, esse tipo de gordura exerce pressão constante sobre os órgãos internos e sobre o assoalho pélvico, responsável por sustentar a bexiga e controlar a saída de urina. Além disso, a gordura visceral também é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que podem comprometer a qualidade muscular.
“A gordura visceral não funciona apenas como um depósito de energia. Ela libera substâncias inflamatórias que circulam pelo organismo e podem contribuir para o enfraquecimento muscular”, explica Driusso.
A obesidade já é reconhecida como fator de risco para incontinência urinária, ao lado de fatores como envelhecimento, menopausa, número de gestações e condições do parto. A pesquisadora destaca ainda que intervenções obstétricas inadequadas também podem aumentar o risco de disfunções no assoalho pélvico.
Tratamento e prevenção
O estudo reforça que a distribuição da gordura corporal pode ser tão importante quanto o peso para o desenvolvimento da incontinência urinária. Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que a pesquisa aponta associação entre os fatores, sem comprovar relação direta de causa e efeito.
Entre as principais formas de tratamento está o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, considerado padrão-ouro no combate à incontinência urinária de esforço.
“Hoje temos evidências científicas robustas mostrando que o treinamento da musculatura do assoalho pélvico é eficaz. Mas muitas mulheres não conseguem realizar corretamente os exercícios sem orientação profissional”, afirma a professora.
Segundo ela, cerca de 30% das mulheres não conseguem contrair adequadamente essa musculatura sozinhas, podendo até piorar o quadro ao fazer o movimento incorreto. Quando acompanhado corretamente, o tratamento pode apresentar melhora significativa em cerca de três meses.
Os pesquisadores agora pretendem aprofundar os estudos com exames de ressonância magnética para investigar a presença de gordura infiltrada diretamente nos músculos, fenômeno conhecido como mioesteatose.
Para os especialistas, os resultados ajudam a ampliar o debate sobre um problema ainda cercado de tabu.
“A incontinência urinária afeta a qualidade de vida e muitas vezes é silenciosa. Mas ela tem prevenção e tratamento. O importante é que as mulheres saibam que não precisam conviver com isso”, conclui Driusso.
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