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Policial • 16:05h • 13 de maio de 2026

Golpes digitais crescem na América Latina e mudam estratégia dos criminosos; entenda

Relatório internacional aponta avanço acelerado das fraudes digitais e mostra que criminosos estão migrando ataques para celulares

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da BRSA Assessoria | Foto: Âncora1

Criminosos usam celulares desbloqueados para invadir contas e fazer Pix em minutos
Criminosos usam celulares desbloqueados para invadir contas e fazer Pix em minutos

Os golpes digitais seguem avançando no Brasil e mudando rapidamente de perfil. Um relatório internacional divulgado pela empresa de segurança BioCatch aponta que fraudes de personificação, quando criminosos se passam por bancos, empresas ou outras pessoas para enganar vítimas, cresceram cerca de 140% no país em 2025. Já os crimes envolvendo celulares roubados dispararam aproximadamente 340%, especialmente nos últimos meses do ano.

O levantamento faz parte do relatório “Tendências de Fraude em Bancos Digitais na América Latina 2026”, produzido a partir de dados de 36 instituições financeiras que atendem mais de 300 milhões de clientes na região.

Além do Brasil, o estudo mostra um crescimento expressivo das tentativas de engenharia social em toda a América Latina, com alta de 155% nesse tipo de golpe.

Criminosos aproveitam celular desbloqueado para invadir contas

O relatório detalha uma prática que se tornou cada vez mais comum nas grandes cidades brasileiras: o roubo de celulares enquanto a vítima está utilizando o aparelho desbloqueado.

Com acesso imediato à tela aberta, os criminosos utilizam funções como “esqueci minha senha” em aplicativos bancários. Como os códigos de recuperação chegam via SMS ou e-mail no próprio aparelho roubado, o acesso às contas ocorre em poucos minutos.

Na sequência, transferências via Pix são realizadas antes mesmo que a vítima consiga bloquear o dispositivo ou acionar o banco. Segundo especialistas, esse tipo de ataque combina roubo físico, engenharia social e exploração de falhas de comportamento digital dos usuários.

Fraudes migram do computador para o celular

Outro dado que chamou atenção no estudo é a migração acelerada das fraudes para dispositivos móveis. Segundo a BioCatch, os criminosos estão abandonando operações longas no computador e apostando em ataques rápidos via smartphone, que apresentam menor risco de detecção.

Uma sessão fraudulenta com acesso remoto em celulares dura, em média, 316 segundos. No desktop, esse tempo chega a 660 segundos. Isso permite que criminosos realizem mais tentativas em menos tempo.

Além dos golpes de personificação e dos celulares roubados, o relatório aponta:

  • Crescimento de 225% nos ataques com malware;
  • Aumento de 409% em fraudes com ferramentas de acesso remoto;
  • Alta de 42% no uso de contas laranja.

Persuasão virou principal arma dos criminosos

Para Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina, o avanço dos golpes mostra que os criminosos passaram a combinar tecnologia com manipulação psicológica. “O dado de personificação no Brasil é o mais revelador deste relatório. O criminoso não abandonou o malware, os ataques técnicos também cresceram. Mas agora ele atua em mais frentes simultaneamente, e a persuasão se tornou uma delas”, afirma.

Segundo Baldin, muitos golpes atuais sequer exigem invasão técnica aos sistemas bancários. O próprio cliente acaba autorizando a transação acreditando estar falando com um funcionário verdadeiro da instituição financeira.

Esse modelo aparece especialmente nos chamados “voice scams”, golpes realizados por telefone, nos quais criminosos convencem vítimas a realizar transferências ou fornecer códigos de acesso.

Argentina reduziu contas laranja com rede entre bancos

O estudo também destaca uma iniciativa criada na Argentina para combater fraudes bancárias. Em 2025, bancos argentinos passaram a compartilhar informações comportamentais em tempo real por meio de uma rede de inteligência integrada. Segundo o relatório, a medida ajudou a reduzir em 27% os casos de contas laranja no segundo semestre.

No Brasil, especialistas avaliam que o compartilhamento de informações entre instituições financeiras ainda ocorre em escala abaixo da necessária para enfrentar o avanço das fraudes digitais. “No Brasil, já existem iniciativas de compartilhamento de informações entre bancos, mas a escala e a qualidade dessa troca ainda estão longe do que o cenário exige”, afirma Baldin.

Como reduzir riscos de golpes

Especialistas recomendam alguns cuidados para reduzir riscos:

  • Evitar usar o celular exposto em locais movimentados;
  • Ativar autenticação em dois fatores;
  • Utilizar senha no chip;
  • Restringir visualização de notificações na tela bloqueada;
  • Manter aplicativos bancários protegidos por biometria;
  • Acionar imediatamente banco e operadora em caso de roubo.

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